Fico muito incomodado quando observo jovens desinteressados de frequentar a escola e de se dedicar aos estudos.
Preocupa-me o futuro do Brasil se as novas gerações não ocuparem com plena capacidade os lugares que a elas caberão. É inútil e ilusório espelharem-se em meia dúzia de youtubers e outros influenciadores, achando que obterão sucesso e dinheiro sem estudar. Não me refiro apenas a aprender matemática e língua portuguesa, história e outras disciplinas consideradas essenciais. Refiro-me a desenvolver espírito crítico, aprender a discernir entre o que é certo ou errado, acostumar-se a conviver com as diferenças, a valorizar o contraditório. E isso se apreende frequentando as aulas, tendo contato com outras crianças e jovens, estudando sobre outras culturas, frequentando exposições, assistindo a bons filmes e peças de teatro. Enfim, interessando-se em abrir a mente.
Estudei em escola pública até concluir o nível médio e valorizo muito essa dádiva, que muitos desprezam. É verdade, infelizmente, que o padrão de ensino das escolas públicas atuais não se assemelha ao de minha época. Ao invés de aceitarmos isso com passividade, devemos, na condição de sociedade e de quem sustenta os governos, exigir que deem à escola pública a devida atenção e os recursos necessários.
Quem tem condições de manter os filhos em escolas particulares deve fazer escolhas com critério, consciente de que boa aparência não significa melhor ensino. Em primeiro lugar, avaliar quais adotam práticas que coadunam com as defendidas pela família. E, fundamentalmente, saber qual a política de remuneração e valorização dos professores.
Mensalidade escolar não pode ser encarada como mera despesa, mas como o melhor investimento que se pode fazer pelo futuro dos filhos.
