Diante da mobilização de caminhoneiros e outros manifestantes que bloqueiam rodovias e tem causado transtornos sociais e econômicos em todo o País e enquanto o presidente da República continua sem condenar publicamente essas atitudes, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que atuou como ministro de Bolsonaro e hoje é um dos principais opositores dele entre os militares, critica a falta de posicionamento e pede união nacional.
“Que o novo governo seja para todos os brasileiros, com respeito às diferenças, sem conflitos, com aperfeiçoamento das instituições, paz social, redução das desigualdades, apoio aos necessitados, honestidade, transparência e prestígio mundial”, afirma.
Mesmo pessoas próximas do presidente Bolsonaro têm recomendado que ele venha a público, ao menos para agradecer aos 58.206.354 brasileiros que votaram, ainda que não queira cumprimentar o adversário pela vitória. Até o momento desta postagem, entretanto, o presidente não havia se manifestado.
Analistas políticos e especialistas em estratégias históricas opinam que o silêncio do presidente da República seria uma tática esperando que multidões fossem às ruas clamar pela anulação da eleição ou pela tomada do poder pelos militares. Apesar das manifestações que paralisam rodovias terem proliferado por todo o País, não representam minimamente o movimento que poderia atender à suposta expectativa de Bolsonaro.
A atitude enérgica do ministro do STF Alexandre de Moraes, corroborada pelos demais membros da Alta Corte, determinando a ação policial para desobstruir as vias públicas, acaba sendo um balde de água fria na tentativa de provocar um golpe militar, na medida em que desestimula a aglomeração de pessoas. Embora as manifestações de opinião sejam livres, o impedimento de circulação configura extrapolar essa liberdade, resvalando para atitudes de violência, na medida em que impede que mercadorias e produtos de primeira necessidade – como medicamentos – cheguem ao seu destino, prejudicando a população em geral, inclusive os milhões de brasileiros que votaram pela reeleição do presidente.
As alegações de fraude nas urnas não hão de prosperar, tendo em vista que aliados de Bolsonaro foram eleitos de Norte a Sul do Brasil, a começar pelo Estado mais importante da Nação, São Paulo. Se fosse possível alterar o resultado das urnas, o PT não permitiria que Tarcísio fosse eleito governador de São Paulo.
Livro
O general Santos Cruz lançou o livro “Democracia na Prática – Por um Brasil Melhor” destacando que, em 2018, o país foi “vítima de uma enganação eleitoral” que apenas enfraqueceu as bases democráticas. “A transparência e o combate à corrupção foram substituídos pelo que existe de pior em prática política: irresponsabilidade e desrespeito institucional, funcional e pessoal. O Brasil precisa de aperfeiçoamento institucional, a base da democracia na prática”, afirmou.
