A Polícia Rodoviária Federal precisou agir com uso da força para que os manifestantes que impediam o tráfego na rodovia Hélio Smidt, em ambos os sentidos, liberassem as pistas. Diante da ordem de desocupação, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), enrolados em bandeiras brasileiras, sentaram-se no asfalto da rodovia, sob a ponte Prof. Jossei Toda. Agentes da PRF, então, espalharam jatos de gás de pimenta, dispersando os manifestantes. Alguns saíram argumentando que eram a favor da Polícia.
Durante algum tempo, o tráfego no sentido do Aeroporto continuou bastante lento, porque havia uma carreta da Braspress estacionada no acostamento, resguardada por uma viatura da PRF ocupando uma faixa da rodovia. Assim que foi possível que a carreta fosse posta em movimento, a viatura foi estacionada no acostamento e o trânsito começou a fluir com maior celeridade.
Viaturas da Polícia Militar e da PRF continuam de prontidão no trecho onde os manifestantes estão posicionados, nas laterais da rodovia Hélio Smidt.
Dezenas de voos tiveram de ser cancelados, em decorrência do bloqueio da rodovia na noite de segunda-feira. Muitos passageiros que chegaram de viagem ficaram retidos no Aeroporto, sem oportunidade de chegarem a seus destinos ou de serem buscados por parentes.
Pronunciamentos
O governador Rodrigo Garcia (União Brasil), que apoiou no segundo turno tanto o presidente Bolsonaro quanto o candidato que foi eleito governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez pronunciamento, condenando as paralisações, afirmando que o Estado de São Paulo iria cumprir rigorosamente a decisão do STF de liberar as vias públicas, ainda que para isso a PM tivesse de agir com uso da força.
“Nós procuramos dialogar e negociar com esses manifestantes, para que as vias públicas fossem desobstruídas desde ontem. Hoje pela manhã, em virtude da decisão do Supremo Tribunal Federal, as negociações se encerram e partir de agora nós vamos aplicar aquilo que determina a decisão judicial”, afirmou o governador Rodrigo Garcia em coletiva realizada na manhã de hoje (1º.11) no Palácio dos Bandeirantes.
Em entrevista coletiva, autoridades da Polícia Rodoviária Federal prestaram contas das atitudes tomadas para devolver a normalidade às rodovias brasileiras, informando que mais da metade dos pontos de bloqueio haviam sido retirados, permanecendo em prontidão para não voltarem a ser ocupados. E que todos os esforços estão sendo desenvolvidos para que as pessoas possam voltar a trafegar com tranquilidade.
Já havia informações de cargas perecíveis retidas, medicamentos que não estavam podendo ser entregues a hospitais, bem como temos de falta de combustíveis, caso as estradas não fossem liberadas com urgência.
Sem pauta específica
Uma das dificuldades encontradas pelas autoridades incumbidas de restabelecer a normalidade foi a falta de identificação das lideranças dos movimentos, com as quais se pudesse dialogar e negociar saídas. No geral, os manifestantes apenas se posicionam contra o resultado da eleição para presidente, sem apresentar uma reivindicação objetiva. Os que mostram algum argumento limitam-se a pedir a tomada de poder pelos militares, alegando que o STF teria ultrapassado os limites de sua competência, contrariando termos da Constituição. Nesse sentido, há apoiadores de Bolsonaro ocupando cercanias da sede do Comando Militar do Sudeste, no Ibirapuera, onde pretendem juntar uma multidão, visando a convencer o Exército a aplicar um golpe militar.
