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Uma cidade, muitos talentos

É tradição fazer edições comemorativas do aniversário da cidade em torno de reminiscências. E poderíamos mais uma vez enaltecer feitos de antepassados, que tanto contribuíram para Guarulhos ser a potência que é hoje.

No entanto, desta vez preferimos mostrar aos guarulhenses algumas pessoas que desenvolvem trabalhos muito interessantes e relevantes, em diversos segmentos.

É evidente que, ao escolher determinados nomes, estamos cometendo uma série de injustiças, pois há uma infinidade de artistas, escritores, esportistas, técnicos e cientistas que mereceriam estar entre os que figuram nesta edição.

Por circunstâncias do momento, algumas pessoas que queríamos ouvir não estavam disponíveis. Para elaborar as matérias de outros, como Rebeca Andrade e Gabriel Martinelli, recorremos a pautas anteriores que fizemos com eles e as atualizamos.

Enfim, quisemos fazer ver aos nossos leitores que, além da pujança econômica e da importância política de Guarulhos no cenário nacional, a cidade gerou ou abriga uma série de talentos, em várias áreas, pois é quase certo que inúmeros guarulhenses conhecem o trabalho desses personagens, mas ignoram que é gente daqui e que isso é um motivo a mais para termos orgulho de pertencermos a esta comunidade que produz riquezas, gera empregos, mas também ostenta para o mundo arte, cultura, conhecimento e uma incrível capacidade de vencer desafios.

A versatilidade de Adriana Lessa nos palcos, nas telas e nos áudios

Adriana Lessa, atriz, radialista e apresentadora, iniciou a carreira como atriz em 1986, sob direção teatral de Antunes Filho, com os espetáculos “Macunaíma” e “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, em São Paulo e também na França, Espanha, Canadá, Áustria, Alemanha e Grécia.

Nascida em São Paulo, no bairro da Liberdade, cresceu em Guarulhos, onde teve sua formação, sendo marcante sua passagem pela ACM Guarulhos. Quanto ao momento em que despertou para o desejo de ser artista, conta que desde criança brincava interpretando situações.

Em teatro musicado de revista, foi dirigida por Abelardo Figueiredo no espetáculo “Brasil Canta e Dança”, na Costa do Marfim, Trinidad e Tobago e Curaçao, além do Brasil.
Em teatro musical, participou de “Cartola, o mundo é um moinho (indicada ao Prêmio Bibi Ferreira 2017, como atriz coadjuvante), “Rent”, entre o outros.

Na TV, como atriz, está atualmente em Bugados, para Canal Gloob. Atuou também em “Araponga”, “Chiquinha Gonzaga”, “Terra nostra”, “Aquarela do Brasil”, “O clone”, “Senhora do destino”, “Sessão de terapia”, “Cidade proibida”, “O sétimo guardião”, “Sexo e as negas (TV Globo), “A garota da moto”, “Corações feridos” (SBT), “Escrava mãe (RecordTV), entre outras participações.

Apresentou na Rede TV: Bastidores do Carnaval e TV Fama; entre outros programas, atuou na MTV Brasil e TV Bandeirantes. Protagonizou campanhas publicitárias e colocou sua voz em audiobooks, assim como na audiossérie “Batman, Despertar” (como Martha Wayne, mãe de Batman), com exclusividade para Spotify Brasil, trabalho lançado simultaneamente em nove países e que por dias figurou como número #1 entre os mais ouvidos. Como cantora, fez participações especiais em importantes grupos de rap, como DMN, PMC, Poetas de Rua e Filosofia de Rua. No âmbito social, empresta sua imagem a campanhas de conscientização quanto a Parkinson e, ainda, saúde mental.

Outra atuação que Adriana destaca é o curta-metragem produzido por meio da Lei de Incentivo à Cultura de Guarulhos, “Não somos mais o que éramos”, que fez parte da Mostra Guarulhense de Cinema, exibida no Sindicato dos Bancários local.

Adriana pode ser vista em trabalhos recém-lançados: “Depois do Universo” (Top #1 no Brasil e top #6 no mundo, pela Netflix); na série “Rota 66, a Polícia que mata” (baseado no livro de Caco Barcelos) e “Amado”, no qual interpreta a comandante da Polícia Militar da cidade satélite de Ceilândia. Estes dois estão disponíveis na plataforma Globoplay.

Com tantos trabalhos desenvolvidos em várias vertentes, Adriana Lessa se pergunta como teria sido sua trajetória se não fosse negra. Quantas mais oportunidades poderia ter? Quantas protagonistas teria desempenhado? Qual projeção talvez tivesse alcançado? “Importante trazer a questão racial para reflexão na sociedade civil, nas empresas nacionais e multinacionais, assim também a reflexão sobre o negro na economia brasileira; afinal, como apresentou a filósofa Angela Davis, ‘Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é estabelecido a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras’”, conclui.

Os múltiplos papéis desempenhados por Igor Cotrim na TV e no cinema

Filho de militar, Igor Cotrim aos nove anos já assistia, em um quarto separado, a filmes que não eram indicados para sua idade. Na época, a atuação de Jack Nicholson chamou sua atenção. Acabou se decidindo por cursar Arte Dramática na USP, abandonando o curso de Mecânica na Escola Técnica Federal, no terceiro ano. Antes da EAD, participou de oficinas de teatro no Mazzaropi e Três Rios.

Entre os papéis que desempenhou, destaca o “Boca de lixeiro”, do Sandy & Júnior, na Globo, personagem que ajudou a criar desde o nome e que interpretou por quatro anos. “O nome do Boca era para ser Osvaldo. Brinquei, sugerindo que deveria ser Cleosvaldo Tártari. Dois anos depois, Júnior me chamou de Cleosvaldo no programa. Retruquei, chamando-o de Durval, nome verdadeiro do Xororó”… (risos).

O primeiro longa-metragem do qual participou foi “Elvis & Madonna”, com o qual ele e Simone Spoladore, além do diretor Marcelo Lafitti, ganharam dezenas de prêmios no mundo tudo, inclusive vencendo Wagner Moura e Selton Mello. Faturou até um prêmio da Associação dos Travestis do Rio de Janeiro. Atuou também em “Os príncipes”, que obteve prêmio em Pernambuco. Fez também o primeiro filme brasileiro para a Netflix.

Recentemente, fez o sargento corrupto no filme nacional “Amado”, contracenando com a também guarulhense Adriana Lessa. Participou também de uma temporada do reality “A fazenda”.

Igor destaca o personagem Simeão na série “Gênesis”, da TV Record, que considera um papel muito forte, a ponto de ter precisado de terapia para se desvencilhar da carga negativa do vilão. No momento, depois de interpretar Eliúde na série “Reis – A escolha”, está representando o papel de Asher, neto do personagem que fez na temporada anterior. “Na primeira temporada, fiz Eliúde, que abre a Arca da Aliança. Indiana Jones não abriu a Arca. Então, Indiana é Nutella comparando com Eliúde. E agora faço o neto dele, que é um personagem mais carinhoso, amoroso com as filhas e com a mulher. Esse papel é um presente”, comemora.

Conta que no breve intervalo de 15 dias entre Gênesis e Reis, participou do filme “O martelo e a coroa”, no qual interpreta Nietzsche.

A música desde sempre na vida do violeiro urbano Amauri Falabella

Cantor e compositor nascido em São Paulo, Amauri Falabella mora em Guarulhos desde 1978. Começou a gostar de música desde criança, influenciado pelo pai, Olímpio, que tocava violão e cantava muito bem. Conta que sua mãe, Terezinha, cantava o dia inteiro e o rádio estava sempre ligado “Ouvíamos de tudo: samba, música caipira, brega, música americana. Aprendia muitas músicas com eles”, conta.

Aprendeu violão com seu pai, que lhe passou os primeiros acordes e ritmos. Ainda muito jovem, passou a dar aulas de violão popular. Na década de 1980, começou a tocar profissionalmente, em bares de São Paulo e de Guarulhos.

Quando começou a compor, foi abandonando os trabalhos em casas noturnas e passou a participar de festivais de música. “No final dos anos 70, ouvi a canção “O violeiro’, de Elomar, que mudou completamente meu modo de ouvir música popular e depois conheci também as coisas do Vital Farias, Xangai, Vidal França, Dércio Marques e outros”, relata.

Em 1982, participou de um festival de música no Parque Cecap e teve classificadas três entre as dez finalistas, em parceria com amigos e interpretadas pelo grupo Origens, formado por jovens do conjunto residencial. Embora não tenha conquistado prêmio naquele festival, serviu de experiência para outras ocasiões.

Entre os compositores cujas obras passou a apreciar como contou, alguns se tornaram amigos e parceiros como Dercio Marques. “Eu o conheci pessoalmente em 97, quando ele me proporcionou fazer pela primeira vez gravação de uma canção minha, a ‘Ciranda lunar’, que entrou no CD ‘Cantigas de abraçar’, do Dercio”, relembra.

Depois conheceu Vidal França, quando estava gravando seu primeiro CD. “Ele escreveu um poema chamado ‘Trilha’, que depois eu musiquei e gravei com a participação dele no meu CD ‘Violeiro urbano’, registra.

Momento marcante na carreira de Amauri Falabella foi no ano 2000, quando teve a felicidade de ter a canção “Brincos” classificada para a final do festival da música brasileira da rede Globo. Não venceu entre as músicas escolhidas pelo júri, mas foi a melhor na votação popular. Desde então, “Brincos” faz parte de todos os shows.

Amauri costuma estar na programação de várias unidades do Sesc. Diz achar que um fato que o ajudou bastante a seguir em frente e abriu muitas portas foi ter cinco CDs gravados com músicas inéditas. “Só regravei uma canção, ‘O morceguinho’, do João do Vale, no primeiro CD. Todas as demais canções são minhas ou de amigos de cantoria”, afirma. São estes os CDs gravados por Amauri: “Ciranda lunar” (2001), “Violeiro urbano” (2006 ), “Amauri Falabella” (2010), “Parceria” (2015). Em 2020, durante a pandemia, gravou um álbum no formato violão e voz, chamado “Tempo de paz”.

Atualmente segue a vida com o ofício de inventar canções, participar dos espetáculos e sempre lecionando violão e viola caipira.

Adam Roman encarna Elvis nos palcos da vida

O guarulhense Adam Roman era aluno do então Colégio McLuhan (uma das unidades do atual Marconi), quando foi incentivado pelos professores.Elza e Marcos Cárfora e pela “tia” Regina a dedicar-se ao canto. “Aos 8 anos, conheci o disco Good Rockin Tonight. “Aos 12 anos, comecei a ajudar nos eventos do Fã Clube Gang Elvis, que existe desde 1967, do Walteir Terciani”, lembra.

Faz shows de tributo a Elvis Presley por todo o Brasil e com participações internacionais, que lhe renderam notáveis conquistas.

Mas, afinal, quando Adam sentiu que seria um bom intérprete de Elvis? “Percebi quando fui observado por pessoas que trabalharam com o próprio Elvis e curiosamente fui convidado pelo próprio Marcelo Costa a conhecer sua coleção. Ele ganhou um disco de ouro pelo álbum “Good Rockin Tonight”, que inclusive foi o disco pelo qual conheci Elvis e nem sabia que ele estava por trás”, revela.

Quisemos saber por que escolheu Elvis. “Por que Elvis, por detrás do artista, era um ser humano de luz, generoso. Tinha seus defeitos, como todos nós, mas era muito grato a Deus pela missão que lhe foi dada. E a partir deste ponto, busco até hoje a profissionalização técnica do meu segmento”, explica.

Em 2008, Adam deu início à primeira turnê por teatros Brasil afora e fez um show memorável no Teatro Adamastor. “Foi quando conheci o jornalista Valdir Carleto, que me deu uma baita força. Sou grato por ele ter tido sensibilidade para ver algo no meu trabalho”, conta.

Adam continuou se especializando tecnicamente, estudando inglês, teatro, com acompanhamento do coach vocal Alexandre Presbiteris, até que, em 2014, em um campeonato oficial que aconteceu no Brasil, para eleger os melhores ETAs (Elvis Tribute Artist) da América Latina, ele ficou em primeiro lugar na categoria gospel. “Fui para os EUA, em Memphis, e lá, no mundial ‘Images of the King’, fiquei em terceiro lugar na categoria anos 50/60”, comenta, feliz com a vitória alcançada.

Sobre os trabalhos atuais, diz: “Continuo na estrada, encontrando pessoas de luz, que me abriram portas, como o saudoso professor Ribamar e sua esposa, Jô. Sigo me especializando tecnicamente, estudando violão, piano e canto, para oferecer o melhor possível, fazendo shows solo ou com minha banda, desde teatros pelo Brasil, clubes, prefeituras e para festas particulares como aniversários, casamentos e outros eventos. Sempre com muito respeito à memória do Elvis. Brinco que a luz dele nos ilumina. Cito a sigla “TCN”, que significa: “Tomando Conta de Nós”.

Entre as pessoas que o influenciaram positivamente, rende homenagem ao avô materno, professor Tadeusz Roman. “Menção honrosa ao meu avô polonês, diretor de escola em Guarulhos, e que tinha uma sala de música em casa”.Cita também o tio Ian Rocha, que tinha o CD por meio do qual descobriu Elvis.

Marcelo Menezes completou 30 anos de carreira, com show em vários países

Com 30 anos de carreira na música, Marcelo Menezes vive em Guarulhos há 16 anos. Sua esposa e família vivem na cidade há 50 anos e eles se conheceram em um show que ele fazia no Rio de Janeiro.

Conta que começou a tocar violão em 1983 e que seu primeiro show como profissional foi em 1992, com Cristina Buarque, cantora com a qual trabalhou por muitos anos, junto com o grupo Dobrando a Esquina.

Indagado sobre o que destaca em sua carreira, responde que são todos os trabalhos feitos com artistas ligados ao samba, gravações, seus parceiros musicais e os quatro álbuns que fez nesses 30 anos.

Entre trabalhos que desenvolveu, cita projetos com Zé Kéti, Carmen Costa, Elton Medeiros, João Nogueira, Mario Lago, Paulo César Pinheiro, Chico Buarque, Cristina Buarque, Miúcha, Sergio Ricardo, Carlinhos Vergueiro, Delcio Carvalho, Da. Ivone Lara, Zezé Motta, Walter Alfaiate, Roberto Silva, Henrique Cazes, Guilherme de Brito, Nelson Sargento, Monarco, Ivor Lancellotti, Quarteto em Cy, Ruy Faria (MPB-4), Roque Ferreira, Luis Carlos da Vila e outros.

Enumera shows realizados em vários países. Na França: Méribel, Aix-les-Bains, Montarret, no Circuit de Musique Bresilienne, Ano do Brasil na França, no Carreau du Temple. Em Portugal: Évora, Moura e Beja, no Festival de Línguas Lusas. Na China: 3o “Meet in Beijing“ Arts Festival (Shanghai, Beijing e Tianjin). No Brasil: Projeto Pixinguinha com Roque Ferreira, Teresa Cristina, Monarco, Ivor Lancellotti, Delcio Carvalho e outros.

“Em 2017 fiz um álbum instrumental com o grupo Água de Moringa, tocando minhas músicas. Em 2019, lancei o álbum Guardião, de parcerias com Paulo César Pinheiro. Em junho de 2022, comemorando 30 anos de carreira, lancei o álbum Marcelo Menezes. Neste trabalho estão alguns de meus parceiros: Paulo César Pinheiro, Delcio Carvalho, Eduardo Gudin, Roberto Didio, Nei Lopes, Ivor Lancellotti, Jorge Simas, Gisa Nogueira, Teresa Cristina, Ana de Holanda, Chico Alves, Mário Lago Filho, Marceu Vieira e Roque Ferreira”, relata.

Quem quiser conhecer seu trabalho pode acessar suas redes sociais:
Facebook @marcelomenezes2015
Instagram @marcelomenezesx
Youtube @mmenezes2010
E todas as plataformas de streaming.

Rebeca Andrade, campeã olímpica e mundial

A ginasta guarulhense Rebeca Rodrigues Andrade, nascida e criada na Vila Fátima, deu seus primeiros saltos com apenas 5 anos de idade no Ginásio Bonifácio Cardoso, localizado na Vila Tijuco.

Ela tem seis irmãos, todos criados por dona Rosa, sua mãe, que, em um gesto de muita coragem, permitiu que a filha, com 9 anos, fosse morar em Curitiba (PR) para evoluir na ginástica. No ano seguinte, Rebeca foi para o Flamengo, no Rio de Janeiro.

Em 2016, Rebeca deu entrevista a Jônatas Ferreira, da Revista Weekend (Carleto Editorial). Na época, foi relatado que ela, com seus muitos voos e piruetas, realizou o sonho de todo atleta: a Olimpíada, obtendo o 8º lugar em grupo e o 11º lugar entre as melhores do mundo na ginástica artística no Rio-2016.

Apesar de não ter obtido medalha naquela ocasião, cativou o público com suas performances alegres e já demonstrava, com muita simplicidade, simpatia e um belo sorriso, que era uma grande promessa para 2020, o que veio se confirmar nas Olimpíadas de Tóquio, realizadas em 2021, por causa da pandemia. A ginasta brasileira sagrou-se campeã olímpica e primeira atleta brasileira a conquistar duas medalhas – uma de ouro e uma de prata – em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos.

Em outubro de 2021, Rebeca Andrade brilhou no Mundial de ginástica artística em Kitakyushu, no Japão. A atleta foi medalha de ouro no salto e prata nas barras assimétricas, conquistando suas primeiras premiações em Mundiais.

Em 2022, mais uma vez a atleta guarulhense Rebeca Andrade conquistou o título do individual geral do Mundial de Ginástica Artística disputado em Liverpool (Inglaterra).

Para garantir a conquista, a brasileira de 23 anos somou o total de 56.899 pontos, com destaque para os 15.166 pontos obtidos no salto, aparelho no qual já havia garantido outra medalha dourada na edição do Mundial de 2021 no Japão.

Depois da ótima performance no salto, a atleta teve uma boa atuação na barra, que lhe garantiu 13.800 pontos. O terceiro aparelho foi a trave, no qual somou 13.533. Depois a brasileira voltou a apresentar a coreografia do Baile de Favela para fechar a decisão com 14.400 pontos e o título mundial.

Após a nova conquista, a ginasta declarou que estava orgulhosa e feliz: “Essa medalha significa que todo o meu trabalho, da equipe multidisciplinar e de todas as meninas que treinam comigo deu resultado. Trabalhamos muito duro. Estou orgulhosa, sinto um orgulho enorme e estou muito feliz”.

Gabriel Martinelli: um guarulhense na Copa do Mundo

Convocado por Tite para compor a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, o guarulhense Gabriel Martinelli está com 21 anos e entrou nos momentos finais da primeira partida do Brasil, contra a Sérvia, mostrando bom desempenho.

reprodução / Instagram Gabriel Martinelli

Ao convocá-lo, antes de irem para o Catar, Tite assim se manifestou: “Martinelli esteve em duas convocações, manteve o alto nível. Poderiam ser outros, seria justo, existem argumentos para outros. São escolhas. Escolha de um atleta, dentro da característica, modelo de equipe, precisamos de agudos pelo lado”, argumentou.

Quando fechávamos esta edição, acontecia o jogo do Brasil frente à Seleção de Camarões. Martinelli foi posto para jogar desde os primeiros minutos. Embora o Brasil tenha perdido por 1×0 e ele não tenha conseguido marcar, foi um dos melhores em campo.

Lucas Figueiredo / CBF / Flickr CBF Oficial

Gabriel nasceu em Guarulhos. Aos seis anos, ingressou no futsal do Corinthians, permanecendo até os dez anos, quando migrou para o futebol de campo, ficando ali três anos, participando de 139 jogos e marcando 73 gols.

Um momento marcante para o jovem foi em 2012, quando estudava no Colégio Ahmad, pelo qual sagrou-se campeão no futsal da Olimpíada Colegial Guarulhense.

Em 2015, seus pais aposentaram-se e resolveram mudar-se para Itu, em busca de uma vida mais tranquila. Ele estava com 13 anos e, embora fosse uma atitude difícil abandonar um time estruturado como o Corinthians, não lhe restava muita alternativa que não fosse acompanhar a família.

Fez um teste no Ituano, onde foi bem recebido por Juninho Paulista, tendo atuado no clube do interior paulista até julho de 2019, quando teve a oportunidade de ser levado por Edu Gaspar para o Arsenal, onde o ex-volante é diretor esportivo. Também de Guarulhos, Edu atuou no Corinthians e conviveu com o então adolescente Gabriel.

Nas redes sociais, Gabriel Martinelli celebrou assim a escolha para a Seleção de Tite: “Nunca desista dos seus sonhos. Um momento de orgulho para mim e minha família, pois tenho a chance de representar meu país em uma Copa do Mundo. Catar 2022!!”.

Professor da Unesp especializou-se em pesquisar sobre Tiradentes

Nascido em Guarulhos, André Figueiredo Rodrigues é professor e orientador na Pós-Gradução da Unesp, em Assis, interior paulista.

Ele passou a maior parte da vida no Jardim Maria Dirce. Estudou na EE Vicente Melro e, de lá, transferiu-se na 7ª série para o Colégio Kennedy, onde concluiu o ensino médio. Além de se dedicar muito aos estudos, participou de todas as atividades culturais que o Colégio propunha, inclusive indo nas excursões que a professora e diretora Deise Mara Ramos Pombo montava para levar os alunos a conhecer Minas Gerais. “E foi em uma dessas viagens, em 1990, que conheci na cidade de Ouro Preto as histórias sobre o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, nosso maior herói. Encantei-me pela Inconfidência Mineira, que foi uma revolta que pretendeu romper os laços que nos uniam a Portugal, e a história de seus participantes, entre eles o Tiradentes. É sobre essa história e personagens que venho desde meu terceiro ano na faculdade me dedicando a estudar e desvendar alguns de seus segredos”, conta.

André estudou História na USP (1994-1997), onde também concluiu o mestrado (1998-2002) e o doutorado (2004-2008). Lecionou História e disciplinas correlatas em escolas públicas de Guarulhos. Após o mestrado, ingressou como professor de diversas disciplinas nas Faculdades Guarulhos, até 2012, quando passou no concurso público para professor de História da América Portuguesa na Unesp, em seu campus em Assis, onde também é professor e orientador no Programa de Pós-Graduação em História (mestrado e doutorado em História do Brasil Colonial). No Departamento de História da Unesp de Assis, coordena o Núcleo de Estudos Coloniais e é líder do Grupo de Pesquisa CNPq “Paulistânia: território, historiografia e sociedade”. Desde 2019 sou Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq – nível 2.

Em 2010 ingressou como acadêmico efetivo da Academia Guarulhense de Letras. É presidente da Seção Nacional do Brasil no Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH), da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em 15 anos, publicou 13 livros, 21 artigos em periódicos especializados, 27 capítulos de livros, 4 verbetes de dicionário especializado e organizou 6 coletâneas, entre outras publicações. “Minhas publicações no geral apresentam como tema a Inconfidência Mineira e seus personagens. De meus livros, os mais famosos são ‘A fortuna dos inconfidentes: caminhos e descaminhos dos bens de conjurados mineiros (1760-1850)’ (editora Globo, 2010), onde, pela primeira vez, se apresenta que os mais importantes personagens do movimento rebelde mineiro foram mulheres e não homens; ‘Inconfidência Mineira: negócios, conspiração e traição em Minas Gerais’ e ‘Em busca de um rosto: a República e a representação de Tiradentes’ (em coautoria com Maria Alda Barbosa Cabreira), ambos publicados pela editora Humanitas FFLCH-USP, em 2020.

Outra área abordada por André é a de Metodologia Científica, sobre a qual publicou quatro livros pela editora Humanitas FFLCH-USP: “Como elaborar referências bibliográficas”, “Como elaborar citações e notas de rodapé”, “Como elaborar e apresentar monografias” e “Como elaborar artigos”.

“E foi graças a esses livros, que venderam mais de 60 mil exemplares, que conheci mais de 30 universidades brasileiras ao proferir conferências e minicursos com temas versando sobre a elaboração de trabalhos acadêmicos na universidade. Atualmente dedico-me a pesquisar a trajetória do traidor de Tiradentes, o coronel Joaquim Silvério dos Reis. Nas horas vagas, estudo a História de Guarulhos”, conclui.

Contato: afr123@gmail.com
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/6478798235384802
Orcid: orcid.org/0000-0001-9286-089X

Milton Sales, fundador do projeto político-musical Racionais MC’s,firmou o pé em Guarulhos

Por Lucas Carleto de Paulo

Milton Sales, fundador do projeto político-musical banda Racionais Mc’s, junto a Kl-Jay, Mano Brown (DC Brown), Edi Rock e Ice Blue (na época AC Blue), é um símbolo do rap nacional. Apesar de ter nascido em São Paulo, sempre teve família em Guarulhos, e se firmou no Jardim Rosa de França, onde mora.

Com seus ideais libertários, orientou os quatro músicos com estratégia e politização, atuando nas ruas para fazer com que o som do grupo tocasse pelo Brasil, sempre acreditando na música como um instrumento de libertação.

Com muita alegria, falando com exclusividade para a RG, conta que considera um sucesso a proporção que o grupo tomou, “Os meninos, hoje homens formados, conseguiram ser porta-vozes de ideias libertárias, e trouxeram de volta o sentimento de pertencimento da periferia, com uma música do gueto autêntica. Dos oito aos 23 anos de idade, morei em Guarulhos, e hoje em dia ainda estou na mesma quebrada. E daqui não saio, nunca larguei o pé da minha raiz”, afirma.

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