Eduardo Silva Simões, natural de Brasília, ex-jogador de futebol do Atlético Goianiense, formado em Direito, casado e pai de 3 filhos, teve conhecimento há 13 anos do diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) do seu filho mais novo, João Daniel.
Quando isso aconteceu, ele se sentiu despreparado para o desafio, mas o amor e cuidado de pai foram suficientes para mantê-lo forte e confiante em sua missão. No processo, precisou acompanhar seu filho em aulas para a melhora de seu desenvolvimento, quando descobriu seu maior talento: a música. Hoje é produtor musical de seu filho, que é vocalista da atual Banda Hey Johnny, que inclusive já abriu o show do Frejat. (Instagram @bandaheyjohnny).
Na caminhada, Eduardo se viu diante das estereotipias do autismo; uma delas, a seletividade alimentar de seu filho, ainda que de forma leve, tornou-se uma preocupação a mais.
“Sempre fui um pai muito responsável e cuidadoso; me ver em uma situação como essa apenas me fez intensificar isso,” conta.
Por acaso, Eduardo já estava em busca de mudar o rumo de seus investimentos e apostar em um negócio próprio que pudesse trazer maior estabilidade financeira, e por consequência, colaborar com o desenvolvimento do seu filho. Nessa caminhada, ele teve sua esposa como seu principal alicerce, além de seus filhos, Maria Elisa e Davi Ricardo, que foram primordiais na construção e realização desse sonho. Afinal, eles sempre apoiaram e incentivaram com amor e convicção as escolhas do pai.
Influenciado pela família, ele decidiu abrir uma unidade da Bio Mundo – uma rede de lojas de produtos naturais e nutrição esportiva, natural de Brasília, com franquias já espalhadas pelo Brasil, possuindo uma vasta gama de produtos, assim como uma preocupação especial por quem possui restrição alimentar. A marca tem um portfólio que inclui itens a granel, diet, light, integrais, veganos, sem glúten, sem lactose, funcionais, vegetarianos, que somam em média 3 mil produtos em prateleira e mais de 300 opções de produtos a granel, além das marcas próprias.
“Conheço a Bio Mundo de Brasília e tive a oportunidade de ver o crescimento da rede de perto. As peças foram se encaixando, aconteceu e hoje tenho a convicção de ter sido uma das mais desafiadoras, mas a melhor escolha que eu poderia tomar, pelo meu filho e pela minha família”, avalia.
Assim, pôde unir o útil ao agradável: iniciar no ramo dos negócios com uma unidade Bio Mundo, alavancar seus investimentos, e ainda, proporcionar uma alimentação saudável para seu filho, sua família e seus clientes, que nesse momento estava se tornando um dos pontos mais importantes na sua decisão.
O que a alimentação tem a ver com o Transtorno do Espectro Autista?
Para funcionar corretamente, o cérebro precisa de uma dieta saudável e balanceada. Comer alimentos que contenham vitaminas, minerais e antioxidantes nutre o cérebro e o protege do estresse oxidativo, os radicais livres produzidos quando o corpo usa oxigênio. Esses radicais podem danificar as células e provocar problemas cognitivos e de memória ao longo do envelhecimento.
Afinal, a ligação entre o cérebro e o intestino nesse caso é muito certa. Estudos apontam que os portadores do transtorno do espectro autista podem ter as paredes do intestino mais porosas, e apresentar problemas como refluxo, constipação e diarreia. Sendo assim, tratar o intestino para facilitar o trabalho do cérebro, melhorando a alimentação e o interesse pelos hábitos saudáveis, pode colaborar e muito para um dia a dia mais tranquilo e nutritivo.
A alimentação é essencial para o bom funcionamento do organismo. Fazer boas escolhas na hora de compor o prato também favorece a saúde cerebral. Aliás, o cérebro e o corpo estão completamente interligados e exigem a mesma manutenção para se manter saudáveis, principalmente quando falamos do corpo em desenvolvimento, como é o caso das crianças.
Pessoas que fazem parte do transtorno do espectro autista (TEA) têm, entre suas características, repetir padrões e ter interesses bastante específicos. Esse comportamento pode ser levado à mesa por algumas crianças, o que é chamado de seletividade alimentar.
Um estudo realizado pela University of Massachusetts Medical School, de 2010, já estimava que 41% dos pequenos com TEA apresentam mais recusa alimentar do que os com desenvolvimento típico, 18%. No ano passado, uma revisão foi publicada no Journal of Autism and Developmental Disorders apontando que a seletividade na alimentação é algo comum na infância, mas essa prevalência aumenta entre 51% e 89% na população que convive com o TEA.
Especialistas explicam que é possível superar as dificuldades com um passo de cada vez. Neste contexto, faz diferença contar com uma equipe multidisciplinar, que agirá na questão comportamental como um todo e, com isso, conseguirá resultados na alimentação. Um nutricionista, por exemplo, pode fazer parte do processo de reabilitação, com estímulos táteis e contato com diversas texturas e apresentação de novos alimentos.
Loja reinaugurada
Situada dentro do antigo supermercado Extra, a loja do Eduardo precisou passar um ano fechada devido à mudança para a Rede Assaí.
A reinauguração da unidade, no mesmo endereço, em Guará, aconteceu no sábado, 11/03.
“Precisamos passar pelos processos e aqui na loja foi desta forma. Estávamos abertos há 5 anos, um sucesso de vendas e adesão de todos os produtos, mas tivemos que fechar, inicialmente por um tempo indeterminado, mas confiantes com a volta. Eu poderia ter repassado o ponto, ou mesmo, desistido, mas a marca consegue ser tão forte que foi muito mais certo permanecer e ganhar a região novamente, continuando com o sonho que só acabara de recomeçar,” finaliza Eduardo.
