Terminou novamente sem acordo audiência conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo entre a Companhia do Metropolitano (Metrô) e o Sindicato dos Metroviários. A sessão foi encerrada por volta das 19h. Na audiência, uma proposta elaborada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que incluía o pagamento de bônus no valor de R$ 2.500, por ano, de 2020 a 2022, a cada funcionário do metrô, foi rejeitada pela empresa.
A companhia reafirmou que só abriria negociação se os funcionários, em greve desde a manhã desta quinta-feira (23), voltassem ao trabalho. Sem uma nova proposta, o sindicato dos trabalhadores afirmou que, dificilmente, os funcionários suspenderiam a paralisação.
Com o impasse, a juíza Eliane Aparecida da Silva Pedroso, relatora do processo, disse que apresentará uma decisão ainda na noite de hoje. Ontem (22), a magistrada acatou a liberação das catracas, método proposto pelo sindicato dos trabalhadores para afastar a possibilidade de danos à população. O sindicato aceita suspender a greve caso a companhia deixe de cobrar as passagens.
Hoje, no entanto, em mandado de segurança pedido pelo Metrô, o desembargador plantonista Ricardo Apostolico Silva cassou a decisão da juíza que possibilitava a liberação das catracas e estipulou o funcionamento de 80% do serviço do efetivo do metrô nos horários de pico (entre as 6h e as 10h e entre as 16h e as 20h) e com 60% nos demais horários, durante todo o período de paralisação.
A juíza Eliane Pedroso informou que a decisão que apresentará ainda hoje definirá se o mandado de segurança se sobrepõe a sua decisão inicial.
“Se se mantiver a liminar do desembargador Ricardo, o metrô vai trabalhar sem uma perna, com 60% ou 80% [de sua capacidade]. Se mantiver a minha decisão, haverá duas decisões, e o sindicato vai optar por aquela que é conveniente a ele”, explicou a juíza, ao fim da audiência de conciliação.
Operação parcial e já suspensa
Entre as 17h e 20h, alguns trechos das linhas paralisadas – Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha – voltaram a funcionar. Porém, a operação foi suspensa.
A Linha 15-Prata permanece fechada. A estimativa é que mais de 3 milhões de pessoas tenham sido afetadas.
As linhas 4-Amarela e 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda, todas privatizadas, têm operação normal. As cinco linhas de trem da CPTM também continuaram com funcionamento normal.
Rodízio suspenso e ponto facultativo
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, decretou ponto facultativo nas repartições públicas da capital nesta sexta-feira (24), com exceção de serviços essenciais como Serviço Funerário, unidades de atendimento das secretarias de Saúde e Assistência Social, toda a rede municipal de ensino e a Segurança Urbana.
O mesmo foi decretado pelo governador Tarcísio de Freitas. A medida será publicada no Diário Oficial desta sexta-feira. A Prefeitura de São Paulo informou que o Rodízio Municipal de Veículos continuara suspenso nesta sexta-feira (24), durante todo o dia
Além disso, a Secretaria de Mobilidade e Trânsito informou que o rodízio municipal de veículos continuará suspenso durante toda a sexta.
Reivindicações
Entre as reivindicações, estão o pagamento de abono e de participação nos resultados do metrô, além da contratação de mais pessoal. A concessionária diz, por sua vez, que o pagamento não seria possível, visto que a arrecadação diminuiu depois da pandemia.
Foi realizada uma reunião entre o Ministério Público do Trabalho, Metrô e o sindicado dos metroviários, em que a categoria aceitou uma proposta do MPT, segundo informações do sindicato.
O que teria sido proposto seria o pagamento de três parcelas no valor de R$ 2,5 mil. Cada uma corresponde à Participação nos Resultados que não teria sido paga nos anos de 2020, 2021 e 2022.
Foi indicado que o sindicato espere uma resposta do Metrô até às 23h e, se for aceita a proposta, voltariam a trabalhar normalmente ainda hoje. Caso contrário, ainda será votada em assembleia a continuidade da greve.
*Matéria em atualização
*Com Informações da Agência Brasil, Metrô SP e CNN Brasil
