O empresário Marcelo Alves, vice-presidente de Indústria da ACE Guarulhos, proferiu a palestra “Do pão ao milhão”, na sede da entidade na noite de quinta-feira, 20/7, contando como foi sua trajetória empresarial e transmitindo um pouco de sua experiência aos empreendedores presentes.
Filho de pai e mãe portugueses, Marcelo tinha 14 anos quando o pai uniu-se a irmãos e montaram um mercadinho no Jardim Brasil, Zona Norte de São Paulo. Embora estivesse em idade de brincar na rua como outros garotos, pouca liberdade teve para isso, porque a mãe o colocava para dentro do mercado para ajudar em várias tarefas. Lembra-se, por exemplo, que as freguesas traziam litros vazios e o óleo de cozinha era colocado neles por meio de um mecanismo que ficava sobre um barril. Outros detalhes de como era diferente o comércio na época do atual foram citados pelo palestrante.
Algum tempo depois, o relacionamento entre os irmãos começou a ficar difícil, havia dívidas acumuladas e não havia chance de vender o estabelecimento. Quem resolvesse ficar, assumiria o passivo e foi essa a opção escolhida pelo pai dele. Tinha 17 anos, terminando o então curso colegial, quando assumiu junto com os pais a administração da loja.
Foi um período de muita dificuldade, havendo hora para abrir, mas não para fechar. Os produtos precisavam ser repostos em mínimas quantidades, porque a família não dispunha de capital. Seu pai sempre recomendou não ter cartão de crédito, nunca gastar além do que podia. Marcelo afirma que usavas roupas de brechó e que saborear guloseimas, como um simples iogurte, só lhe era possível quando o produto iria ser recolhido por estar na data de vencimento.
Ela observava como agia a concorrência e buscava aprender com os acertos e erros dos outros. Resolveu cursar Administração de Empresas para estar mais preparado, quando foi aberta, muito perto do mercadinho da família, uma loja da rede Dia, do grupo Carrefour.
Começou a utilizar técnicas de Marketing, sentiu as vendas aumentarem e observou que em determinados horários pessoas saíam de casa para comprar pão. O Mercado do Português ainda não vendia pão fresco. Acabou convencendo o pai a produzir pão. Mas eram reféns do padeiro. Conta que, como moravam em cima da loja, notava quando o empregado não vinha trabalhar. Aí, tinham de levantar de madrugada e ir suprir a falta. Até que teve uma grande sacada: produzir em um dia o triplo de pães do que seria vendido e congelar o restante para tê-los em condições de serem assados em algum momento de necessidade.
Citou um dia em que viveu uma situação de desespero: apegadíssimo à mãe, hipertensa, teve de socorrê-la rapidamente para o Pronto-Socorro Municipal situado na Marginal do Tietê, conhecido como “Vermelhinho”. Não imagina de onde tirou forças para dirigir tão depressa para salvá-la, mas acha importante mencionar para exemplificar que, diante de intensa dificuldade, o ser humano encontra energia para superar obstáculos e chegar ao objetivo desejado.
Interessado em difundir a ideia do pão congelado, mesmo tendo ainda meios improvisados para produzi-lo, resolveu participar de uma feira da Apas – Associação Paulista de Supermercados. O resultado foi negativo: não tirou um pedido sequer. Porém, jogou a semente em terreno fértil, pois foi uma forma de apresentar a marca MMFoods ao mercado. MM são as iniciais dele e de seu irmão, Marcos.
Tempos depois, foi consultado para fornecer à rede Nagumo. E dali em diante, foi preciso profissionalizar a produção, investir em equipamentos e focar na criatividade, incrementando continuamente a linha de produtos.
Várias outras redes vieram somar-se à clientela da MMFoods, como 240 lojas do Carrefour, Esperança, Compre Bem e outras. Recentemente, começou a fornecer à rede Assaí. Sempre buscando atender a expectativa dos clientes, acolheu a sugestão de produzir o “pão carteira”, que vem tendo boa aceitação.
Oito anos após ter iniciado a empresa, ela não para de crescer. Ele afirma ter aprendido muito e sente-se realizado por gerar empregos e contribuir para o sustento de muitas famílias, bem como com o desenvolvimento de uma solução práticas para muitos comércios, ofertando aos consumidores produtos de qualidade.
BRAÇO SOCIAL
Marcelo Alves relatou que tem consciência de que foi abençoado com as soluções que encontrou diante das dificuldades que teve de superar. E, por isso, busca amparar iniciativas sociais, como o trabalho de equoterapia que é realizado na região de Vila Maria; participa da Escola de Samba Unidos da Vila Maria. É um dos patrocinadores da exposição do artista Gilmar Pinna, de Guarulhos, que está montada na avenida Paulista, em frente ao prédio da Justiça Federal.
No dia 14/07, ele foi agraciado com o Troféu Empresário de Valor 2023, em jantar organizado pela Associação Comercial de São Paulo, que reuniu cerca de 600 pessoas no Clube Círculo Militar de São Paulo para celebrar o Dia do Comerciante. Por meio das 15 distritais da ACSP, foram homenageados empresários e comerciantes das várias regiões de São Paulo.
Orgulhoso dos bons exemplos legados por seu pai e sua mãe, contou que eles o visitam na empresa diariamente. Entre esses exemplos, citou e recomendou a todos os empreendedores: “dinheiro que entra no caixa é da empresa, não dos donos”; “empresa tem de estar rica, quem é dono, não”; “valorize sempre a equipe de colaboradores e ouça o que eles têm a dizer”.
COQUETEL
Os convidados para a palestra tiveram oportunidade de saborear alguns dos produtos da MMFoods. E receberam como brinde um pão produzido pela empresa, cuja distribuição foi sugestão de Noé, um dos fiéis colaboradores de Marcelo Alves.
