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Deficiente visual relata dificuldades para locomover-se e defende autonomia e inclusão

Arthur Vidal Miyazato é um jovem de Guarulhos com deficiência visual. Com formação como técnico em Informática para Internet, pelo Instituto Federal de São Paulo, Campus Guarulhos, ele trabalha no atendimento de redes sociais na Vivo Telefônica Brasil.

Ele procurou a Reportagem do Click Guarulhos, visando, ao relatar sua própria experiência, criar conscientização sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência visual em sua vida diária.

“Quero transmitir a mensagem de que a inclusão é fundamental, e precisamos estar cientes das barreiras que podem existir nas cidades para pessoas com deficiência visual, e na maneira com que as outras pessoas nos tratam”, conta.

Arthur se define como defensor da inclusão e da conscientização sobre as questões enfrentadas por pessoas com deficiência visual. Sua trajetória inclui superar desafios relacionados à deficiência visual e buscar maneiras de criar conscientização sobre essas questões.

“Trabalho na área de atendimento de redes sociais e estou determinado a fazer a diferença na vida das pessoas com deficiência visual. Também tenho o sonho de seguir na área do teatro e dublagem, estando no momento fazendo um curso de dublagem com a Letícia Quinto, dubladora de personagens como Saori/Atena em Cavaleiros do Zodíaco, que tem me aberto as portas para este mundo e me ajudado a me adaptar para minha futura inserção nesse mercado. Faço também aulas de teatro, descobrindo sempre maneiras de contornar os obstáculos e desfrutar das aulas plenamente”, relata.



Não à superproteção

Ultimamente ele tem saído mais de casa e tem percebido situações que o incomodam.

“Por exemplo, a forma como somos tratados dentro da própria família, que por mais que as pessoas ajam com boas intenções, infelizmente acabam nos colocando em uma bolha e em uma superproteção forte, tendo que nos sujeitar a seguir o que eles querem e não podendo fazer próprias escolhas por conta de que eles ficam muito preocupados. Não é algo generalizado, mas percebo que acontece em muitas famílias de pessoas com deficiência. Sempre que saio para São Paulo por exemplo, minha família fica muito preocupada e às vezes não posso sair, por mais que tenha planejado”, desabafa.

“O fundamental aqui é orientação e mobilidade, aprender as técnicas fundamentais para andar na rua e lidar com situações do dia a dia, assim como também se impor perante a família e estabelecer limites, mostrando que tem segurança para lidar com as situações e buscar sua própria independência”, complementa.

Nota-se que Arthur pretende ser útil à coletividade, na medida em que sua própria experiência pode servir de aprendizado para outros. Ele produziu um vídeo, no qual ele mesmo aparece caminhando nas proximidades do campus do Instituto Federal, na Vila Rio de Janeiro. Nas imagens, ele sai da escola para ir a um restaurante na mesma avenida Salgado Filho e mostra algumas das dificuldades que tem de superar. Na conversa com a Reportagem, ele concorda que esse trecho é até relativamente bom, por ser plano e ter calçadas em condições razoáveis. Há lugares bem piores para quem tem qualquer tipo de deficiência.

Clique neste link para assistir ao vídeo.

Sem exageros a favor e nem contra

Arthur cita também a forma como é comum muitas pessoas tratarem quem tem deficiência como se fosse um ser inferior.

“Percebo que algumas pessoas acabam nos tratando de forma inferior ou superior, mesmo sem intenção, o que chamamos de capacitismo. Seja falando que somos exemplo de superação por coisas simples, como cursar uma faculdade ou nos chamando de heróis por andar sozinho, ou nos tratar de coitadinho por conta da perda da visão”, lamenta.

Outro ponto de aborrecimento que ele menciona é quando está acompanhado e uma pessoa chega para falar com ele, e, em vez de se dirigir a ele para perguntar o que quer, dirige-se ao acompanhante. “Deixam-nos de lado como se não fôssemos capazes de nos comunicar”, queixa-se.

Conta que um diferencial que entende ter é a paixão por criar mudanças positivas e a disposição em agir de maneira prática para promover a conscientização e a inclusão.

“Desejo que esta matéria abordasse minha jornada pessoal, destacando os desafios enfrentados por pessoas com deficiência visual em ambientes urbanos e como estou trabalhando para criar conscientização por meio de vídeos e workshops, e a importância das pessoas serem mais mente aberta e conscientizarem aqueles ao seu redor”, conclui.

A Reportagem do Click Guarulhos irá dar continuidade ao tema, combinando com Arthur para levá-lo a outros locais da cidade, nos quais é ainda mais complicada a locomoção de quem tenha qualquer tipo de deficiência. Afinal, como bem diz Arthur, é imprescindível sensibilizar a sociedade sobre as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência visual e promover a inclusão na comunidade, sem, no entanto, tratá-las com vitimismo ou inferioridade.

Para quem quiser saber mais sobre Arthur Miyazato, seguem os links de suas redes sociais:

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