Ícone do site Click Guarulhos

Cantora Solange Almeida fala sobre problema de saúde causado por uso de vape

Cantora Solange Almeida - Foto: Reprodução

Em entrevista exclusiva ao Domingo Espetacular no domingo (15/10), a cantora Solange Almeida desabafou sobre uso de cigarros eletrônicos e os prejuízos que o vício causou à sua saúde. A cantora afirmou que fez uso dos famosos vapes por cerca de nove meses.

“Escutava que era à base de água, que não tinha nicotina e não fazia mal. Com o tempo, comecei a sentir dificuldade para respirar, minha voz não era a mesma”, afirmou.

Na entrevista, a ex-vocalista do Aviões do Forró apareceu acompanhada de um profissional e com um aparelho na garganta para cuidar das cordas vocais, e revelou também estar se submetendo a um tratamento especial antes dos shows. “Fiz um exame aprofundado. Descobri que estava com uma lesão nas cordas vocais e no pulmão”, disse.

Maioria dos consumidores tem entre 15 e 24 anos

Referência mundial no controle do tabagismo, o Brasil precisa enfrentar uma nova ameaça para manter os índices decrescentes no número de fumantes: os cigarros eletrônicos. Esse foi o alerta dos participantes de audiência pública sobre o Programa Nacional de Controle do Tabagismo realizada recentemente na Câmara dos Deputados, pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa.

Segundo informou a presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Margareth Dalcolmo, estima-se que o País já conte com dois milhões usuários de cigarros eletrônicos. A maioria dos consumidores tem entre 15 e 24 anos.

Como explica o deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO), autor do requerimento para realização da audiência pública, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC é responsável por metade das mortes decorrentes de tabaco. O parlamentar também ressalta os custos para o sistema de saúde com o tratamento da doença.

“Terceira causa de óbitos no mundo, no Brasil essa doença atinge cerca de 17% da população. Para o Sistema Único de Saúde (SUS), os impactos da DPOC são alarmantes, sendo a quinta maior causa de internação entre pacientes com mais de 40 anos, cerca de 200 mil hospitalizações, com gasto anual de R$ 103 milhões”, listou Calil.

DPOC

Embora a venda dos cigarros eletrônicos seja proibida no País, Margareth Dalcolmo ressaltou a facilidade para comprar o produto em qualquer lugar. Com isso, afirmou, chegam cada vez mais adolescentes, mesmo muito jovens, de 12 ou 13 anos, com danos nos pulmões similares aos observados em um idoso de 80 anos fumante de longa data.

“O que estamos fazendo com a permissividade da venda dos cigarros eletrônicos é criar de maneira perversa as novas legiões de dependentes de nicotina, que vão apresentar DPOC [doença pulmonar obstrutiva crônica] em idade muito mais tenra do que aquela que estamos habituados a tratar”, disse a pneumologista.

O uso cada vez mais frequente do cigarro eletrônico, principalmente entre os jovens – que curiosamente não se intitulam fumantes –, é motivo de preocupação tanto para os pais quanto para os órgãos de saúde. Afinal, esses dispositivos (também chamados de “vapes”) levam nicotina e substâncias tóxicas aos pulmões, além de promover danos e complicações ao sistema respiratório e cardiovascular.

Outro fator muito sério quanto ao risco do uso do cigarro eletrônico é que esse se tornou um dispositivo de fácil acesso aos adolescentes, que ainda estão com o sistema nervoso em desenvolvimento. Assim, a nicotina e as substâncias ali presentes têm potencial de desencadear anormalidades no desenvolvimento cerebral.

O cigarro eletrônico não é eficiente para quem deseja parar de fumar

Um dos argumentos comerciais para impulsionar as vendas do cigarro eletrônico é que seria um recurso para aqueles que desejam parar de fumar, mas que têm dificuldades de interromper o vício abruptamente. Porém, não é o que se tem notado na prática, pois alguns dos aditivos aromatizantes contém pirazina, uma substância que reduz os efeitos irritativos desagradáveis da tragada, dificultando ainda mais a cessação do tabagismo.

Além disso, os vapes são considerados uma “porta de entrada” para o vício do tabagismo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o uso desse dispositivo aumenta em três a quatro vezes a probabilidade de experimentar e usar o cigarro convencional. Ou seja, a realidade é justamente o oposto do que foi proposto.

Combate

Os especialistas destacaram que o cigarro é responsável por 13% do total de mortes no País. Em contrapartida, a arrecadação de impostos com produtos de tabaco cobre apenas 10% dos custos dos problemas causados por eles.

Mesmo que os números ainda assustem, o Brasil conseguiu reduzir de 35% para menos de 10% a prevalência de fumantes no total da população com políticas públicas em vigor desde a década de 1980. O País foi pioneiro em quase todas as ações antitabaco, como advertências nos maços de cigarro e proibição de fumar em locais fechados.

Riscos do uso de cigarro eletrônico


O sabor adocicado do cigarro eletrônico engana muitas pessoas, que chegam a pensar que se trata de um hábito menos danoso do que o cigarro convencional. Mas, isso não é verdade! Aqueles que usam vapes estão mais predispostos a desenvolver diversos tipos de câncer (principalmente de pulmão, esôfago, estômago e bexiga), doenças pulmonares como o enfisema e doenças cardiovasculares.

Além disso, por suas partículas serem mais finas do que os cigarros manufaturados, elas podem alcançar estruturas mais profundas dos pulmões, como os alvéolos, e cair na circulação sistêmica, aumentando assim o risco de doenças cardiovasculares e óbito.

Já o uso do cigarro eletrônico por muitos anos predispõe o paciente a desenvolver enfisema pulmonar, uma doença degenerativa crônica que causa dificuldade respiratória e uma sensação de falta de ar que vai se tornando constante conforme a doença progride.

Sintomas e tratamentos

Devido a tantas consequências negativas que o cigarro eletrônico pode causar ao usuário, em 2019 foi dado um nome para a doença causada por esse hábito: Evali (Doença Pulmonar Associada ao Uso de Produtos de Cigarro eletrônico ou Vaping). Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumonia e Tisiologia (SBPT), a Evali pode causar fibrose pulmonar, pneumonia e insuficiência respiratória.

Nos EUA, de 2019 a 2020, houve registro de 2.741 pacientes hospitalizados por Evali, com 68 mortes confirmadas. O tempo médio de uso do vape nesses pacientes foi de 12 meses e a faixa etária média era de 24 anos.

Portanto, é fundamental ficar atento aos sintomas respiratórios que o cigarro eletrônico pode causar e que podem indicar doenças graves, como Evali e o enfisema pulmonar, tais como:

Falta de ar ou sensação de não estar inalando ar suficiente;
Tosse;
Produção de muco;
Respiração ofegante.
O tratamento mais importante para o enfisema, para o Evali e outras condições associadas ao cigarro eletrônico é parar de fumar, independente do grau de avanço da doença. Na sequência, o pneumologista definirá o melhor tipo de tratamento para cada caso, que pode incluir o uso de broncodilatadores inalatórios (bombinhas), corticoides, terapia com oxigênio, cirurgia de redução dos pulmões ou até mesmo transplante pulmonar.

Fonte: Agência Câmara de Notícias. Metrópoles e https://www.pneumocenter.com.br/

Sair da versão mobile