Já negamos Jesus hoje?
Hoje é quinta-feira, chamada de Santa na Idade Média e é o dia em que, segundo a tradição cristã, Jesus foi traído com um beijo de Judas Iscariotes e também foi negado três vezes por Pedro. A sanha dos membros do Sinédrio o levou a Pilatos, que que lavou suas mãos e deixou que Ele fosse condenado.
Um dos ensinamentos mais profundos do Homem de Nazaré se encontra em Matheus (25: 31,46). É quando Jesus relata “porque eu estava nu e me vestiram, estava faminto e me deram de comer, com sede e me deram de beber, estava preso e me visitaram”. E então os discípulos lhe perguntaram quando foi que fizeram tais coisas e Ele respondeu: “Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’
Mesmo os não cristãos reconhecem a essência, a grandeza e a força dos ensinamentos de Jesus.
Sua orientação é a de que devemos seguir sempre pelo caminho do amor, da caridade, da empatia.
Cada vez que passamos pelos Invisíveis do mundo e não os vemos, é a Jesus que ignoramos. Cada vez que negamos um pão a um faminto, é Jesus que estamos deixando com fome. Toda vez que não fornecemos água, cobertor ou deixamos de fazer algo pelos Invisíveis, é a Jesus que deixamos de fazer.
Porque ele se colocou no lugar de cada um dos sofredores do mundo, sem julgá-los, sem perguntar por que ali estão.
Cada pessoa que está nas ruas está por um motivo diferente; todos têm suas próprias razões e elas são muitas. Desde o vício a uma vida sem apoio, passando por problemas psíquicos até a desesperança, por culpa ou desânimo; enfim, são infindas as razões que levaram uma pessoa a estar na condição de vulnerabilidade e invisibilidade. Não nos cabe o julgamento, cada qual já tem em si o tribunal da própria consciência, não precisam de mais juízes, algozes e carrascos a condená-los.
Precisam ser entendidos, visitados, vestidos, alimentados e amados, como pessoas que são.
Ao não assisti-los, seja com o pão que alimenta o corpo, seja com a atenção que os fazem sentir-se vivos, seja com uma palavra de respeito e carinho que os aquece a dignidade ou ainda uma prece, um pensamento positivo que lhes renove as esperanças e conforta a alma, cada vez que os ignoramos os tornamos Invisíveis para o mundo, estamos negando-lhes o direito de existir, estamos negando ao próprio Jesus.
E quantas vezes O temos negado durante a vida diariamente? Quantas vezes nosso orgulho, vaidade, arrogância e avareza O condena todos os dias? Por quantas vezes deixamos de praticar os ensinamentos Daquele Ser de quem nos dizemos discípulos?
Precisamos fazer uma reflexão muito profunda sobre nossos atos. Quantos continuam sendo negados a todo momento?
É tempo de ressignificar o simbolismo da morte de Jesus, revivendo seu sofrimento na Via Crucis diária dos menos favorecidos. É tempo de assistir os menos afortunados que carregam a Cruz de suas mazelas e enxergar neles o próprio Jesus.
É tempo de amor e empatia. É tempo de aceitar Jesus, não só em palavras, mas também em nossas ações.
É tempo de deixarmos de negar o Mestre e viver suas lições.
Alek Honse é jornalista, filósofo e escritor; autor de “Alek no país dos invisíveis” entre outros. Viveu até recentemente, na própria pele, a saga de morar nas ruas da região central da cidade de São Paulo e conta nesta série de artigos um pouco dessa realidade. Desta quarta-feira, 27, até o domingo de Páscoa serão postados os últimos artigos da série.
Ele criou o Projeto Invisíveis (apoia-se/projetoinvisiveis), com o qual procura ajudar outras pessoas em situação de rua a conseguir um lugar para morar. Quem puder contribuir pode enviar qualquer quantia por pix para a chave 11981518718 (a conta é de Alexandre Rodrigues).
