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Taxistas e clandestinos saem no tapa no Terminal 3 do Aeroporto

Na terça-feira, dia 18, motoristas que atuam clandestinamente no Aeroporto de Guarulhos entraram em luta corporal com taxistas e orientadores da Guarucoop, cooperativa que atua há 39 anos no Aeroporto.

Pelo que o Click Guarulhos apurou, os atravessadores, como são chamados os clandestinos, abordam passageiros que estão desembarcando, oferecendo seus serviços de transporte. Taxistas da Guarucoop reclamaram, tendo início a discussões, que resvalaram para o conflito, que não chegou a ter consequências mais graves, graças à interferência de pessoas que buscaram apaziguar os ânimos, como se vê nos vídeos aqui reproduzidos, fornecidos por internautas que seguem o portal. Quando as Polícias Civil e Militar, bem como a GCM (Guarda Civil Municipal), chegaram, a situação já estava contornada.

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ARTIMANHAS E GOLPES

Após averiguar que os chamados atravessadores não são credenciados junto aos aplicativos de transporte, a Reportagem procurou ouvir o que teria a dizer a direção da Guarucoop. Por telefone, o novo presidente da Cooperativa, Gilberto Miskolci, informou que a situação vem se agravando, o que irá exigir presença mais permanente e efetiva das autoridades policiais, para coibir abusos e evitar que problemas maiores venham a acontecer.

Ele explicou que as equipes da Guarucoop não têm tido nenhum problema com os motoristas de aplicativos, que têm espaço próprio para estacionar e são chamados pelos clientes interessados nos serviços de transportes que eles prestam.

Ao contrário, porém, muitos clandestinos têm praticado delitos vitimando passageiros, notadamente os estrangeiros. Eles abordam os incautos, oferecendo transporte por preço irrisório, muitas vezes, porém, com alguma artimanha que acaba por causar prejuízo a quem aceita. Uma técnica usada é a de não explicitar a qual moeda estão se referindo. Assim, trata-se verbalmente que a corrida custará, por exemplo, 60. Quando chega ao local, o motorista afirma ao passageiro que são 60 euros, ou 60 dólares, e não 60 reais. Diante do questionamento do cliente, o golpista age com truculência e afirma que então ficará com a bagagem. No impasse, o passageiro acaba aceitando pagar o valor exigido.
Gilberto ressalva que é lógico que não se pode generalizar, mas entende ser importante fazer o alerta e pedir que a atividade seja melhor fiscalizada, diante do grande número de ocorrências que têm sido registradas. “São certamente mais de 200. Isso sem contar os muitos casos em que as vítimas não registram o B.O., como temos testemunhado”, acrescenta.

Outra modalidade de golpe é omitir que o valor informado é por passageiro e não pela corrida. Desse modo, se é uma família de 4 pessoas e o preço citado é R$ 100, parece algo razoável. Ao chegar ao destino, no entanto, o motorista afirma que seriam R$ 100 por pessoa. “Tem sido comum recebermos relatos de corridas que custaram R$ 400 ou R$ 500, em trajetos que pela Guarucoop custariam menos da metade”, afirma o presidente da Cooperativa. Há, ainda, os que utilizam aparelhagem semelhantes às do Uber e 99, mas cujos valores apresentados lesam os passageiros. Já houve casos em que, diante da recusa do passageiro em pagar o valor pretendido, o motorista clandestino deixou a pessoa em plena Cracolândia, região central de São Paulo, em vez de levá-la ao local contratado.

Atravessadores também atuam vendendo chips para turistas estrangeiros, por preços muito acima do mercado local. Como se trata de delito de potencial pouco ofensivo, essa atividade acaba sendo tolerada.

“Infelizmente, muitas pessoas ao redor do mundo têm imagem ruim do povo brasileiro, no quesito honestidade. Com fatos como os que vêm ocorrendo, ao invés de conseguirmos mudar essa imagem, acaba-se reforçando esse mau estigma. É preciso coibir os abusos para que possamos recebem bem os turistas estrangeiros e mesmo os brasileiros que passam por Guarulhos a negócios ou a passeio. A Guarda Civil Municipal e as equipes do Trânsito da Prefeitura têm atuado para apreender veículos que atuam irregularmente no Aeroporto. Mas não têm efetivo suficiente para uma fiscalização mais forte. Por isso, é imprescindível que a Polícia Militar também atue mais ostensivamente e que a Polícia Civil apure as responsabilidades, detendo quem age de forma fraudulenta”, desabafa Gilberto Miskolci.

OUTRO LADO

Como os chamados clandestinos não têm uma representação formal, não foi possível à Reportagem o que têm a dizer em sua defesa. Fica garantido o espaço para quem quiser manifestar-se a respeito, principalmente utilizando os comentários das redes sociais.

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