Pesquisa da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), divulgada em 11 de julho de 2024, apontou a presença de álcool em pães de forma de diversas marcas populares, inclusive duas da indústria guarulhense Pandurata: Visconti e Bauducco.
Considerando os critérios adotados para aferir a dosagem alcóolica de motoristas no teste do bafômetro, os índices de teor alcoólico encontrados nos pães analisados poderiam até fazer com que a pessoa que consumiu duas fatias do pão acabasse reprovada. Pode não ser bem assim porque ao assar o pão, parte do álcool seria evaporado. A legislação de trânsito determina que um teste de bafômetro não pode passar de 0,04 mg/l. De 0,05 mg/l a 0,33mg/l é considerada infração gravíssima.
Na pesquisa, a associação analisou o risco de um motorista ultrapassar o limite no teste depois de comer duas fatias de pão. E, ainda que não haja esse risco ao passar pelo bafômetro, o consumo excessivo pode resultar em outros problemas de saúde, principalmente em mulheres grávidas e bebês. Segundo Henrique Lian, diretor-executivo da Associação Proteste, o mais preocupante em relação a esse cenário é a falta de informação para os consumidores. Para a associação, os produtos deveriam conter em suas embalagens avisos de que possuem álcool em sua composição, o que ainda não acontece.
Por que o pão contém álcool?
Mas, afinal, por que as indústrias do ramo colocam álcool no pão de forma? Simplesmente porque um dos fatores que provocam que o pão fique impróprio para consumo é o mofo verde que pode aparecer nas fatias. Quando surge o menor sinal de mofo, todo o pão precisa ser descartado, porque o mofo atinge mesmo as partes que não sofreram mudança na tonalidade. Por essa razão, os fabricantes borrifam substância contendo álcool, como uma forma de evitar o mofo e aumentar o tempo de conservação. Na fase de fermentação, os açúcares que se encontram na massa são transformados em álcool etílico. Uma conclusão a que se poderia chegar é a de que a proporção maior de teor alcoólico é que permitiria que os pães fabricados pela Pandurata (Visconti e Bauducco) tenham maior prazo de validade do que a maioria dos concorrentes, mas isso dependeria de um estudo mais apurado. É importante, portanto, ler ao final as manifestações dos fabricantes. A marca Bauducco é um orgulho para Guarulhos, pois foi na cidade que a empresa mais se desenvolveu e é sem dúvida a marca guarulhense mais presente em todo o mundo. A Pandurata também tem fábrica em Extrema (MG).
Confira o percentual de álcool encontrado na pesquisa
- Visconti: 3,37%
- Bauducco: 1,17%
- Wickbold 5 zeros: 0,89%
- Wickbold Sem Glúten: 0,66%
- Wickbold Leve: 0,52%
- Panco: 0,51%
- Seven Boys: 0,50%
- Wickbold: 0,35%
- Plusvita: 0,16%
- Pullman: 0,05%
O que dizem os fabricantes (*)
Bauducco e Visconti
A Pandurata Alimentos, responsável pela fabricação dos produtos Bauducco e Visconti, esclarece que adota rigorosos padrões de segurança alimentar em todo seu processo produtivo e na cadeia de fornecimento. A empresa possui a certificação BRCGS (British Retail Consortium Global Standard), reconhecida como referência global em boas práticas na indústria alimentícia, e segue toda a legislação e regulamentações vigentes.
Panco
A Panco é uma empresa com mais de 70 anos de presença no mercado brasileiro e que sempre teve sua atuação pautada pela conduta ética e compromisso com a qualidade de seus produtos, bem como com a saúde e segurança de todos os seus públicos.
Wilckbold
O Grupo Wickbold, que detém a marca de mesmo nome e a Seven Boys, reforça que todas as receitas de produtos, assim como todas as áreas da empresa, seguem protocolos de segurança e qualidade, com o mais alto teor de controle, bem como cumpre toda a legislação vigente, dentro dos parâmetros impostos pelas normas estabelecidas. A fabricante alega que não foi notificada sobre o referido estudo e a metodologia utilizada, portanto, “não é possível qualquer manifestação sobre ele”.
“Contudo, após ter acesso ao mesmo e a metodologia empregada, poderá prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários, confirmando o legado de ética, transparência e respeito às pessoas que mantém há 86 anos”, completa.
(*) Respostas enviadas pelos fabricantes ao portal G1 e ao Globo Rural
