Reafirmando seu compromisso com a igualdade, inclusão e direitos humanos, os Correios celebraram ontem (15) a adesão à campanha “Feminicídio Zero – nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada”, liderada pelo Ministério das Mulheres. O evento aconteceu no auditório do edifício-sede, em Brasília/DF, com palestra da atriz, poetisa, escritora e cantora Elisa Lucinda.
O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, escreveu uma mensagem que foi lida por Marques Ferreira: “Nós, enquanto empresa pública cujo objetivo principal é servir à sociedade brasileira, não podemos aceitar nenhum, absolutamente nenhum tipo de violência contra a mulher, seja ela física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial. Queremos ser exemplo de uma estatal comprometida com as atuais diretrizes de direitos humanos ratificadas pelo Brasil perante as cortes internacionais”, diz em um trecho.
Denise Motta Dau, secretária nacional de Enfrentamento à Violência Contra Mulheres, destacou que a campanha busca reunir diversos setores da sociedade, poder público, sociedade civil e até clubes de futebol. “Em dias de jogo, o número de boletins de ocorrência de ameaça contra mulheres aumenta 23,7%. O número de registros de boletins de lesão corporal cresce 20,8%. Em dias de jogo, na cidade daquele time, o aumento de registros de lesão corporal é de 25,9%”, avaliou ela.
“A Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, que está liderando essa iniciativa ‘Feminicídio Zero’, com um forte apoio do presidente Lula nos estimulando, tem procurado presidentes de clubes de futebol. Vários clubes já aderiram”, disse ela. A articulação também passa pelos setores de educação, justiça e segurança pública, visando uma mudança de cultura.
Para a coordenadora do grupo de trabalho de Igualdade de Gênero e Raça, Respeito à Diversidade e Enfrentamento aos Assédios, Vilma Maria dos Santos Reis, a adesão à campanha ratifica os Correios como “uma empresa que está se colocando para alcançar a paridade de gênero, e que, pela capilaridade que tem, vai fazer com que mulheres que, às vezes estão sofrendo a violência, não se sintam sozinhas e saibam como buscar ajuda.”
A campanha – Lançada no último dia 7 de agosto pelo Ministério das Mulheres, a campanha “Feminicídio Zero – nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada” teve adesão de entidades do setor público e privado por meio da assinatura de uma carta-compromisso (a dos Correios foi enviada em 5 de agosto). A ação visa pôr fim à violência contra as mulheres, em especial aos feminicídios, a partir de diversas frentes de atuação: comunicação ampla e popular, implementação de políticas públicas, engajamento de atores diversos.
Mais informações sobre as ações de combate à violência contra as mulheres e sobre a campanha Feminicídio Zero estão disponíveis na página do Ministério das Mulheres.
Palestra – Elisa Lucinda subiu ao palco cantando “Sonho impossível”.
Por que falar sobre violência de gênero? – A cada seis horas, uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil. São, em média, quatro mulheres mortas por dia como resultado da violência de gênero, a maioria delas (63%) é negra. A cada seis minutos, uma menina ou mulher sofre violência sexual no país. São 240 mulheres e meninas violentadas por dia. Além disso, três em cada 10 mulheres já sofreram violência doméstica. E a situação está piorando.
Em 2023, 1.467 mulheres morreram vítimas de feminicídio. Foi o maior registro desde a sanção da lei que tipifica o crime, em 2015. As agressões decorrentes de violência doméstica subiram 9,8%, alcançando 258.941 casos.
Também cresceram as tentativas de feminicídio (7,2%, chegando a 2.797 vítimas) e as tentativas de homicídio contra mulheres (8.372 casos no total, alta de 9,2%), além de registros de ameaças (16,5%), perseguição/stalking (34,5%), violência psicológica (33,8%) e estupro (6,5%). Os dados são do Ministério das Mulheres e do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.É perigoso ser mulher aqui.
Para reverter o cenário, é preciso que a sociedade consiga desnaturalizar a violência contra a mulher, ou seja, que o maior número de pessoas possível saiba reconhecer atitudes violentas, e, assim, perceber que se trata de crime. Ainda é preciso que a sociedade saiba como enfrentar e interromper a violência.
Correios pela diversidade – Entre os compromissos assumidos pelos Correios, estão a realização de eventos de conscientização como este; a divulgação da campanha interna e externamente; bem como o combate à violência de gênero no ambiente de trabalho.
