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Reinfecção por Covid-19: por que é preciso ter cuidado?

Covid Imagem de visuals3D por Pixabay

Divulgado na última semana, o último Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra um aumento número de novos casos da Covid-19 no Brasil. 

No ano epidemiológico 2024, já foram notificados 115.152 casos de SRAG, sendo 55.912 (48,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório 45.477 (39,5%) negativos, e ao menos 7.499 (6,5%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, 43,1% são VSR;19,1% são influenza A; 7,7% são Sars-CoV-2 (Covid-19); e 5% são influenza B.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o vírus SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, continua em circulação em todos os países do mundo e tem aumentado consideravelmente sua transmissão global, ao mesmo tempo em que a vacinação tem diminuído.

Isso pode acabar gerando um problema de saúde que muitos consideram erroneamente como uma “gripe”: a reinfecção por Covid-19. Segundo o professor associado de Infectologia na EPM-Unifesp e diretor científico da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), Eduardo Medeiros, mesmo episódios leves podem gerar graves consequências a longo prazo.

“Com a queda da imunidade e as novas infecções de Covid-19, o organismo passa a ter um risco adicional de sofrer complicações. Isso se justifica porque a Covid-19 é diferente de um quadro respiratório agudo como outras gripes e resfriados”, alerta. 

Embora a doença tenha sintomas muito semelhantes a uma “gripe”, o especialista explica que ela é uma doença sistêmica, que afeta diversos órgãos, podendo levar a complicações mais tardias como a chamada “Covid Longa”. 

Como o organismo reage à uma reinfecção?

Medeiros ressalta que, segundo estudos científicos, o SARS-CoV-2 pode se permanecer no sistema nervoso central, no pulmão, no coração, no parênquima renal, ou mesmo no pâncreas por um tempo muito prolongado, e isso pode gerar uma reação inflamatória crônica. 

“O que é mais estudado são as complicações neurológicas e a fadiga crônica. Então, muitas vezes o indivíduo tem um quadro chamado Covid-Longa, que provoca cansaço, perda da vontade de realizar tarefas diárias e complicações cognitivas que incluem diminuição da capacidade de aprender e memorizar informações, organizar e resolver problemas, focar a atenção e perceber com precisão o ambiente e depressão. As reinfecções podem agravar esta situação. Essas alterações cognitivas podem persistir por meses após a infecção pelo SARS-CoV-2, salienta.

Com isso, um dos sintomas mais recorrentes nesses casos é o esquecimento. Por exemplo, uma pessoa que trabalha em alguma atividade que requer contas ou que precisa memorizar uma informação anterior, pode esquecer suas funções. 

O diretor científico da Sociedade Paulista de Infectologia reforça que o paciente pode até mesmo se esquecer de informações importantes que antigamente conseguia resolver com muita facilidade. 

“Isso vai desde memória para cálculos até situações mais graves mesmo, como questões pessoais. E, infelizmente, pode demorar de semanas a meses para voltar à normalidade. Além disso, em casos de Covid-19 mais grave, que muitas vezes requer internação, essa situação pode ser até pior”, completa. 

Por esse motivo, a melhor forma de se prevenir é seguir com os cuidados diários, como higienizar as mãos frequentemente, usar máscara se tiver qualquer sintoma respiratório como tosse, coriza e seguir com o esquema vacinal atualizado para reforçar o sistema imunológico.

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