O cantor sertanejo Zé Neto, da dupla com Cristiano, relatou que passou por períodos difíceis por causa de problemas de saúde mental, como depressão e síndrome do pânico, e teve problemas nos pulmões por causa do uso de cigarro eletrônico, conhecido como vape.
“Só me arrependo até hoje de ter fumado. O cigarro foi uma das piores coisas que aconteceram comigo. Eu acho que o cigarro foi o grande culpado para a minha depressão ter piorado, porque ele atacou na coisa que mais amo fazer, porque eu não conseguia cantar, não conseguia respirar, então fiquei com medo de me apresentar”, disse o sertanejo em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, neste domingo, 1º, ao anunciar o retorno aos palcos.
Quais os malefícios do vape?
Da mesma forma que o cigarro convencional, o cigarro eletrônico faz mal principalmente devido à liberação de nicotina, que geralmente é maior no vape do que no cigarro convencional.
A nicotina é uma substância com alto poder de vicio, devido à dependência que provoca a nível cerebral. Por isso, pessoas que usam dispositivos que liberem nicotina, como o cigarro eletrônico ou o convencional, têm maior dificuldade em deixar de fumar.
Além disso, a nicotina é liberada na fumaça que é lançada no ar, tanto pelo aparelho, como pela expiração do utilizador. Isso faz com que as pessoas ao redor também inalem a substância do vape.
Em mulheres grávidas, a exposição à nicotina aumenta o risco de malformações neurológicas no feto, baixo peso e/ou alergias no bebê.
Homens que usam vape têm duas vezes mais riscos de terem disfunção erétil. A conclusão é de um estudo publicado em dezembro de 2021 pela revista médica American Journal of Preventive Medicine.
Cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil
Contudo, o PL (Projeto de Lei) 5008/2023 prevê regulamentar os produtos, definindo exigências para a indústria. O texto indica multa e detenção para quem vender os DEFs para menores de 18 anos. Além disso, a indústria seria obrigada a ter registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), cadastro na Receita Federal e no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial)
Quais substâncias tem no óleo do cigarro eletrônico?
Além da nicotina, o óleo do cigarro eletrônico tem outras substâncias, incluindo:
- Propilenoglicol: é um líquido transparente, usado como base para o óleo para formar o vapor, e quando aquecido pode se transformar em óxido de etileno que é uma substância cancerígena;
- Glicerina vegetal: é usada para produzir a nuvem de vapor ao fumar o cigarro eletrônico, e pode causar inflamação nos pulmões;
- Dietilenoglicol: também usado como base no líquido dos cigarros eletrônicos, podendo causar intoxicação e doenças pulmonares;
- Acetaldeído e formaldeído: são substâncias liberadas quando o propilenoglicol é aquecido e são comprovadamente cancerígenas;
- Acroleína: é uma substância herbicida, usada para matar ervas daninhas, e que pode causar danos irreversíveis nos pulmões;
- Benzeno: é uma substância qe pode causar câncer, como a leucemia, quando utilizado a longo prazo.
- Diacetil: é uma substância usada para dar sabor, e pode causar inflamação e cicatrizes nos brônquios e desenvolvimento de bronquiolite obliterante;
- Metais pesados como níquel, chumbo, estanho e cádmio: são capazes de causar danos nos pulmões e problemas respiratórios, como enfisema pulmonar ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Esses metais pesados podem também afetar o cérebro, rins ou outros órgãos.
- De acordo com um documento oficial lançado pelo CDC, o aquecimento do propilenoglicol a mais de 150ºC, libera 10 vezes mais formaldeído que o cigarro convencional, uma substância com ação cancerígena. Conheça outras doenças provocadas pelo cigarro.
Além disso, existem substâncias químicas usadas para criar o sabor dos cigarros eletrônicos, que também não têm comprovação de segurança a longo prazo.
Riscos de fumar cigarro eletrônico
O aumento do consumo de cigarros e dispositivos vape vem levando a intensos debates entre a comunidade médica e científica quanto aos riscos de retrocesso nos índices de incidência de diversas doenças relacionadas ao hábito de fumar, incluindo vários tipos de câncer, como é o caso do de pulmão, fígado, estômago, pâncreas, rins, ureter, cólon e reto, bexiga, ovários, colo do útero, cavidade nasal e seios paranasais, cavidade oral, faringe, laringe, esôfago e leucemia mieloide aguda, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
O uso do cigarro eletrônico pode causar danos e problemas pulmonares, como inflamação nos pulmões, broncopneumonia, enfisema pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou bronquiolite obliterante, por exemplo, sendo alguns danos irreversíveis. Entenda o que é a bronquiolite obliterante.
Além disso, fumar o vape também pode causar uma doença chamada EVALI, além de que seu uso a longo prazo pode aumentar o risco de desenvolver câncer de pulmão.
EVALI: a doença do cigarro eletrônico
A EVALI (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury) é uma sigla em inglês para doença pulmonar causada pelo uso do cigarro eletrônico ou vape.
Essa doença tem sido relacionada à presença de acetato de vitamina E, um tipo de óleo usado no líquido do cigarro eletrônico, especialmente nos que contém THC, que é uma substância psicoativa da maconha, e que interfere no funcionamento normal dos pulmões.
Os sintomas que a EVALI pode causar são:
- Falta de ar;
- Febre;
- Tosse;
- Náusea e vômito;
- Dor no estômago;
- Diarreia;
- Tontura;
- Palpitação;
- Dor no peito;
- Cansaço excessivo.
- Esses sintomas podem surgir em alguns dias ou ao longo de várias semanas, sendo importante procurar ajuda médica na presença dos sintomas, para que seja feito o diagnóstico e iniciar tratamento mais adequado, que muitas vezes é feito com internamento e utilização oxigênio e uso medicamentos como corticoides, antibióticos ou antivirais, por exemplo.
Usuários de vape têm até 6 vezes mais nicotina no organismo que fumantes de cigarro comum.
*Com Informações do UOL e portal Tua Saúde
