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Funeral do papa Francisco será no sábado e terá cerimônia mais simples

A morte do papa Francisco, ocorrido na madrugada da segunda-feira, 21/4, aos 88 anos, teve como causas um AVC e insuficiência cardíaca, segundo o Vaticano. Ele vinha se recuperando dos efeitos de uma pneumonia bilateral, pela qual ficou internado no começo do ano e teve a última aparição em público no Domingo de Páscoa.

Líderes religiosos e políticos das mais diversas linhas de pensamento manifestaram-se lamentando sua perda. Jorge Mario Bergoglio, seu nome de batismo, foi o primeiro líder jesuíta e latino-americano da história da Igreja Católica, e dedicou seu período no Vaticano aos mais pobres, tomando a iniciativa de intervir em conflitos.

Mesmo antes de ser papa, sua posições na Argentina foram nítidas sobre as causas da injustiça social e as formas de se combatê-la.

Francisco pediu um funeral mais simples

Quando um papa falece, o Vaticano declara o período imediato como “Sé vacante”, dando início a uma série de rituais. Devido a mudanças que Francisco providenciou em seu papado, a cerimônia será mais simples do que as de seus antecessores. As reformas elaboradas em 2022 após o funeral de Bento 16, e oficializadas no livro chamado “Ordo Exsequiarum Romani Pontificis” em 2024, visam a aproximar a Igreja Católica da fé em Cristo ressuscitado, buscando demonstrar que o funeral do papa é o de um pastor e discípulo de Cristo, e não de uma pessoa poderosa.

Enquanto os cardeais do mundo todo preparam-se para o Conclave que deverá escolher o novo Pontífice, a administração da Igreja Católica e do Vaticano é de responsabilidade do chamado camerlengo, palavra que vem do latim medieval “camarlingus”. Significa “funcionário da câmara do soberano”. O cargo é atualmente ocupado pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, nomeado pelo papa Francisco em 2019. Irlandês, com 77 anos, Farrell já havia substituído Francisco quando ele foi internado para tratar de sua pneumonia em fevereiro e março. É licenciado em filosofia e teologia na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, em Roma, e mestre em administração de empresas na Universidade de Notre Dame, nos EUA.

São importantes as funções do camerlengo, pois, além de administrar o Vaticano, cabe a ele organizar o funeral do pontífice e conduzir o conclave para a escolha do sucessor. O termo vem do latim “cum clavis” e quer dizer “fechado a chave”.

Os rituais do funeral começam desde a declaração da morte do pontífice, pelo camerlengo. Pelo cerimonial, Farrell chama o papa três vezes pelo nome de batismo; sem resposta, oficializa a morte e a informa ao público. Devido às alterações efetuadas, a verificação da morte pelo camerlengo não ocorre mais no quarto do papa, e sim em uma capela privada; o corpo do pontífice foi colocado em um único caixão, de madeira e zinco e ficará exposto somente no caixão, na capela da residência Santa Marta, onde o papa morava, e não mais em um pedestal elevado.

A visitação pelos fiéis será partir de quarta-feira, 23, quando o corpo de Francisco ficará exposto por três dias na Basílica de São Pedro. O funeral está marcado para sábado, 26, às 5 horas, horário de Brasília.

Conforme pedido em testamento deixado por Francisco, seu corpo não será enterrado na Basilica de São Pedro, mas na Igreja de Santa Maria Maggiore (foto), em Roma, que ele tinha hábito de frequentar desde que se tornou papa. Há mais de um século um papa não era enterrado fora do Vaticano.

Como será escolhido o sucessor?

As regras da Igreja Católica determinam que a votação para escolha do novo pontífice deve começar em até 20 dias após a morte do papa.

A votação acontece na Capela Sistina, no Vaticano. Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos dos integrantes do Colégio dos Cardeais aptos a participar da eleição. O grupo tem hoje 252 integrantes, de todos os continentes, mas apenas 138, que têm menos de 80 anos, participam efetivamente do processo.

O conclave pode durar vários dias, período no qual os cardeais ficam sem comunicação com o mundo exterior e assumem o compromisso juramentado de manter total sigilo sobre tudo que for tratado. Podem ocorrer várias eleições, até o limite de 34, para que um nome seja aclamado com os dois terços de votos necessários.

Ao ser escolhido, o cardeal será consultado se aceita a incumbência. Ao aceitar, escolhe o nome com o qual será chamado e a chaminé da Capela Sistina solta uma fumaça branca. Os participantes proclamam “Habemus papam”, frase que quer dizer “Temos um papa”.

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