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Relatório da Fenaj registra 144 ataques a jornalistas no Brasil em 2024

O portal Jornalistas & Cia., dirigido pelo jornalista Eduardo Ribeiro, publicou resultado do relatório sobre a violência contra profissionais de imprensa no Brasil em 2024, elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e lançado na terça-feira (20/5).

O documento registrou o total de 144 casos de ataques a jornalistas no ano passado, o que representa a média de uma agressão a cada dois dias e meio. Segundo a Fenaj, apesar do número total de ataques ter diminuído em relação a anos anteriores, o cenário permanece grave e preocupante. Para efeito de comparação, em 2023, foram registrados 181 ataques a jornalistas. Em 2024, os 144 casos representam uma queda de 20,44% em relação ao ano anterior.

“Mesmo assim, a redução nos números não pode ser usada para minimizar a gravidade da situação”, explicou Samira Castro, presidenta da Fenaj, em nota publicada sobre o lançamento do relatório. “A liberdade de imprensa está sob ataque constante, e proteger o jornalismo é proteger a democracia”, concluiu.

O relatório detalha os ataques por tipo de violação, região e estado, gênero, tipo de mídia e quem são os principais agressores, além de trazer relatos sobre os casos. O documento alerta para a persistência de práticas violentas contra mulheres jornalistas. Além disso, segundo o relatório, políticos, assessores e apoiadores de direita e extrema direita representam mais de 40% dos casos de ataques contra comunicadores no País.

Evidentemente, há inúmeras outras agressões, tanto físicas quanto verbais, bem como ameaças disfarçadas, cometidas por políticos e outros personagens incomodados com o exercício da Imprensa livre, inclusive em Guarulhos, que não foram registradas em boletins de ocorrência e não fazem parte dessa triste estatística.

QUEM SÃO OS AGRESSORES

Como explicado na metodologia de elaboração do relatório, alguns episódios apresentam mais de um tipo de agressor. Quando isso ocorre, os ataques foram computados nas categorias a que se destinam.
Para não fugir à regra, os políticos continuam disparados no ranking dos maiores agressores de
jornalistas e à liberdade de imprensa. Em 2024, foram 48 episódios que envolveram agressões
físicas e verbais, tentativas de intimidação, ofensas em atos públicos de campanha, tentativas de
censura a matérias e assédio judicial, um dos itens que mais cresceu no último período.

A esses 48 agressores políticos, que representaram 33,33% de todos os ataques, acrescente -se apoiadores diretos (cinco ocorrências), manifestantes de extrema direita (seis casos) e servidores públicos ou órgãos como Prefeitura e Governo de Estado (nove casos), que, em última análise, estão a serviço de interesses de políticos.

Somadas essas quatro categorias, tem-se um total de 68 casos, o que corresponde a 47,22% do
total de agressões. Ou seja, praticamente metade dos ataques sofridos por jornalistas no exercício de
sua profissão se originaram da esfera política. Desses políticos, a absoluta maioria se identifica
com o espectro ideológico de direita e extrema direita.

“Populares”, pessoas que resolveram, por algum motivo, agredir jornalistas durante cobertura de rua, com ataques verbais ou físicos, responderam por dez episódios. Um dos casos mais sérios ocorreu em Goiás, quando uma equipe fazia uma reportagem sobre maus-tratos em um abrigo de animais, e a dona do estabelecimento jogou o carro em uma tentativa de atropelar os jornalistas. A repórter que cobria a pauta estava grávida, mas, felizmente, conseguiu se esquivar a tempo.

Policiais civis e militares aparecem com nove ocorrências, o mesmo número de casos envolvendo dirigentes, atletas e torcedores de times de futebol. Empresários do ramo de comunicação (três casos), empresários e comerciantes em geral (sete casos) também constam da lista de agressores. Em quatro outros casos, “colegas” de profissão utilizaram os meios de comunicação para atacar outros jornalistas. Em nove casos (6,25%), não foi possível identificar o agressor.

A íntegra do relatório pode ser conferida neste link: https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Relatorio-da-Violencia-2024.pdf.

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