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Aterro sanitário de Guarulhos voltará a funcionar, economizando R$ 21 milhões em um ano. Mas é preciso ir além.

Foto: Jackson Argolo /PMG

A Prefeitura de Guarulhos comunica que está avançando com as obras de ampliação da fase 9 do Aterro Sanitário Municipal, localizado no bairro Cabuçu. A intervenção deve garantir a operação segura e ambientalmente adequada da unidade, além de gerar uma economia estimada em R$ 21 milhões no prazo de um ano com a destinação de resíduos sólidos.

Atualmente, cerca de 500 toneladas de resíduos de Guarulhos por dia são depositadas em um aterro particular, no limite de Guarulhos com São Paulo, também no Cabuçu, em área vizinha à do aterro municipal, que está sem ser utilizado desde que houve um deslizamento, há vários anos.

Sob a supervisão da Secretaria de Serviços Públicos, os trabalhos incluem terraplenagem e a instalação de um moderno sistema de impermeabilização com manta de polietileno de alta densidade (PEAD). O projeto contempla ainda sistemas de drenagem de chorume, captação de gás, piezômetros, marcos superficiais fundamentais para este tipo de empreendimento.

De acordo com o secretário de Serviços Públicos, Lucius do Amaral Vieira, o investimento é estratégico para a cidade.

“O aterro sanitário continua sendo necessário para receber os resíduos que ainda não podem ser reaproveitados, mas é essencial avançarmos na redução da geração de lixo e na separação correta dos recicláveis. A modernização da destinação final reflete o compromisso da administração com a eficiência, a saúde pública e a preservação do meio ambiente”, disse.

Referência em boas práticas ambientais, o aterro sanitário de Guarulhos possui nota 9,6 no Índice de Qualidade de Aterros de Resíduos (IQR), avaliação feita pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A nova fase do aterro permitirá que os resíduos passem a ser aterrados na estrutura municipal. O início da operação está previsto para o final de agosto e a estimativa é de que o espaço tenha capacidade para aproximadamente 12 meses de operação.

Dúvidas

Depois de tantos anos fora de operação, estranhamos que, ao voltar a ser utilizado, o espaço só esteja capacitado para receber os resíduos por um ano ou pouco mais. Enviamos mensagem à Assessoria de Imprensa da Prefeitura, na terça-feira, 22/7, indagando:

“Importante mencionar qual o planejamento da Secretaria de Serviços Públicos para o período posterior aos 12 meses previstos para utilização do aterro municipal. É um tempo muito curto.
Ou seriam 12 anos?”

Não recebemos resposta, mas apuramos informalmente que a fase 9, que está sendo concluída, só terá capacidade mesmo para pouco mais de um ano, e que outras fases devem ficar em condições de virem a ser utilizadas dentro desse período e, depois disso, estarão aptas a serem utilizadas por tempo estimado de cinco anos.

Educação ambiental

Mesmo considerando que tudo ocorra dentro do planejamento, o aterro municipal terá vida útil de algo em torno de seis anos, o que é muito pouco. Faltam espaços que possam vir a receber um novo aterro sanitário e isso também demanda uma série de requisitos ambientais para aprovação pela Cetesb.

Diante dessa quadro preocupante, como bem citou o secretário Lucius do Amaral Vieira, é essencial reduzir a quantidade de resíduos direcionados para o aterro. Guarulhos inteira conta com a Coleta Seletiva, mas é muito pequeno o percentual da população que o utiliza. É imprescindível que o Município invista em educação ambiental, envolvendo escolas, condomínios, igrejas e instituições em geral, para conscientizar as pessoas a separar os resíduos, juntando tudo que é reciclável para ser direcionado à Coleta Seletiva e, se possível, fazer a compostagem dos itens que podem ser tratados no ambiente das residências. Assim, só mesmo os rejeitos, assim entendido itens que não tem como ser reciclados nem compostados, iriam para o aterro sanitário, como papel higiênico e fraldas descartáveis, por exemplo.

Não há mais lugar para tanto lixo. E, a rigor, lixo não existe. Os maus hábitos das pessoas é que transformam em lixo inúmeros resíduos que teriam melhor destino. Para mudar isso, só a educação ambiental, a começar pelas crianças, porque é difícil mudar os hábitos de quem fez algo errado a vida inteira.

Valdir Carleto

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