“Segurança é sempre sobre prevenção e investimento: quem investe dificilmente vira estatística.” A frase de Gabriel Borba, CEO da GB Serviços, resume a lição de um caso que chamou atenção pela ousadia e pelo alto prejuízo: um adolescente de 17 anos foi apreendido após invadir ao menos 40 condomínios de luxo na capital paulista, causando perdas estimadas em mais de R$ 30 milhões.
Vestindo roupas de grife e fones de ouvido, o jovem se passava por morador ou visitante. Chegava a usar perucas ou símbolos religiosos, como quipá, para não levantar suspeitas. Segundo a Polícia Civil, tinha discurso convincente e, ao ser questionado, ameaçava até mandar porteiros embora, fingindo ser parente de algum morador.
O caso expõe vulnerabilidades que muitos prédios ainda enfrentam, especialmente quando deixam de investir em barreiras físicas, tecnologia e capacitação de equipes.
“Ele ficava em frente ao condomínio, mexendo no celular e esperando alguém abrir o portão para entrar no chamado ‘efeito carona’, que sempre alertamos ser um risco enorme,” explica Borba.
Como reduzir riscos?
A partir desse episódio, Borba indica caminhos práticos para que condomínios aumentem significativamente sua segurança:
Clausura para pedestres e veículos: criar portões duplos que exigem checagem antes da entrada. “Essa barreira física dificulta muito a entrada de pessoas não autorizadas,” observa o especialista.
Dupla checagem: combinar validação eletrônica com validação presencial, por exemplo, porteiro conferindo documentos ou fotos cadastradas.
Reconhecimento facial: aliado ao sistema de liberação na clausura, garante que apenas pessoas previamente cadastradas tenham acesso.
Segurança presencial treinada: “Muitos desses prédios usavam apenas portaria virtual. Quando há uma tentativa de entrada não autorizada, não existe a abordagem presencial que inibe ou impede a ação,” destaca Borba. Ter profissionais capacitados para reagir a situações de risco é fundamental.
Cultura de segurança entre moradores: orientar sobre o perigo de liberar entrada para desconhecidos e redobrar atenção ao abrir portões.
Segundo Borba, é comum que moradores considerem excessivo investir em mais tecnologia ou equipe, até que algo grave aconteça.
“A segurança nunca é demais. Sempre há o que aprimorar, seja reforçando barreiras físicas, seja modernizando sistemas ou treinando melhor os funcionários. Essa combinação é que realmente reduz o risco de virar notícia por conta de crimes como esse,” reforça.
Criminosos podem explorar falhas simples, como portões deixados abertos ou falta de checagem de identidade. Mas, com planejamento, investimento e orientação correta, é possível proteger moradores e evitar prejuízos.
“O caminho não é só reagir depois do problema, mas agir antes, criando um ambiente seguro de verdade,” finaliza Borba.
