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Desvio bilionário em Guarulhos: o que se sabe até agora e o que falta saber

Foto: Governo de SP/Divulgação

Conforme já noticiado pelo Click Guarulhos, a Polícia Civil de Guarulhos deflagrou, na manhã desta quinta-feira (31), a segunda fase da Operação Publicanos, que tem como objetivo combater e investigar crimes praticados por servidores públicos municipais. A ação é resultado de um inquérito conduzido pelo Setor Especializado no Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (SECCOLD), instaurado para apurar irregularidades na Secretaria de Finanças do município. Ao todo, participam da ação 23 viaturas e 53 policiais civis, visando o cumprimento de mandados de busca e apreensão em 10 endereços. As diligências estão em curso.

Segundo as investigações, que começaram em 2022, cerca de 600 investigados, entre eles funcionários públicos e particulares, donos de construtoras, cartórios, além de empresários, recebiam propina para forjar documentos e desviar recursos municipais.

Os acusados teriam participação em fraudes fiscais que deixaram um rombo estimado em R$ 14 bilhões aos cofres públicos, segundo informou o prefeito Lucas Sanches em coletiva de imprensa também nesta quinta-feira. Mais cedo, as primeiras notícias davam conta de um desvio de R$ 1,5 bilhão. Indagado sobre a discrepância de valores divulgados, Sanches afirma que uma auditoria em curso apontou essa diferença, bem como o envolvimento de outras secretarias além da Justiça, citada anteriormente. Entre os alvos estão as secretarias de Finanças, Sdceti (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Secretaria de Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação e SDU (Secretaria de Desenvolvimento Econômico) e a Procuradoria do município, além da casa de alguns servidores supostamente envolvidos nas ações.

De acordo com as investigações, iniciadas em 2022, funcionários da Prefeitura tinham um esquema para favorecer contribuintes em troca de vantagens indevidas.

Eles são acusados de alterar medições e classificações de imóveis, avaliações fraudulentas de áreas de imóveis, isenção indevida de imposto, perda de prazos que beneficiavam devedores, entre outras manobras.

Aos jornalistas, o prefeito afirmou estar empenhado com a verdade e que “a atual gestão da Prefeitura de Guarulhos apoia a operação que prejudicou não apenas a administração municipal mas, sobretudo, as famílias guarulhenses que poderiam ser melhor assistidas com a quantia desviada pela quadrilha organizada nos últimos 16 anos. A Prefeitura se coloca à disposição da Justiça para auxiliar nas investigações e combater o crime organizado no município”. Citou que quer punição, sejam os servidores efetivos ou comissionados, e mesmo quem eventualmente faça parte de sua equipe.

Ao citar o rombo, Sanchez falou que o dinheiro desviado seria o suficiente para quitar a dívida deixada pela gestão anterior ou poder ter sido usado para a construção de dois hospitais, outros equipamentos de saúde e escolas, entre outros serviços indispensáveis para a população.

O prefeito falou que a fim de resguardar os dados e contribuir com a apuração dos desvios, a Prefeitura reforçou o controle e entrou com um pedido de liminar para impedir a perda dos arquivos dos sistemas e também abriu uma licitação para a aquisição de um sistema para inibir tais práticas.

Indagado sobre a divulgação dos nomes de todos envolvidos, o prefeito disse que o processo está em segredo de Justiça, mas que as empresas e funcionários envolvidos serão penalizados conforme o rigor da lei.

Em sua fala, o prefeito não poupou críticas à gestão anterior e citou problemas nos contratos dos aterros sanitários, na contratação dos uniformes escolares e irregularidades na contratação dos hospitais veterinários.

Guti se defende

Em vídeo, o ex-prefeito Guti afirma que as investigações tiveram início na sua gestão, devido ao surgimento de indícios de desvios, que ele teria determinado que fossem apurados. E que espera que tudo seja esclarecido, com a punição dos culpados.

A esclarecer

A dúvida principal que permanece é por quais motivos o prefeito Lucas Sanches mantém em sua equipe pessoas da gestão Guti em postos relevantes. Por exemplo, o secretário da Fazenda, Ibrahim El Kadi, foi mantido na mesma função. Se Sanches afirma que havia corrupção na gestão anterior, como explica que essa área tão importante permaneça nas mesmas mãos. Afinal: Kadi foi mantido para concluir investigação que haviam sido iniciadas no governo Guti ou apesar dessas apurações?

Não se discute a competência para o exercício do cargo, mas na coletiva o prefeito deveria explicar a decisão de manter o comando das finanças com um dos principais membros da equipe de Guti.

A população espera que tudo seja apurado e que todos os envolvidos sejam devidamente punidos, sejam quem forem.

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