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Guarulhos se fez presente na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty

Guarulhos marcou presença na 23a. Flip – Festa Literária Internacional de Paraty (RJ), de 30 de julho a 3 de agosto. Em um feito que reverbera o compromisso com a cultura e as artes que a norteia desde sua fundação, em 1978, a Academia Guarulhense de Letras (AGL) participou ativamente da Flip deste ano. Com um estande diversificado, além de representar a produção literária de Guarulhos, a AGL firmou-se como um ponto de referência cultural no mais prestigiado evento literário do Brasil.

Segundo balanço divulgado pela acadêmica Fátima Gilioli, coordenadora de Eventos e uma das principais articuladoras da presença da AGL na feira, o estande comercializou mais de 130 exemplares de livros dos autores guarulhenses.

O sucesso da empreitada pode ser medido não apenas em números, mas, principalmente, no sentimento de dever cumprido e de conhecimento compartilhado por seus membros. “A única Academia de Letras“, ressaltou o acadêmico Jacques Miranda, presidente da AGL, em mensagem aos confrades, destacando o caráter pioneiro da iniciativa.

A banca mais recheada e mais eclética; tinha pra todos os gostos“, celebrou.

A percepção dos dez acadêmicos que atuaram na Flip, revezando-se no estande, é de que a AGL levou o nome e o conhecimento de Guarulhos a um novo patamar. Quase 200 exemplares da Revista da Academia, periódico editado anualmente, foram distribuídos gratuitamente aos visitantes, uma ação que, segundo Miranda, representa um dos mais significativos atos de difusão da cultura guarulhense na história da instituição. “É digno de muita celebração observar que as obras e os artigos dos guarulhenses estão sendo expostos, lidos e admirados em um ambiente que pulsa a mais valorosa literatura“, completou, acrescentando que o feito histórico foi fruto de um esforço coletivo, da união e do trabalho de diversos membros, que se dedicaram para que o projeto se tornasse realidade.

O sentimento de gratidão foi uma tônica nas comunicações internas, visto que o ponto alto da experiência foi que os acadêmicos que compartilharam o dia a dia em Paraty fortaleceram os laços que unem a comunidade literária da instituição“, concluiu.

O acadêmico José Roberto Jerônimo cita que a presença na Flip não foi apenas uma oportunidade de vendas, mas uma afirmação da vitalidade e da relevância da produção cultural de Guarulhos.

Ao levar suas obras e sua história para o epicentro da literatura nacional e internacional, a Academia Guarulhense de Letras demonstrou, mais uma vez, que a cidade voa alto no cumprimento de sua missão cultural, honrando um legado de mais de quatro décadas dedicadas à promoção das artes e das letras“.

Já a escritora Luciene Müller, que é membro da AGL e estabelecida com a Format Editora, que esteve na Flip com estande próprio, ressalta a importância dos novos relacionamentos proporcionados ao atender os visitantes:

Tivemos a presença de pessoas de todo o Brasil e de vários outros países. Foi muito gratificante sentir o carinho de cada um que veio até nós, procurou saber um pouco de nossa história e que contou também algo sobre sua trajetória. Foram tantos abraços, tanta troca de energia. Isso não tem preço“, afirmou.

A mesma percepção teve o professor, jornalista e escritor Alex Francisco, autor do livro “Páginas Coloridas“, que foi um dos finalistas no Prêmio Jabuti Acadêmico:

Participei de várias mesas de debates e tive oportunidade de conhecer grupos e trabalhos muito interessantes. Foi um aprendizado incrível participar da Flip“.

O radialista e escritor José Augusto Pinheiro, ex-presidente da AGL, cita que o estande da AGL recebeu visitas também de pessoas de Guarulhos.

Tivemos famílias que sabiam da existência da Academia, algumas que até conheciam um pouco mais sobre o trabalho que desenvolvemos. Mas muitos outros ficaram surpresos ao saber que Guarulhos tem uma academia de letras“, comentou.

Sendo uma instituição com quase 50 anos de vida, isso só é justificado pelo fato de a cidade ser tão grande, pois a AGL visita escolas, promovendo saraus e palestras de conscientização sobre a importância do hábito da leitura, além de participar da Bienal do Livro, evento que conta com imenso comparecimento, citou.

Para Marco Arroyo, chileno naturalizado brasileiro, ex-secretário de Administração e Modernização de Guarulhos e novo membro da AGL, o contato com tantas culturas diferentes e a presença de tanta gente em Paraty demonstra que os livros impressos ainda têm um grande apelo, apesar do inegável avanço dos meios digitais. Na foto, ele e Alex Francisco acolhem a visita de Mary Félix, presidente da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de Cabo Frio-RJ e do jovem Marcos Azevedo.

Estou muito feliz por ver quantas pessoas estão interessados na leitura e em conhecer os autores; enfim, respirar cultura“, comentou.

Livros transcritos para Braille

Um fator muito importante da presença da AGL na Flip foi tomar conhecimento do trabalho social desenvolvido pelo Instituto Benjamin Constant, um órgão do governo federal que produz gratuitamente obras em Braille a partir de PDFs enviados por autores de livros. A Academia tem entre seus membros dois deficientes visuais e ambos participaram da Flip: Ivo de Souza “Poeta dos Mares” e Wilmar Soares. Eles consideram que essa possibilidade abre um novo horizonte para que os escritos dos acadêmicos de Guarulhos possam ser apreciados por pessoas que gostam de ler mas não são dotadas do sentido da visão.

Hylea Vale, professora de Língua Portuguesa e supervisora da Divisão de Imprensa Braille do Instituto Benjamin Constant, explica que, após o envio do PDF, o livro é transcrito e o título colocado na listagem do site. “As instituições públicas ou sem fins lucrativos, ao estarem de posse da listagem, podem escolher a cada três meses até 50 títulos, e os que transcrevermos que enviarem estarão lá nessa listagem. Só imprimimos e enviamos por demanda, ou seja, se solicitado. Quando a produção é finalizada e colocados na listagem, os autores são avisados e recebem uma foto, para que possam divulgar que “instituições públicas ou sem fins lucrativos que atendam pessoas cegas podem fazer a solicitação ao Instituto Benjamin Constant”. Autores interessados em ter suas obras transcritas para Braille podem enviar o PDF de suas obras pelo email hyleavale@ibc.gov.br.

Contatos com escritores de vários lugares do Brasil, bem como com gráficas e editoras, foram outros fatores comemorados pelos acadêmicos guarulhenses, pois esse conhecimento pode vir a ser útil à AGL, em diversos aspectos.

Livro impresso em plástico

Na mesma tenda destinada às pequenas editoras e a autores independentes, onde estava o estande da AGL, participou também o poeta e dramaturgo Pedro Tancini, diretor do Coletivo Parêntesis de Teatro. Ele lançou o livro “Poemas de plástico“, o qual afirma ser o primeiro livro impresso em páginas de material plástico, reciclado de plásticos retirados de praias, que não têm como ser reciclados, por não haver ainda tecnologia para isso.

Ele explicou ao Click Guarulhos que o livro é impresso em Vitopaper, produzido pela empresa Vitopel, do grupo Braskem, detentora de uma patente mundial. “Vitopaper é um produto com pegada ecológica que vai nos salvar, vai salvar o mundo de um apocalipse de plástico“, afirma. Conta que, após muitas experiências malsucedidas, devido à dificuldade de secagem da tinta pelo fato de o plástico não absorvê-la, conseguiu imprimir o livro na Gráfica Viana, utilizando técnica de serigrafia com secagem ultravioleta.

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