A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que a violência doméstica continua produzindo efeitos profundos na vida das brasileiras. Sete em cada dez mulheres que sofreram agressões tiveram a rotina alterada e mais de 40 por cento registraram impactos diretos no trabalho ou nos estudos. O levantamento, realizado pelo DataSenado e pela Nexus em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, ouviu mais de 21 mil mulheres em todo o país e estimou que 24 milhões tiveram o dia a dia comprometido pelas agressões.
Os dados mostram também a influência da desigualdade socioeconômica na permanência de mulheres em ciclos de violência. A pesquisa indica que é três vezes mais comum que mulheres fora da força de trabalho sofram agressões em comparação com aquelas empregadas, além de revelar que 66 por cento das vítimas têm renda de até dois salários mínimos. Para especialistas ouvidas no estudo, como a diretora da Associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, a vulnerabilidade econômica amplia o risco de violência e reforça a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a autonomia financeira e a qualificação profissional das mulheres.
É urgente defender respostas integradas que articulem segurança pública, assistência social, saúde, educação e políticas de renda, destacando que a superação desse quadro não pode ser delegada às vítimas. Criada em 2005 para subsidiar a Lei Maria da Penha, a pesquisa é realizada a cada dois anos e nesta edição ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todas as regiões do país.
*Com informações da Agência Brasil
