A notícia de que, a partir do dia 1º de janeiro de 2026, a tarifa do transporte público em Guarulhos passaria a custar R$ 6,20 para qualquer forma de pagamento, eliminando a atual modalidade que concede desconto no uso do bilhete eletrônico, está cercada de dúvidas.
A informação é de que o reajuste atenderia a uma decisão judicial determinando a aplicação do Decreto nº 43.526/2025, que estabeleceria os novos valores a serem cobrados pelas empresas que operam o sistema de transporte na cidade. Estudantes e professores pagariam meia tarifa com a cobrança de R$ 3,10.
Segundo matéria divulgada pelo Diário dos Trilhos, a informação constaria de um aviso compartilhado na quarta, 24, que traz os novos preços para utilizar o serviço. Diversos canais de comunicação publicaram a notícia, com base na mesma informação.
A Prefeitura de Guarulhos foi consultada sobre o reajuste das tarifas e não respondeu os questionamentos do Portal Click Guarulhos, assim como tem ocorrido com frequência, em flagrante desrespeito ao nosso trabalho e com os milhares de guarulhenses que nos seguem. Aliás, o portal G1 também questionou a Prefeitura e não obteve resposta.
A Guarupass, Associação que reúne as empresas de ônibus urbanos da cidade, respondeu ao nosso questionamento, informando que só a Prefeitura poderia se manifestar sobre o suposto reajuste.
Porém, como bem observou o jornalista Ernesto Zanon, do portal GuarulhosWeb, o último decreto publicado pela Prefeitura de Guarulhos no Diário Oficial tem o número 43.525/2025, portanto anterior ao citado na divulgação, o que leva a crer que o reajuste até pode estar sendo previsto para ser aplicado a partir de 1o. de janeiro, mas ainda não é oficial que esteja decidido e que seja nesse valor.
Zanon apurou que o Processo mencionado na arte tem a ver com tarifas de transporte coletivo, mas especificamente em defesa de empresas associadas à entidade que ingressou com a ação. A decisão judicial nesse processo é de que a tarifa não pode custar mais caro quando paga com vale-transporte. Lida ao pé da letra, a sentença faria com que quem hoje paga R$ 6,20 passasse a pagar R$ 5,10 e não o contrário; ou seja, não haveria reajuste da tarifa, mas sim redução para as empresas que bancam o vale-transporte para seus funcionáios. O jornalista levanta a hipótese de essa arte não ser verdadeira, tendo em vista que reproduzir algo com características oficiais atualmente é algo relativamente fácil. Chama a atenção também o fato de haver um erro na frase “A partir das 00h”.
A questão seria dirimida facilmente se a Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura utilizasse sua estrutura para responder aos questionamentos enviados pelos veículos sérios da Imprensa, ao invés de dedicar-se integralmente a produzir vídeos e outros materiais para o prefeito gabar-se de seus feitos nas redes sociais e releases que divulgam providências corriqueiras como a limpeza de um bueiro ou o corte de mato de uma praça.
*Matéria editada no sábado, às 19h50
