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Mães atípicas lançam apelos ao prefeito

Juliane Tenório e a filha Yasmin

O ano letivo na rede municipal de Guarulhos já começou com desafios para os pais e responsáveis de alunos com deficiência, TEA (Transtorno do Espectro Autista) ou altas habilidades que denunciam falta de professores especializados em inclusão.

Na última quinta-feira, 19, mães e responsáveis das crianças se mobilizaram em frente à Secretaria Municipal de Educação. O grupo denunciou a redução do número de profissionais de apoio na rede municipal e cobra o cumprimento do direito de acompanhamento especializado garantido por lei desde 2015. Durante todos esses anos, o acompanhamento especializado na rede municipal de Guarulhos era realizado pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) em escolas polo, oferecendo recursos pedagógicos e de acessibilidade para os alunos. O suporte incluía agentes de apoio, tecnologia assistiva e parcerias com OSCs, visando autonomia e inclusão, conforme o Portal da Secretaria de Educação.

A Prefeitura de Guarulhos, segundo relatos, teria orientado as escolas a adotarem um novo “módulo” de atendimento, modelo que define quantitativos considerados suficientes pela administração para atender os estudantes com deficiência.

Ainda de acordo com os manifestantes, houve o aumento de alunos com diagnóstico dentro do espectro autista, enquanto aumenta o número de professores eventuais, ou seja, os profissionais que auxiliam os alunos dentro de sala.

Os pais e responsáveis por esses alunos denunciam que para obter o apoio, bastava a apresentação de laudo médico para assegurar o atendimento especial. Neste ano, a adoção de módulos, pais e responsáveis teriam sido comunicados que o atendimento individual só será concedido mediante decisão judicial.

Mãe atípica faz apelo no Instagram

A situação tem preocupado famílias que relatam dificuldades no atendimento de alunos que precisam de suporte especializado nas escolas da rede municipal. Este é o caso de Juliane Brinca Tenório, pedagoga e mãe da Yasmin Brinca, de 6 anos, aluna do 1º ano do ensino fundamental, da EPG Anita Malfatti na Ponte Grande.

Juliane fez um apelo em sua rede social pedindo para que o prefeito Lucas Sanchez e o recém-empossado Secretário da Educação, Rafael Carvalho, que assumiu o cargo após o afastamento de Silvio Rodrigues.

Em entrevista ao Click Guarulhos, Juliane diz que o módulo implementado não atende à realidade da educação inclusiva, não garante suporte – educacional e emocional – adequado e viola um direito básico assegurado por lei.

Ela reitera que espera que o prefeito de Guarulhos reveja o novo posicionamento no atendimento aos alunos atípicos com cuidado e responsabilidade. “Me cortou o coração, não poder deixar a minha filha na escola na última semana. Ela entrou em crise com a situação e não tinha ninguém para acolhê-la”, lamenta.

Além das crianças que podem ter o seu desenvolvimento em sala de aula comprometido e com os pais, a preocupação de Juliane é com os profissionais. “O novo sistema adotado não atenderá as famílias atípicas, promoverá exclusão das crianças e levará os profissionais à exaustão”, diz.

Pais atípicos se mobilizam

Juliane reitera que integra um grupo com mais de 500 pais e responsáveis atípicos e que diante da nova decisão da Educação, uma comissão foi montada para buscar uma resposta e recomposição do quadro de profissionais junto à pasta em uma primeira reunião na semana passada, mas que, por enquanto, só resultou em escuta e promessas. Diante das manifestações, uma nova reunião foi agendada para o próximo dia 11 de março com o Secretário de Educação.

Manifestações

E por falar em promessas, diante do desabafo em sua rede social, Juliane recebeu as seguintes mensagens atribuídas ao prefeito e ao secretário de Administrações Regionais, Giovani Sanches.

Na mensagem, o prefeito disse estar ciente da demanda e estar trabalhando para melhorar esse aspecto.

Já Giovani Sanches reitera que foi feito uma reorganização no atendimento, onde cada escola tinha uma quantidade diferente de profissionais, algumas com mais, outras com menos. E que agora estão fazendo ajustes para que todas (escolas) tenham acompanhamento de forma mais justa e equilibrada.

Procurada pela redação do Click Guarulhos, a Secretaria de Educação ainda não se manifestou oficialmente sobre as denúncias.

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