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Câncer de testículo: desinformação compromete diagnóstico precoce da doença que afeta principalmente jovens

Foto: reprodução / Freepik

O tabu, a timidez e o machismo ainda são os principais vilões contra o câncer de testículo. Por ser um tema pouco comentado, a desinformação também é parte da barreira quando o assunto é o cuidado com a saúde masculina. A doença, que acomete principalmente adolescentes e adultos jovens, mais comum entre 15 e 34 anos (podendo ocorrer até os 50), muitas vezes causa desconforto no momento da investigação, impactando no diagnóstico precoce.

Apesar de menos frequente entre os tumores que afetam homens, o câncer de testículo é o tumor maligno mais comum em jovens. Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura ultrapassam 95%. Para o triênio 2026-2028, estima-se cerca de 1,8 mil novos casos no Brasil.

De acordo com o Denis Jardim, líder nacional da especialidade de tumores urológicos da Oncoclínicas é fundamental estar atento aos sintomas, que podem ser confundidos ou até mesmo mascarados por processos infecciosos ou inflamatórios na região dos testículos.

O paciente pode perceber um nódulo, que na grande maioria das vezes é indolor, ou ainda um aumento e endurecimento do testículo. Apesar de não haver nenhum incômodo ao urinar, é possível notar um volume maior no local da bolsa escrotal. Já durante a higiene, o autoexame periódico pode permitir a detecção de uma eventual alteração na região, identificando que algo está fora do normal e necessita de maior investigação”, comenta.

Outros sintomas que devem despertar a atenção são:

Muitas vezes, quando os sintomas aparecem, os jovens sentem vergonha em se abrir com os pais ou parceiro sobre o assunto. Contudo, conversar sobre o tema e alertar sobre o autoexame é uma maneira que a família pode transmitir confiança e informação de qualidade”, orienta o oncologista da Oncoclínicas.

Histórico familiar pode ser fator de risco para câncer de testículo

Dentre os possíveis fatores de risco para a doença estão: o histórico familiar (principalmente em parentes de primeiro grau) ou pessoal e ainda crianças que tiveram criptorquidia – uma disfunção congênita no qual o testículo nasce fora da bolsa escrotal.

Em casos de criptorquidia, apesar da correção na infância, ainda existe a possibilidade do desenvolvimento do tumor no futuro. Por isso, o recomendado é realizar acompanhamentos periódicos até, mais ou menos, 30 anos”, explica Denis Jardim.

Infelizmente, não existe uma maneira de prevenir que o câncer de testículo ocorra, mas o autoexame dos testículos uma vez por mês, logo após um banho quente, pode auxiliar no diagnóstico precoce. “A temperatura irá ajudar com que o escroto fique relaxado e seja possível identificar se há alterações na região. Caso algum sintoma seja percebido, um profissional deve ser consultado o quanto antes”.

Primeira fase do diagnóstico ocorre pelo exame clínico

Após a verificação de nódulos, o oncologista explica que é pedido uma ultrassonografia da bolsa escrotal. Em seguida, são realizados também exames laboratoriais para identificação dos marcadores tumorais.

Com a confirmação, definimos em qual momento a tomografia computadorizada do tórax, abdômen e pelve deve ser realizada. O exame nos permite analisar o estadiamento do tumor e ainda definir qual será o tratamento mais indicado para aquele paciente“, comenta o oncologista.

Tratamento x fertilidade

Durante a definição da escolha terapêutica, é muito importante que o paciente converse com o médico sobre o desejo de ter filhos futuramente, se houver.

Um dos principais procedimentos a serem realizados para preservação da fertilidade é o congelamento de esperma, que deve ser discutido preferencialmente antes do início do tratamento“, explica.

Contudo, vale lembrar que a questão da fertilidade pode ser tanto definitiva, como temporária, dependendo do tratamento indicado.

Mesmo nos casos em que a fertilidade seja temporária, o armazenamento de esperma é um cuidado importante, pois recomendamos que o paciente aguarde um período após o final do tratamento quimioterápico para ter filhos“.

Abordagem terapêutica irá depender do estágio do tumor

Para o tratamento, é fundamental analisar o estadiamento, classificação de risco e tipo histológico da doença. Contudo, vale lembrar que cada estágio do tumor exige uma abordagem terapêutica diferente, incluindo a retirada do testículo por via inguinal (orquiectomia radical), que costuma ter uma recuperação bastante rápida e sem comprometer a potência sexual do paciente – caso apenas um testículo seja retirado.

Os principais protocolos são:

A maioria dos homens procura por atendimento médico apenas quando já estão doentes. Por isso, devemos investir na informação de qualidade para eliminar o maior número possível de tabus, principalmente quando falamos sobre os cuidados com a saúde masculina“, finaliza Denis Jardim.

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