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Tecnologia via satélite identifica vazamentos

Foto: Divulgação

O que satélites, inteligência artificial, a “eletricidade” da água e até o planeta Marte têm em comum? Juntos, eles formam a tecnologia de ponta que começa a caçar vazamentos com muito mais eficiência em São Paulo.

A partir deste mês, o uso em larga escala de uma nova tecnologia baseada em imagens de satélite e IA (Inteligência Artificial) passa a procurar vazamentos invisíveis nos subterrâneos de São Paulo e de algumas das maiores cidades da Região Metropolitana da capital. A inovação adotada pela Sabesp “enxerga” o ponto crítico no subsolo com mais rapidez e precisão ao analisar a condutividade da água potável, como se tirasse uma radiografia da “eletricidade” da água. É a mesma tecnologia utilizada pelos cientistas espaciais na busca por água em Marte.

A expectativa é recuperar 6,7 bilhões de litros nos primeiros 12 meses, um volume de água suficiente para abastecer uma cidade como Caieiras, que tem mais de 95 mil habitantes. O teste feito com a tecnologia no centro da capital havia identificado cinco vezes mais vazamentos do que pela tecnologia tradicional, quando as equipes técnicas percorrem periodicamente as ruas com geofones e hastes de escuta até identificar “sons” de vazamento no subsolo.

A nova tecnologia contratada pela Sabesp foi desenvolvida pela empresa israelense Asterra. Com ela, grandes áreas serão mapeadas quase que de forma instantânea. A partir de um programa de computador que contém as informações da composição da água tratada, as ondas emitidas pelo satélite fazem uma espécie de “escaneamento” do subsolo e identificam locais em até três metros de profundidade onde há umidade.

A identificação da presença da água é possível porque ela possui uma carga elétrica proveniente da presença de íons como cálcio e magnésio. A tecnologia que será usada identifica a chamada “assinatura espectral” específica do cloro, que está presente apenas na água potável. Assim, consegue diferenciar a água tratada pela Sabesp de outras fontes, como água de lençol freático, esgoto ou rios, focando especificamente no vazamento da rede de abastecimento.

Com os locais “suspeitos” identificados, é gerado um mapa que orienta o trabalho das equipes de campo. Estas confirmam o vazamento num raio de 100 metros e acionam o trabalho de reparo.

O contrato foi assinado, após fase de experimentação e verificação da eficiência do processo. Também já foram realizados os treinamentos das equipes com os aplicativos que orientarão as atividades em campo. Nos primeiros três meses, de abril a junho, serão cobertos quase 9.000 quilômetros de redes de distribuição de água e adutoras nas cidades de São Paulo, Guarulhos, Osasco e Carapicuíba. Essas áreas foram escolhidas por serem as com maior expectativa de recuperação de volume de água, conforme estudos da Sabesp.

Na capital serão abrangidas regiões espalhadas por todas as regiões, como Consolação, Avenida Paulista, Jardim América, Sacomã, Mooca, Rodovia Raposo Tavares, Guaianazes, Itaquera e Perus.

O investimento é de R$ 5,9 milhões em dois anos e vai beneficiar toda a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), devido à integração dos sistemas de abastecimento.

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