Contribuintes que perderam o prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda 2026 ainda podem regularizar a situação. A Receita Federal retomou o recebimento dos documentos nessa segunda-feira (1º), após a interrupção do sistema no fim de semana seguinte ao encerramento do prazo.
Quem era obrigado a declarar e não prestou contas até as 23h59 da última sexta-feira (29) continua podendo enviar o documento, mas está sujeito ao pagamento de multa e juros, conforme a situação de cada contribuinte.
Como regularizar a situação
A declaração pode ser entregue pelo Programa Gerador da Declaração (PGD), disponível para computador, pelo aplicativo da Receita Federal ou pela plataforma Meu Imposto de Renda, acessada pelo portal e-CAC.
Antes de concluir o envio, o contribuinte deve conferir as informações prestadas sobre rendimentos, bens, investimentos, dívidas e despesas dedutíveis. Dados incorretos ou omitidos podem levar a declaração para a malha fina, atrasar a restituição e até gerar cobranças adicionais de imposto.
Quem enviou a declaração incompleta para evitar a multa também pode corrigir as informações por meio de uma declaração retificadora. O procedimento é feito no mesmo sistema utilizado na entrega original e exige o número do recibo da declaração já transmitida.
A retificação permite incluir rendimentos, bens, dívidas, investimentos ou despesas que tenham ficado de fora. Com o fim do prazo de entrega, a única mudança que não pode mais ser feita é a troca do modelo de tributação. Não é mais possível migrar da declaração simplificada para a completa ou vice-versa.
Como a multa é calculada
A penalidade para quem perdeu o prazo varia conforme a situação do contribuinte:
- Quem não tem imposto devido paga a multa mínima de R$ 165,74.
- Quem tem imposto devido paga multa de 1% ao mês ou fração sobre o valor devido, limitada a 20%.
Além da multa, também incidem juros calculados pela taxa Selic até a regularização da pendência.
Quem tem restituição a receber também está sujeito à cobrança. Nesses casos, o valor pode ser descontado diretamente da quantia que será devolvida pela Receita.
Já os contribuintes que não são obrigados a declarar podem enviar o documento após o prazo sem pagar multa. Isso inclui, por exemplo, pessoas que tiveram imposto retido na fonte ao longo de 2025 e desejam receber a restituição.
A Receita Federal recebeu 44,39 milhões de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, número recorde e acima da expectativa inicial de 44 milhões de documentos enviados. O resultado representa um crescimento de 2,4% em relação ao ano passado, quando 43,34 milhões de contribuintes prestaram contas ao Fisco dentro do prazo.
Os dados divulgados pela Receita mostram também um avanço expressivo na digitalização do processo de declaração, impulsionado principalmente pela declaração pré-preenchida e pelo aplicativo Meu Imposto de Renda.
Pré-preenchida avança
A declaração pré-preenchida alcançou em 2026 o maior nível de adesão da série histórica. O modelo foi utilizado em 59,8% das declarações entregues, consolidando-se como a principal ferramenta para simplificar o preenchimento do documento.
Apesar da praticidade, a Receita alerta que os contribuintes devem revisar todas as informações antes do envio. Segundo o Fisco, os dados inseridos na declaração são fornecidos por terceiros, que também podem cometer erros.
Mais canais digitais
Outro destaque da campanha foi o crescimento do uso do Meu Imposto de Renda (MIR), sistema disponível por aplicativo e internet.
Em 2026, a ferramenta respondeu por 22% das declarações transmitidas, o maior percentual já registrado. Ainda assim, o Programa Gerador da Declaração (PGD), instalado no computador, permaneceu como principal canal de entrega, concentrando 78% dos envios.
A Receita avalia que os números refletem uma mudança gradual no comportamento dos contribuintes, que têm migrado cada vez mais para plataformas digitais.
Restituições aceleradas
Uma das principais novidades deste ano foi a redução do calendário de restituições. Em vez de cinco lotes, como ocorria tradicionalmente, os pagamentos serão feitos em quatro etapas.
A mudança permitirá que os contribuintes recebam os valores em um prazo menor. Cerca de 56% das declarações entregues têm direito à restituição.
O primeiro lote, pago em 29 de maio, somou R$ 16 bilhões, o maior valor já liberado pela Receita Federal em uma única rodada de pagamentos. O crédito beneficiou quase 9 milhões de contribuintes.
A expectativa do órgão é que, com o segundo lote, previsto para 30 de junho, cerca de 80% dos contribuintes com direito à restituição já tenham recebido os valores. Os pagamentos restantes estão programados para 31 de julho e 31 de agosto.
Destinações sociais
As doações feitas diretamente na declaração para os Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente e para os Fundos da Pessoa Idosa totalizaram R$ 419,6 milhões em 2026.
O valor supera os R$ 394,6 milhões registrados no ano passado e demonstra a consolidação do mecanismo, que permite ao contribuinte direcionar parte do imposto devido para projetos sociais.
Apesar do crescimento, a Receita estima que o potencial de destinação seja muito maior, chegando a aproximadamente R$ 16,7 bilhões. Isso significa que ainda existe amplo espaço para que mais contribuintes utilizem essa possibilidade.
Declaração do IR pode passar a ser automática em até três anos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que em dois ou três anos não será mais necessário aos contribuintes brasileiros fazer a declaração do Imposto de Renda. A novidade, caso se confirme, se deve às mudanças que vêm sendo implementadas pelo governo federal, no sentido de automatizar procedimentos.
Em março, Durigan já havia acenado com essa possibilidade, após ter demandado à Receita Federal o desenvolvimento de um sistema automatizado capaz de reunir informações financeiras dos contribuintes, o que dispensaria o preenchimento manual da declaração.
Sistema automático
A demanda apresentada pelo ministro à Receita Federal prevê a integração de dados já disponíveis em bases oficiais e privadas, como informações bancárias, registros de empresas e dados de planos de saúde.
Com isso, o contribuinte passaria apenas a revisar e validar os dados apresentados pelo sistema.
O modelo seria uma evolução da declaração pré-preenchida, que tem sido ampliada nos últimos anos e, segundo estimativas do Fisco, deve alcançar cerca de 60% dos contribuintes.
“Como a gente tem um país informatizado, essas informações vão sendo colocadas no sistema, e a pessoa precisa validar simplesmente”, disse, em março, o ministro da Fazenda.
Mudança gradual
Atualmente, a declaração pré-preenchida já reúne dados como rendimentos, bens, investimentos e deduções.
Ainda assim, a Receita Federal orienta os contribuintes a conferirem as informações, já que os dados são fornecidos por terceiros.
A proposta do governo é ampliar gradualmente esse modelo até que o envio manual deixe de ser necessário.
*Com Informações do SBT News e Agência Brasil
