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Julho Amarelo: sarcomas exigem atenção a sinais persistentes e diagnóstico precoce

Foto: Magnific

Julho Amarelo marca o Mês Internacional de Conscientização sobre os Sarcomas, um grupo raro e heterogêneo de tumores que pode se desenvolver em ossos, músculos, tendões, cartilagens, gordura, vasos sanguíneos e outros tecidos conjuntivos do corpo. Embora representem uma pequena parcela dos casos de câncer, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento em centros com experiência na doença.

Os sarcomas correspondem a aproximadamente 1% dos tumores malignos em adultos e cerca de 15% dos cânceres diagnosticados em crianças e adolescentes. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tumores ósseos primários malignos são considerados raros, mas exigem atenção devido ao potencial de crescimento e disseminação para outras partes do organismo.

Por apresentarem sintomas muitas vezes inespecíficos e se manifestarem em diferentes regiões do corpo, esses tumores podem levar meses até serem corretamente identificados. Em muitos casos, o paciente percebe apenas um nódulo que cresce progressivamente ou uma dor persistente sem causa aparente.

“Os sarcomas são doenças raras e extremamente variadas. Existem mais de 100 subtipos reconhecidos atualmente, cada um com características biológicas e comportamentos distintos. Isso torna fundamental que o diagnóstico e o planejamento terapêutico sejam realizados por equipes especializadas”, explica Carolina Cardoso, líder nacional da especialidade de sarcomas da Oncoclínicas.

Um grupo de tumores que pode surgir em diferentes partes do corpo

Os sarcomas são divididos em dois grandes grupos: os de partes moles e os ósseos.

Os de partes moles são os mais frequentes e podem surgir em músculos, gordura, nervos, vasos sanguíneos e tecidos fibrosos. Eles costumam aparecer como massas indolores que aumentam de tamanho ao longo do tempo.

Já os ósseos têm origem diretamente nos ossos. Entre os principais exemplos estão o osteossarcoma, mais comum em adolescentes e adultos jovens; o condrossarcoma, que afeta principalmente adultos; e o sarcoma de Ewing, que ocorre com maior frequência em crianças e jovens.

“Uma das dificuldades é que muitos pacientes não associam os sintomas a algo potencialmente grave. Um caroço indolor ou uma dor persistente em um membro pode ser interpretado inicialmente como consequência de um trauma ou de uma lesão musculoesquelética comum”, afirma a especialista.

Quando procurar avaliação médica?

Os sintomas variam de acordo com a localização e o subtipo do tumor. Entre os sinais que merecem avaliação médica estão:

Segundo Carolina Cardoso, um dos principais alertas é o crescimento contínuo de uma massa localizada.

“Qualquer nódulo profundo ou que apresente aumento progressivo deve ser avaliado. Nem todo caroço representa um câncer, mas alguns sarcomas podem se desenvolver de forma silenciosa e alcançar grandes dimensões antes do diagnóstico”, destaca.

Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento

A investigação geralmente envolve exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Quando há suspeita de sarcoma, a confirmação depende da realização de biópsia e análise anatomopatológica especializada.

Além de identificar a presença do tumor, o diagnóstico busca determinar o subtipo da doença, informação fundamental para definir a estratégia terapêutica.

Nos últimos anos, o avanço da patologia molecular e dos testes genéticos tem permitido caracterizar com maior precisão diferentes tipos de sarcoma, contribuindo para decisões mais individualizadas.

“Hoje sabemos que sarcomas que antes pareciam semelhantes podem apresentar alterações moleculares completamente diferentes. Essa compreensão tem impacto direto na escolha do tratamento e no prognóstico dos pacientes”, explica a oncologista.

Tratamento exige abordagem multidisciplinar

O tratamento dos sarcomas depende de fatores como localização, tamanho, subtipo, grau de agressividade e presença ou não de metástases.

A cirurgia continua sendo a principal modalidade terapêutica para muitos pacientes, frequentemente associada à radioterapia e, em determinados casos, à quimioterapia. Nos últimos anos, terapias-alvo e novas abordagens sistêmicas também passaram a integrar o arsenal terapêutico para alguns subtipos específicos.

Devido à complexidade da doença, especialistas recomendam que os casos sejam discutidos por equipes multidisciplinares formadas por oncologistas clínicos, cirurgiões oncológicos, radioterapeutas, patologistas e radiologistas com experiência em sarcomas.

“O principal objetivo do Julho Amarelo é aumentar o conhecimento da população sobre esses tumores. Embora sejam raros, o reconhecimento precoce dos sinais e o encaminhamento para centros especializados podem fazer diferença importante nos resultados do tratamento”, conclui Carolina Cardoso.

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