por Luiz Humberto Monteiro Pereira
jogoscariocas@gmail.com

Poucos atletas refletem tão bem a dedicação total ao esporte quanto Isaquias Queiroz. Ele tem 21 anos e só estudou até a 5ª série, quando deixou a pequena Ubaitaba, no Sul da Bahia, para seguir seu sonho de ser canoísta. “Ubaitaba é um nome indígena que significa ‘Cidade da Canoa’. Talvez esse seja meu destino. Na minha cidade, o primeiro presente de um menino é um remo e não uma bola de futebol”, diverte-se Isaquias. Com apenas 11 anos, foi treinar em São Vicente, no litoral paulista, com a preocupação de, sempre que possível, enviar algum dinheiro para a família – ajuda a mãe e 9 irmãos, sendo 4 adotados.

Depois de períodos no Rio de Janeiro e em São Paulo, há quase um ano Isaquias mudou-se para a mineira Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte. Lá fica a base de preparação da seleção brasileira masculina de canoagem de velocidade. Seus resultados o credenciam como uma das promessas para as Olimpíadas de 2016. Aos 17 anos, foi Campeão Mundial Júnior, em 2011. Em 2013, aos 19, tornou-se Campeão Mundial Adulto – e repetiu o feito em 2014. No Pan de Toronto, foram duas medalhas de ouro – no individual 1.000 e 1.200 metros – e uma de prata nas duplas em 1.000 metros. “Quero chegar no Rio 2016 com possibilidade de medalhas. Vou treinar bem forte”, avisa o atleta, que ainda não tem patrocinadores individuais e vive apenas da Bolsa Atleta Pódio, do Ministério dos Esportes, e do subsídio dos atletas do Time Brasil, do COB. E continua a ajudar a família em Ubaitaba.

Jogos Cariocas – Como se aproximou da canoagem?

Isaquias Queiroz – Meu primeiro contato foi em 2005, através do Programa Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes, na minha cidade, Ubaitaba. Eu tinha 11 anos e, quando entrei na canoagem, achei muito divertido. Comecei a praticar e o treinador percebeu que eu tinha algum talento e começou a me incentivar. Pouco tempo depois, o Programa Segundo Tempo ia acabar. Mas meu treinador disse que, se eu quisesse continuar, a canoagem estaria de portas abertas pra mim, mesmo sem o projeto. Minha evolução foi muito rápida e, quando fui campeão Sul-americano em 2009, tive que decidir entre continuar no esporte ou ajudar financeiramente minha mãe em casa. No início, com uma ajuda de custo de R$ 50 mensais ofertada pelo meu treinador, continuei no esporte, apenas me preocupando com meus treinamentos. Sempre tive que me virar como podia para ajudar na renda da família.

Jogos Cariocas – Qual é melhor parte de ser um canoísta? E a parte chata?

Isaquias Queiroz – A coisa legal é a oportunidade que tenho em conhecer lugares e atletas olímpicos de outras modalidades que jamais poderia conhecer se eu não fosse atleta. A coisa chata é a pouca visibilidade da modalidade, a dificuldade de conseguir patrocínios individuais e o pouco reconhecimento dos grandes resultados obtidos pelos atletas.

Jogos Cariocas – Como é a sua rotina?

Isaquias Queiroz – Foco todas as minhas energias para os treinamentos e competições. Preciso melhorar minha saída e resistência. Meu ritmo dos treinamentos varia de acordo com a orientação do meu treinador. Dependendo da fase do treinamento, planejamento e objetivos, treino pela manhã todos os dias da semana até sábado, a tarde somente segundas, quarta e sexta. Domingo é o descanso. Os treinos incluem aquecimento, treinamento na lagoa, musculação e técnica.

Jogos Cariocas – Como estão suas chances para as Olimpíadas de 2016?

Isaquias Queiroz – O que posso falar é que não será nada fácil. Minha expectativa é grande. É lógico que vou em busca do ouro, porque nada é impossível, principalmente por causa dos meus últimos resultados em campeonatos internacionais.

Jogos Cariocas – O fato de estar em casa pode representar uma vantagem para os atletas brasileiros? Ou será que pode atrapalhar?

Isaquias Queiroz – A torcida é sempre uma motivação a mais e o clima receptivo do povo brasileiro será a imagem mais marcante dos Jogos Rio 2016. Serão momentos de grandes emoções, principalmente porque, para muitos como eu, será a realização de um sonho participar da primeira experiência em Jogos Olímpicos e dentro do nosso país.

Jogos Cariocas –  Como avalia que está a organização do evento?

Isaquias Queiroz – Estou confiante que o Brasil tem todas as condições para realizar as melhores Olimpíadas de todos os tempos. Pode parecer meio confuso agora, mas o importante é que, no final, tudo vai dar certo!

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