A Cura Mortal encerra a saga Maze Runner nos cinemas com muita ação, sem dar importância às explicações

Por Mateus Petri

Sagas adolescentes que retratam futuros distópicos tem se tornado cada vez mais presentes no cinema atual. Na maioria das vezes sendo produzidos como adaptações de livros, esses filmes tem a difícil tarefa agradar os fãs que vem das obras literárias e abraçar o público que está tendo contato com aquele mundo pela primeira vez. Sagas como Jogos Vorazes, Divergente e a própria Maze Runner dão um bom panorama de seus universos nos filmes de origem, mas conforme as sequências vão sendo lançadas e a mitologia se aprofunda, as explicações vão ficando cada vez mais escassas, deixando o público que não conhece a história presente nos livros à deriva num gigantesco mar de significados.

Em A Cura Mortal, filme que põe um ponto final na saga Maze Runner nos cinemas, acompanhamos Thomas (Dylan O’Brien) e seus amigos em uma missão desesperada para resgatar Minho (Ki Hong Lee), capturado pela organização C.R.U.E.L. ao final do filme anterior, Prova de Fogo. A missão os leva direto para a Última Cidade, local que serve de base de operações da C.R.U.E.L. Como pano de fundo, ainda temos uma Terra desértica e desolada que sofre com a presença do Fulgor, vírus que quase dizimou a raça humana.

Filmes com a temática da distopia têm muitas discussões e reflexões a oferecer. No caso da saga Maze Runner, bate-se muito na tecla dos limites do ser-humano quando se trata de sobrevivência: Quais são os limites éticos e morais no que diz respeito à sua sobrevivência e a dos que estão a sua volta? Quais são os sacrifícios necessários para permanecer vivo?

Nos primeiros filmes, mesmo que não respondidas por completo, essas questões ao menos faziam da trama ou das motivações das personagens. Em A Cura Mortal, todas essas questões inerentes ao universo são deixadas de lado para dar espaço a um espetáculo grandiloquente que esteja à altura de um longa que conclui uma franquia. Seria muito mais louvável se o roteiro conseguisse adaptar a grandeza de Maze Runner ao mesmo tempo que desenvolve as questões que dão forma ao seu universo. E os problemas com o enredo não param por aí… Como próprio subtítulo do filme sugere, a trama do filme giraria em torno da busca de uma cura para o vírus Fulgor, o problema é que essa ideia é posta em segundo plano para a história se prestar quase que integralmente em mostrar a busca do grupo por seu amigo Minho. Portanto, com tal cenário exposto, qual motivação deveria vir primeiro a cabeça: salvar o amigo em uma missão suicidada, com a certeza de muitas perdas, ou se propor a um sacrifício mais lógico e buscar a cura para a doença que está destruindo seu planeta?

É nesse turbilhão de desinformações e subtramas mal amarradas que o longa perde o público que não conhece os livros da saga. Fica nítido que algumas coisas mostradas em tela estão ali puramente para satisfazer os fãs das obras literárias, pois são referências que só quem leu irá entender. Até mesmo as não-amarrações da trama podem ser completadas apenas com informações que estão presente nos livros…

Problemas a parte, o longa se salva -e muito bem- nos efeitos especiais e na construção das cenas de ação. A forma como o diretor Wes Ball conduz tais cenas contribui muito para manter o nível de tensão. Não há nenhum momento no filme que permita o público relaxar. Já os efeitos especiais se beneficiaram do o infortúnio de Dylan O’Brien, que durante as gravações de A Cura Mortal se acidentou gravemente. Devido a isso e ao adiamento de um ano da estreia do longa para que o ator se recuperasse, o processo de pós-produção teve mais tempo para trabalha nos efeitos visuais.

Em uma comparação direta com as outras franquias do mesmo estilo, Maze Runner é a que se mostrou mais regular. Não teve ótimos momentos como Jogos Vorazes, nem momentos tão ruins quanto. Apesar de ter diversos problemas, A Cura Mortal conclui bem o arco geral da saga. Maze Runner não é uma saga memorável, mas ganhou seu lugar de destaque entre as franquias adolescentes.