A despedida que Hugh Jackman merece

O retrospecto da franquia dos X-Men, e dos filmes solo do Wolverine, não é um dos mais regulares. Cheios de altos e baixos, os filmes dos mutantes sempre representaram discórdia entre os fãs. Logan, mais novo filme desse universo (e o último de Hugh Jackman na pele do Wolverine), não só promete acabar com essa dicotomia como também se mostra o melhor longa da franquia desde X-Men 2, e com certeza o melhor entre os filmes solo do personagem.

Ambientado em um futuro onde não nascem mais mutantes, Logan retrata um Wolverine velho, decadente e com dificuldade de lidar com os horrores de seu passado, tendo que cuidar de um Professor Xavier (Patrick Stewart) igualmente debilitado, transformado em uma ameaça devido à combinação de seus poderes mentais com a doença de Alzheimer. Em meio a todos esses problemas, surge Laura/X-23 (a incrível Dafne Keen), uma garota mutante que possui os mesmos poderes (e instintos animalescos) de Wolverine.

No caso de Logan, vale ressaltar que seu maior trunfo é a interpretação dos atores e as interações entre seus personagens. Jackman e Stewart entregam suas melhores atuações como Wolverine e Professor Xavier. As nuances sutis que cada um da a seu personagem torna a experiência de acompanha-los em tela extremamente satisfatória. Mas é a Laura de Dafne Keen que nos deixa vidrados no filme. É incrível ver como a jovem atriz demonstra enorme maturidade, e que fique registrado: ela manda MUITO bem nas cenas de ação!

Tanto no Brasil quanto nos mercados em que será lançado, o filme recebeu classificação para maiores, mas o que torna o filme adulto não são a violência ou os palavrões (Logan e Xavier usam e abusam do “fuck”) mas sim a relação entre os personagens. A interação entre Xavier e Logan é mais densa e muito mais dramática; ambos são tão verdadeiros quanto ríspidos um com o outro. E o mesmo vale para Logan e Laura. Por ter personalidade e poderes idênticos aos de Logan, a pequena garota está ali para representar a luta que o homem trava com seus demônios internos, e o fato dele passar a “controla-la” serve de metáfora para isso.

Mas o que falta a Logan é ritmo para desenvolver toda essa história. Por focar grande parte de seu tempo no diálogo entre os personagens, o longa possui momentos um tanto arrastados. Se tivesse 20 minutos a menos, o filme manteria a qualidade do desenvolvimento de seus protagonistas, mas seria muito mais eficiente, teria uma urgência maior.

E assim como os filmes mais recentes do Marvel Studios, Logan carece de um bom vilão. O principal antagonista, Donald Pierce (Boyd Holbrook, de Narcos) não convence como uma personalidade vilanesca em si, pois só está ali para fazer a trama girar. Ainda bem que se trata de uma trama boa…

Por ser o último filme de Hugh Jackman no universo dos X-Men, Logan encerra de forma digna a carreira do ator como Wolverine, estando à altura da grandeza que tanto o personagem quanto o próprio Jackman merecem. O que fica ao final do filme é um misto de satisfação com saudade, pois é o fim de uma era para um personagem que foi extremamente importante para o cinema de super-herói que é feito hoje. Bom que temos Dafne Keen, uma ótima atriz que veio para continuar o legado de Wolverine como a X-23.

Nota: 8,5/10

Crítica por: Mateus Petri