O Partido Socialista Brasileiro (PSB) conquistou 44 prefeituras em todo o Estado de São Paulo nas eleições de 2016. Destas, Guarulhos figura como uma das mais importantes, ao lado de Campinas – dois dos maiores PIBs paulistas, atrás apenas de Osasco e da própria Capital. Esses municípios são estratégicos para angariar votos para o pouco conhecido governador Márcio França, que disputa a reeleição neste ano, e aparece em terceiro lugar nas pesquisas, com 12% das intenções de voto.

O prefeito Guti caiu na graça de França, mas precisa mostrar nestas eleições se realmente tem uma força política sólida, uma vez que há em Campinas o experiente Jonas Donizette, reeleito em 1º turno com 65% dos votos válidos, atual presidente da sigla e quem, portanto, decide as estratégias nestas eleições (leia-se distribuição da verba partidária). Nos bastidores, acredita-se que há uma pequena rixa entre os dois políticos; afinal, Guti estava crescendo rapidamente no partido, chegando à vice-presidência estadual do PSB, logo, precisando de um pequeno breque.

Guti precisa fazer bonito no pleito deste domingo e eleger seus candidatos, além de conquistar uma votação considerável para Márcio França aqui na cidade. O grande problema é que o jovem prefeito não tem um estadual próprio, apoiando o filho do governador, Caio França e, portanto, caindo em contradição ao apoiar um “forasteiro” – principal mote usado contra Eli Corrêa Filho, seu adversário em 2016. A sua candidata para a Alesp, Andrea Viegart, que não se descompatibilizou do cargo de diretora na Prefeitura a tempo, desistiu da candidatura antes da decisão final do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Os advogados de Guti até tentaram correr atrás do prejuízo dizendo que o partido solicitou para Andrea “que não desistisse da sua candidatura, se comprometendo a lhe fornecer algum apoio financeiro para suportar os compromissos eleitorais outrora assumidos, pois se trata de única candidata (sexo feminino) do PSB na cidade de Guarulhos, importante quadro do Partido”. A apelação não deu muito certa e o TRE manteve a sua decisão.

Do outro lado, Eduardo Soltur, presidente da Câmara Municipal, luta para conquistar uma vaga em Brasília com uma campanha bem menor do que gostaria e também do que pensou que teria. Não suficiente, ainda tenta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o deferimento da sua candidatura, que foi negada pelo TRE. Se negada, mesmo que obtenha votos suficientes, Soltur não poderá assumir o mandato, podendo, ainda, ficar inelegível também em 2020.

O cenário que será montado na segunda-feira, 8, será uma prévia para as eleições de 2020. Quem conseguir uma vaga na Alesp ou em Brasília poderá se cacifar na corrida para o Bom Clima, como é o caso do Jorge Wilson (PRB), até então aliado de Guti; Alencar Santana e Elói Pietá, ambos do PT, e Sebastião Almeida (PDT), além de, evidentemente, Eli Corrêa Filho (DEM), embora se cogite que sua esposa, Francislene Almeida, é que sonha com a cadeira de prefeito. Esta eleição servirá também para saber se o atual prefeito ainda goza de credibilidade suficiente para fazer o eleitorado acreditar que os seus candidatos são boas escolhas para Guarulhos.