Por Cris Marques
Fotos: Arquivo pessoal e banco de imagens

Escolher uma nova escola para os filhos ou até mesmo a primeira, no caso dos pequenos da educação infantil, não é uma tarefa fácil, mas, com reflexão, sensibilidade e bom senso, essa decisão se torna possível e assertiva. Anita Lilian Zuppo Abed (foto), psicopedagoga da Mind Lab e consultora da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) explica que não existe o local certo ou ideal e sim a melhor escolha que pode ser feita e que, para isso, pais ou tutores precisam se conhecer e conhecer a criança para depois buscar uma instituição de ensino. “As mais modernas teorias da aprendizagem mostram que as pessoas não aprendem todas do mesmo jeito; umas são mais criativas, outras mais lógicas ou até sentimentais. O ser humano varia muito de personalidade e, por isso, cada um precisa de um ensino diferente”.
Para ela, uma boa forma de começar é pensar no que os psicopedagogos chamam de método do espelho. Assim, a família deve olhar para si mesma e questionar o que considera importante e quais são seus valores e, principalmente, quais as necessidades do menor. Depois vem a questão pedagógica: metodologia de ensino, material utilizado, profissionais, formas de avaliação… E, por fim, outros aspectos como custo-benefício, espaço físico, atividades extras, distância da casa e diferenciais. “Se eu tenho um filho extremamente criativo e que está sempre com uma ideia nova na cabeça, não adianta colocá-lo em um colégio tradicional; assim como um jovem com ‘papo cabeça’ e que gosta de fazer cálculos não vai se dar bem em uma escola alternativa. E não é só questão de não adaptação, essa inadequação pode gerar até mesmo um problema de aprendizagem reativo, ou seja, resultante de uma causa externa à estrutura familiar e/ou individual”.

 

O início da vida escolar

Com a rotina agitada das famílias e, em alguns casos, ambos os pais trabalhando fora, hoje em dia é comum que os filhos ingressem cada vez mais cedo na vida escolar. Fernanda Fernandes (foto), pedagoga e psicopedagoga, afirma que esse aspecto é importante, pois em casa nem sempre existe o estímulo ideal e contato com outras pessoas. “A escola sempre é positiva, pois leva a criança a explorar mais, viver novas experiências e se socializar”. Segundo ela, ainda no caso dos pequenos, alguns fatores específicos devem ser levados em consideração antes de bater o martelo. “Verifique se eles têm acompanhamento individual do desenvolvimento do aluno. Questione sobre os horários das reuniões de pais e mestres, se eles disponibilizam relatórios sobre as vivências, produções e aprendizagens e também sobre a proteção de todos os pontos potencialmente perigosos do prédio, para que não ocorram acidentes. Além disso, consulte alvará de funcionamento e também o certificado da Vigilância Sanitária, são itens importantes e que às vezes passam, pois nos preocupamos com outras coisas e nos esquecemos de averiguar questões um pouco mais burocráticas como essas”, alerta.

 

Metodologias de ensino

Um critério fundamental e que pode facilitar na hora da escolha é conhecer a linha pedagógica oferecida pela instituição. Por meio dela é possível entender o que o colégio usa como base para seu ensino e como lida com a individualidade da criança. “Para tomar a decisão usando esse critério, é importante verificar qual melhor se enquadra com o perfil do filho e a expectativa dos pais. Isso dá uma boa visão do que será desenvolvido quanto a senso crítico e repertório”, afirma Fernanda. Anita também reconhece a importância da decisão por meio das metodologias, mas defende que, por vezes, elas podem ser muito técnicas. “Isso é muito bom para quem é pedagogo; já para quem é leigo nessa área, como o pai, não necessariamente. Por isso, tem que ter uma boa conversa, ver o material didático que eles usam, questionar o que é mais importante e quais as prioridades”.

Conheça as linhas pedagógicas mais comuns e suas principais características:

Construtivista: baseia-se na construção do conhecimento, na qual o aluno é levado a criar hipóteses que fazem parte do processo da aprendizagem, de acordo com as fases de desenvolvimento do aluno.

Tradicional: transmissão de conhecimentos para a formação geral do aluno e preparação para provas que exijam conhecimento acumulado, como Enem e vestibular.

Montessoriana: baseada na pedagogia criada por Maria Montessori, na qual o aluno é incentivado a desenvolver o senso de responsabilidade pelo aprendizado, o trabalho é feito por agrupamentos em séries ou ciclos e tem como principal fator a individualidade.

Waldorf: criada pelo filósofo alemão Rudolf Steiner, a ideia é que a turma seja acompanhada por um mesmo professor durante vários anos e que cada um aprenda de uma forma mais lúdica e de acordo com seu ritmo intelectual, físico e espiritual.

 

 

Visitando a escola

Conhecer, literalmente, a escola também faz parte das primeiras coisas que devem ser observadas. O momento também é propício para esclarecer toda e qualquer dúvida que tenha surgido até então. “O pai pode verificar a existência de locais amplos, com espaço para movimentação da criança, locais para as atividades específicas, materiais disponíveis para estimular a capacidade de cada faixa etária e a questão da segurança, como proteção de janelas, portas, quantidade de escadas e também acessibilidade”.

Normalmente, as instituições de ensino disponibilizam um horário específico para isso, mas Fernanda também aconselha que sejam feitas visitas “surpresas”, para observar, de fato, o funcionamento, limpeza e rotina. Ela também indica que a criança não acompanhe os pais nas visitas iniciais, entrando no circuito apenas quando restar poucos colégios, para não dificultar ainda mais a decisão. “Quando tiver eliminado outras opções, leve a criança e observe se ela se sente bem naquele ambiente, como os profissionais a tratam e se ela gosta”.

 

Diferenciais

Outros aspectos também podem ser interessantes para fazer a escolha final ou até desempatar: atividades extras e períodos oferecidos, horário estendido, acompanhamento de nutricionista, presença de educação religiosa e/ou sexual, tempo de funcionamento e até tradição nos esportes. “Diferenciais são importantes, mas é preciso verificar o custo-benefício disso. Sobre o integral mesmo, existem escolas que oferecem atividades direcionadas no tempo em que o aluno não está em sala, já outras apenas ficam com a criança até o momento que o pai vai buscar. Com relação ao ensino religioso, vale lembrar que, de acordo com a Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ele deve ser facultativo para assegurar o respeito à diversidade de credos e não tentar impor um dogma ou converter alguém. Acredito que o mais importante é que seja um espaço onde cada um possa expressar suas ideias e credos de forma livre, que ensine e transmita a tolerância”, analisa Fernanda Fernandes.

 

O peso da escolha

Por fim, apesar do peso dessa decisão, afinal os pais precisam ter em mente que a escola será como a segunda casa para a criança, que ela passará boas horas lá dentro e a maior parte de sua socialização acontecerá lá também, a psicopedagoga Anita Lilian Zuppo Abed afirma que errar faz parte do processo. “Escola a gente troca; o filho, não. O ser humano é muito complexo; então, os pais não precisam se sentir culpados se a escolha não foi boa. Não dá para ter certeza, não é uma equação matemática. Então, fique atento e sensível e tente fazer o seu melhor”. Além disso, ainda existe a opção de uma consulta com um psicopedagogo que pode avaliar melhor a criança e indicar algumas instituições. “Para uma escolha inicial, não vejo tanta necessidade, mas se a criança começa a não gostar da aula, ir mal ou tirar nota baixa, é recomendado. O profissional pode ajudar a família a entender o que está acontecendo e, se for o caso, indicar uma troca de colégio”, finaliza.

 

E o material escolar?

Depois da decisão e com o filho matriculado, outra coisa acaba tirando o sono dos pais: a compra do material escolar. De acordo com dados do Procon, algumas dicas são importantes para economizar e garantir seus direitos:

• Separe os materiais do ano anterior e veja se há produtos que podem ser aproveitados;
• Pesquise antes de comprar; se necessário, compre em lojas diferentes ou pela internet;
• A escola não pode exigir marcas de produtos ou locais onde comprar o material;
• Itens de higiene pessoal, material de escritório e de uso comum não podem ser pedidos pelo colégio;
• Não leve as crianças para a compra; em geral, elas optam por produtos mais caros, que têm personagens ou são mais atraentes.

Confira a pesquisa que a Revista Weekend fez para você e conheça os preços de duas grandes redes de varejo presentes na cidade:

Kalunga Armarinhos Fernando
Apontador c/ depósito A partir de R$ 2,70 A partir de R$ 0,90
Borracha branca látex A partir de R$ 1,20 A partir de R$ 2,60
Caderno brochura A4, 96 folhas A partir de R$ 7,90 A partir de R$ 3,60
Caderno brochura 1/4 capa dura – 96 fls A partir de R$ 4,50 A partir de R$ 2,50
Caderno universitário capa dura espiral – 1 matéria (96 fls) A partir de R$ 5,90 A partir de R$ 5,50
Caneta esferográfica cristal (diversas cores, 3 unidades) A partir de R$ 3,90 A partir de R$ 3,99
Caneta hidrocolor estojo c/ 12 cores A partir de R$ 5,90 A partir de R$ 2,99
Cola branca lavável tubo A partir de R$ 1,70 A partir de R$ 0,80
Tubo de cola bastão (10g) A partir de R$ 2,99 A partir de R$ 0,60
Giz de cera – caixa com 12 cores A partir de R$ 1,50 A partir de R$ 2,30
Lápis de cor longo caixa com 12 cores A partir de R$ 3,20 A partir de R$ 2,70
Lápis preto nº 2 – 4 unidades A partir de R$ 3,50 A partir de R$ 1,50
Régua de 30cm, transparente A partir de R$ 1,90 A partir de R$ 2,50
Tesoura sem ponta A partir de R$ 2,40 A partir de R$ 1,10
Marcador de texto A partir de R$ 1,79 A partir de R$ 2,30

 

Contribuindo com a educação do País

Com o objetivo de criar um currículo nacional, o Ministério da Educação convocou profissionais da área para a elaboração da Base Nacional Comum Curricular – documento preliminar do material que pretende apontar o que todo estudante brasileiro precisa aprender, desde a educação infantil até o final do ensino médio. E para que a BNC faça a diferença na formação dos brasileiros, o MEC resolveu abrir uma consulta pública, que vai até 15 de março, para que professores e estudantes, escolas e secretarias de educação, associações profissionais e sociedades científicas, pesquisadores e pais possam dar a sua contribuição. Mais do que opinar, é possível manifestar-se sobre qualquer texto ou objetivo de aprendizagem que compõe a base, emendar, aperfeiçoar a redação original, ou mesmo excluir ou incluir novos objetivos. Conheça e participe!

 

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