A guerra eleitoral está apenas começando

Não bastasse a polêmica sobre qual pesquisa erra mais ou menos, não bastasse haver na cidade dois jornais com o mesmo nome, um publicando uma pesquisa e outro publicando a que é bem diferente da primeira… Não bastasse a guerra de egos, para definir quem consegue gastar mais em uma campanha eleitoral… Agora surge a guerra de uns apontando os dedos para outros, acusando-os de ter ligações com o PT.

É mesmo! Até há alguns meses, estavam quase todos abrigados sob o doce manto da administração municipal que, não por acaso, é do PT desde 01/0/2001.

Na manhã desta quinta-feira, estava sendo distribuído material impresso do Movimento Vem Pra Rua, com acusações ao pré-candidato a prefeito pelo DEM, o deputado federal Eli Corrêa Filho. Entre outras acusações, apontava que ele teria recebido doações de empreiteiras que estão arroladas na Operação Lava-Jato e que vários dos políticos ou partidos que o apóiam eram aliados ao PT até recentemente.

O vereador Romildo Santos (ex-PSDB e atualmente no DEM) e o presidente do PMDB local Rabih Khalil (ex-secretário do Trabalho da gestão Almeida) abordaram pessoas que estavam distribuindo os impressos, apreenderam o material, chamaram a Polícia e os distribuidores foram levados à delegacia.

Um dos entregadores disse que havia sido contratado por um tal Max. Como Max é um personagem conhecido no meio jornalístico por comandar a distribuição dos jornais do Farol e Guarulhos Hoje, logo se concluiu que o diretor desses veículos, Luciano Maciel, estaria por trás da publicação, classificada pelos dois políticos como apócrifa.

O QG de Eli Corrêa distribuiu nota afirmando que ele não aceitará baixaria e que está tomando as providências cabíveis contra os infratores.

Não sei quem tem razão. Não sei se Luciano tem algo a ver com o tal panfleto. Não sei quem imprimiu. Não sei quem pagou. Mas, tenho a seguinte opinião:

  1. Quem está na chuva é pra se molhar. Até agora, Eli Corrêa teve concorrentes nas eleições que disputou para deputado, estadual e federal. Nunca teve efetivamente adversários. Para prefeito, é diferente. Não quero com isso defender ataques levianos a quem quer que seja. Mas uma coisa é disputar vaga para Filosofia; para Medicina, é mais complicado.
  2. Se o folheto é identificado como do Vem Pra Rua, movimento que ficou conhecido nas manifestações contra Dilma, não é apócrifo. Além do mais, Antonio Carlos Fuscaldo apresentou-se à delegacia e assumiu que o folheto é do VPR, do qual ele é membro. Ele é filho de Antonio Carlos Posse Fuscaldo, presidente local do PPS, partido que está na coligação de apoio ao pré-candidato do PSB, Guti. O pai, entretanto, não tem ligação com o Vem Pra Rua.
  3. Foi apontado ser apócrifo, por não ter assinatura de jornalista, nem constar a gráfica onde foi impresso. Isso seria necessário se fosse jornal. Sendo panfleto, não precisa.
  4. Foi apontado que por ser panfleto, não poderia ser distribuído nas ruas, de acordo com o Código de Posturas. É verdade. Caberia à fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Urbano fazer a apreensão. Não a membros de partidos políticos, ainda que um tenha mandato eletivo.
  5. Foi apontado que o folheto contém calúnias. Quem se sente ofendido deve recorrer a autoridade judicial, buscando obter uma medida liminar que determinasse a apreensão. Creio que conseguiria de imediato. Ou seria negada de imediato.
  6. Quais seriam as calúnias? O TSE disponibiliza as prestações de contas dos candidatos e, ainda que tenha sido feitas de forma absolutamente legal, houve doações das empresas mencionadas e é verdade que elas estão na Lava-Jato. Não quer dizer, entretanto, que o pré-candidato tenha algo a ver com as denúncias apuradas pela megaoperação da PF. Quanto às ligações de apoiadores de Eli Corrêa com a gestão municipal do PT, são notórias. João Dárcio (PTN) foi secretário de Segurança Pública durante toda a segunda gestão Almeida, só saindo na data-limite de desincompatibilização. Rabih Khalil era do PTdoB e como tal comandou por longo tempo a Secretaria do Trabalho. O vereador Lamé era do PTdoB, da base de apoio do prefeito e mudou há pouco para o PMDB, partido comandado por Rabih Khalil, que apóia Eli. O ex-vereador Vadinho Moreira (PSL) era secretário-adjunto e o atual deputado Gileno (PSL), que apóia Eli, era da base de apoio do prefeito quando vereador. Alguns vereadores recém-filiados ao DEM eram da base de apoio. O PRTB tem diversos membros que eram do PT, do PCdoB e outros aliados ao PT. O líder do PEN, ex-vereador Abdo Mazloum, foi secretário de Assuntos Legislativos da gestão Almeida quando era do PDT.
  7. É bem verdade e notório que outras coligações também têm pessoas até recentemente ligadas à gestão petista, como é o caso do PHS do vereador Americano e do presidente Lindemberg Thomé, o PMB da vereadora Verinha e seu irmão Eraldo, e o PP de Kiko Magalhães, três partidos que estão com o pré-candidato Martello (PSD). Outros partidos da base (Pros-PSDC-PTC-PMN-PRP) e os vereadores Toninho Magalhães, Vitor da Farmácia, Alexandre Dentista e João Barbosa estão com o pré-candidato Jorge Wilson (PRB), partido que também é da base de Almeida. O pré-candidato do PTB, Wagner Freitas, foi secretário de Esportes até há poucos dias e mantém o controle da Secretaria, por meio do ex-adjunto Dudu, seu aliado.
  8. Em defesa do folheto, alguém disse que recolhê-lo é atentar contra a liberdade de imprensa. Não é o caso, já que não se trata de jornal. Talvez seja contra a liberdade de expressão. Há que avaliar até que ponto caberia aplicar o Código de Posturas.
  9. Como não sou advogado, não sei se os policiais poderiam ter conduzido os distribuidores ao distrito.
  10. Os eleitores precisam ficar espertos. De agora até o dia da eleição, o que não vai faltar são acusações de tudo quanto é lado. A guerra eleitoral está apenas começando.

 

(texto editado, porque na postagem original, atribuí erroneamente ao presidente do PPS ligação com o Vem Pra Rua, quando, na verdade, o filho dele é que é membro do Movimento)

 

Valdir Carleto