A multi associação que tem quatro mulheres idealistas como base

No ano passado, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE e realizada em 2015 com a maioria de jovens entre 13 e 15 anos, concluintes do 9º ano em escolas públicas e privadas do Brasil, constatou que 55,5% dos entrevistados já experimentaram bebidas alcoólicas e 9% usaram drogas ilícitas. Provavelmente, você esteja se perguntando o que esses dados têm a ver com a Aciseg (Associação Cultural Interligada Social Esportiva Guarulhos). Na verdade, têm tudo, já que o foco da associação, sem fins lucrativos, é a prevenção. Atender crianças de 10 a 12 anos antes que os números citados acima aumentem mais e mais. “O nosso objetivo é tirar a molecada da rua. Hoje é mais fácil comprar droga – com uma ligação ela chega na sua porta – do que pão, que você tem de ir até a padaria para conseguir. Então, a gente quer ocupar a mente dessas crianças com atividades”, explica Mara Cristina Munhato, que convidou as amigas Marisa Panucci, Silvia Chaves e Elisabete Ramos para somar com seus projetos nas áreas de cultura, social e esporte na Aciseg.

Mara é formada em Educação Física e iniciou no handebol como atleta em 1973. Em 1978, convidada pelo professor Bernardes, começou a trabalhar com as categorias de base do handebol feminino de Guarulhos. Ficou afastada por um tempo, mas agora retoma com o objetivo de resgatar a memória do handebol por intermédio da Aciseg, a qual ela gosta de traduzir com o slogan “Assim segue”. “O meu objetivo é fazer vários polos de handebol nos CEUs (Centros de Educação Unificados) da cidade. Pegar crianças de 5 a 7 anos e começar a trabalhar com elas. Os profissionais serão meus ex-atletas formados em Educação. Só falta o ‘sim’ da Secretaria de Esportes”, afirma Munhato.

Entre Iguais

À frente das atividades culturais e sociais da associação está a professora de educação física Marisa Panucci, também coordenadora do grupo Amor-Exigente (Bom Clima), que em breve migrará para as instalações da Aciseg. Na escola estadual onde leciona, Marisa criou a Boa Cia. Teatro e Dança, a qual conta com a ajuda do professor Eder Araújo, e, no ano passado, montou a peça “Aedes Eu Mato – Do Ciclo de Reprodução ao Limiar Vida e Morte” com cerca de 40 alunos, dos quais convidou sete deles, que mais se destacaram, para participar do projeto “Aciseg Jovens Entre iguais”.

O Entre Iguais é formado por uma turma de alunos de 13 a 14 anos, que dará aulas de dança, espanhol, comunicação e expressão baseada na literatura e até reforço escolar de matemática para outros jovens. “Eles são formados? Não. Mas é como se estivessem ajudando o irmão mais novo. O objetivo do Entre Iguais é oportunizar talentos, oferecer aprendizado fora da escola e a interação entre jovens da mesma idade, além da criação de pontes de ações sociais”, explica Marisa.

Nesse projeto, a professora Marisa ainda quer criar o Encontrão, que vai reunir jovens de até 17 anos para discutir temas como a sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, aborto, gravidez na adolescência e sexo, entre outros. “No Encontrão, esses jovens terão a oportunidade de se expressar. Eles não vão ficar quietos ouvindo alguém falar. E além disso, cada um vai trazer um prato doce ou salgado, bebida (sem álcool) e nós vamos colocar música para eles dançarem, se expressarem, se conhecerem e perceberem que é possível se divertir sem drogas”, completa Panucci, que para aproximar ainda mais a família das atividades de seus filhos, cita outros projetos como o zumba kids e sertanejo pom pom, que será formado por crianças que farão apresentações nos intervalos dos jogos de handebol.

A captação de alunos para esses projetos será realizada nas escolas, sejam elas públicas ou privadas. “Esperamos que as diretoras das escolas adjacentes, que tenham até sexto ano, nos deixem conversar e apresentar esse projeto. Fazer essa divulgação para as mães e trazer essas crianças para cá, para a Aciseg. Eu espero que o espaço aqui fique tão pequeno que a gente tenha que mudar em seis meses para um lugar maior”, anseia Marisa.

Amor-Exigente

O Amor-Exigente é um programa de auto e mútua ajuda que desenvolve preceitos para a organização da família, a partir de doze princípios básicos e éticos (conforme tabela ao lado). Marisa conheceu o Amor-Exigente por conta de uma dificuldade enfrentada dentro de casa, quando descobriu que sua filha de 17 anos era dependente química. “Minha filha ficou 11 meses e 13 dias internada em uma instituição. Adoecemos, morremos vivas e ressuscitamos. Aí vem a co-dependência que é tratada no Amor-Exigente”, conta Marisa, que depois de ter encontrado ajuda no grupo, fez duas capacitações e hoje é coordenadora e ajuda outras famílias a se reconstruírem. O programa tem cinco grupos espalhados por Guarulhos. O do Bom Clima, que oferece atendimento na ASMG (Associação dos Servidores Municipais de Guarulhos), está prestes a se mudar para a Aciseg. Interessados podem entrar em contato com a Marisa para obter mais informações de como participar: (96380-3388 – WhatsApp).

12 Princípios Básicos e Éticos do amor-exigente:

1. Respeitar a dignidade da pessoa humana;
2. Manter sigilo em relação a depoimentos e identidade dos participantes do seu grupo. O sigilo somente poderá ser quebrado com autorização expressa do interessado quando houver risco para si próprio ou para terceiros;
3. Ser fiel, honesto e verdadeiro na vivência e na transmissão da proposta de vida de sua família;
4. Respeitar e cumprir as regras dos “grupos” onde você atua;
5. Transmitir seus princípios, seus valores, observando as possibilidades de cada um;
6. Relacionar-se fraternalmente com líderes e membros dos grupos a que pertence;
7. Agir com respeito a fraternidade no relacionamento com seus parentes e afins;
8. Manter o caráter cooperativo e voluntário de seu grupo familiar;
9. Partilhar no grupo familiar sobre eventuais problemas incompatíveis com sua proposta de vida;
10. Promover a espiritualidade do seu grupo familiar respeitando cada um;
11. Não usar seu grupo para obter vantagens individuais de qualquer natureza;
12. Evitar disputas de poder, dinheiro e outras divergências entre os seus.

O que você pode doar para a Aciseg:

• cadeiras plásticas;
• cadeiras universitárias;
• lousa (quadro branco);
• dicionário Espanhol/Português;
• livros de matemática do 1° ao 5° ano;
• violão e suporte;
• mural (cortiça/cavalete);
• mesinhas para curso de manicure;
• espelho para aula de dança;
• ventiladores;
• bebedouros;
• material lúdico para matemática
do 1° ao 5° ano.

COMF – Centro de Orientação da Mulher e da Família

Além da Marisa, a Silvia Chaves, professora de Artes Plásticas e de Educação Física, também tem um projeto social na associação, só que voltado para a mulher e a família, que é o COMF (Centro de Orientação da Mulher e da Família). Silvia trabalha na Secretaria de Esportes, foi goleira de handebol e hoje treina goleiros de alto rendimento. É pós-graduada em Pedagogia e tem MBA em Gestão de Pessoas. “Eu sempre gostei de atuar na promoção da qualidade de vida. Dei aula de ginástica, de dança, com a terceira idade e ajudo mulheres há mais de 20 anos. No começo, só trabalhava o físico, depois fui descobrindo que tinha de fazer um projeto mais abrangente”, conta a idealizadora do COMF.

A função desse projeto é oferecer um espaço agradável, um centro de orientação e de referência para a mulher. Um ponto de encontro e de convívio, onde ela se sinta bem. “O COMF foi criado pela sobrecarga da mulher. Aqui nós vamos trabalhar a auto-estima, autonomia financeira e valorização. Vou dar cursos de etiqueta e comportamento social, maquiagem, técnicas do andar”, explica Silvia, que ainda quer implantar o projeto ‘Educando-se para Educar’, na Aciseg. “A família é o centro de tudo e não o aluno. Primeiro você se educa para depois passar a educar o outro. Eu sugiro criar espelhos. Uma geração com espelhos”, conclui Chaves, que nesse primeiro momento vai trabalhar com a turma de co-dependentes da Marisa (público misto,) mas já está em processo de formação da primeira turma de mulheres do COMF.

A quarta mulher da Aciseg, mas não menos importante, é a Elisabete Ramos, uma das sócias e também responsável pela manutenção e organização da associação. O que ela, Mara, Silvia e Marisa mais querem através da Aciseg é salvar vidas. “Prevenção é tudo. E aqui nós queremos semear. Imagine que a Aciseg é um terreno. Nós estamos colocando a terra e as sementes e queremos cuidar dessas sementes. Queremos que elas germinem e floresçam. A Aciseg é isso, através da cultura, do esporte e do social”, finaliza Marisa.
Interessados em se voluntariar, se inscrever nos cursos ou atividades, ou ainda ser um apoiador como o Despachante Pinhal e a Micca Figueiredo, além dos colégios (fotos acima), podem entrar em contato pelo telefone: 2358-3148 ou pelo celular 97493-1122 (Mara).