A música na década de 2000

O que você estava ouvindo exatamente no ano de 2000? Eu estava ouvindo Ana Júlia do Los Hermanos, baixada em mp3 pelo Napster, tocada pelo Winamp no computador. Mas eu também estava ouvindo É O Tchan!, Falamansa, CPM22, Pitty, Charlie Brown Jr, Evanescence, Linkin Park, Korn, Foo Fighters, Silverchair, Backstreet Boys, Britney Spears, The Calling, Barão Vermelho, Titãs, U2, Caetano Veloso, Pearl Jam, Skank, LS Jack, Capital Inicial, Ivete Sangalo, Rouge, KLB, Wanessa Camargo, Natiruts, Planta e Raíz, Marisa Monte, Kelly Key, Latino com sua festa no apê e muito mais. Era o que todo mundo estava ouvindo na época. Uma bagunça musical, num cenário que tanto a música nacional quanto a internacional estavam sem identidade definida e descontrolada com a invenção do mp3 e toda a questão dos downloads, fazendo com que cada vez mais pessoas deixassem de comprar CDs, o que de certo modo enfraqueceu o mercado, mas acabou movimentando o outro lado.
O início da década de 2000 também trouxe à tona nitidamente grupos de surfistas, skatistas, roqueiros das mais variadas vertentes como: metaleiros, góticos, emos e também os roqueiros apenas roqueiros, entusiastas do forró universitário, do funk do morro, do axé, das ‘boy bands’ brasileiras, do reality show musical, os clubbers e muito mais.
Foi ainda a época do fim do mundo, do auge da MTV Brasil (Music television), da volta do Rock in Rio e do sucesso das rádios populares como a 89FM, Mix, Jovem Pan, entre outas. De certo modo, mesmo que com um cenário indefinido e com muitas bandas ainda no começo de carreira, buscando uma roupagem para assumir, a música do início dos anos 2000 exerceu uma importante influência na formação cultural, no comportamento e no estilo de muita gente. Afinal, quem é que não ouviu Creed e Nickelback para treinar pronúncia nas aulas de inglês, ou foi à praia ao som de ‘Com Certeza’ do Planta e Raiz, não dançou um ‘Xote dos Milagres’, do Falamansa, correu atrás do trio elétrico ou foi em uma micareta pelo menos uma vez na vida?!

Eu vivi

A jornalista Vivian Fróes começou sua relação com a música nessa época e até hoje é ligada a isso. “No início rolava um Rouge, mas depois me apaixonei pelo CPM 22 e logo em seguida conheci Forfun, minha banda favorita até hoje”, conta Vivian. tchan2A fotógrafa Joyce Cavichio estava literalmente vivendo a bagunça da indústria musical da época. “Eu estava no colegial, gostava de dançar É o Tchan!, mas também ouvia Backstreet Boys, Spice Girls, o CD Neon Ballroom, do Silverchair e o Americana, do Offspring. Meu cabelo era meio roxo e eu era estranha”, comenta.
Já o estudante de jornalismo Danilo Fernandes resistiu um pouco às novidades da época. “Eu tive muita resistência com a música dos anos 2000. Era muito apegado à música dos anos 90 (e de outras décadas anteriores), era adolescente e não queria ceder às ‘modinhas’. Fui reconhecer o valor de algumas bandas bem depois. Acho que principalmente o início da década foi confuso. A indústria se perdeu com a internet, o rock foi sendo deixado de lado e até hoje não acharam o caminho. Das coisas que fizeram mais sucesso, destaco os primeiros discos do Coldplay, os do The Killers, do Strokes e o Audioslave, que teve uma estreia matadora, mas depois ficou sem graça”, explica o estudante.
“Eu ouço a música dos anos 2000 até hoje. Acho que toda geração é assim, fica com apego nas músicas da adolescência, que é quando a gente fica mais ligado em bandas e em novidades. Hoje em dia se você me perguntar qual é a banda da moda, eu não sei dizer. Aquela época era Linkin Park. Lógico que ouço músicas novas, que são lançadas agora, tanto de artistas novos quanto dos que eu já gostava desde sempre, mas essas músicas dos anos 2000, até mesmo as que a gente não gostava (ou porque era clubber, ou porque era roqueiro ou porque era pagodeira), escuto hoje e elas trazem tantas lembranças e tantas recordações. O sentimento é bom, sabe?”, finaliza Vivian. E nesse clima de nostalgia, mas em meio a muitas novidades boas, vale aguardar ansiosamente o que será evidência musical na próxima década. Algum palpite?!

Por Talita Ramos