Fotos: Rafael Almeida

Natural de Uberaba (MG), Ivone Pontes Moraes cogitava estudar direito. Mas, cursou contabilidade e, em meados da década de 1960, preferiu ir morar nos EUA, para estudar inglês e trabalhar em escritório. Porém, por três meses foi baby sitter. Ter assumido a tarefa de levar uma carta de uma família brasileira a um parente levou-a a conhecer o jovem com quem viria a se casar. Antes, por intermédio dele, soube que a seguradora John Hancock precisava de uma datilógrafa. Obteve a vaga e atuou 15 anos na empresa, na área de serviços de saúde, ocupando várias funções, até voltar para o Brasil, onde estudou administração de empresas. Em 2003, ficou viúva. Em 2009, casou-se com o advogado Mylton Mesquita, que também ficara viúvo. Ivone dá aulas particulares de inglês, em sua casa, cujas paredes ostentam diversos quadros que ela mesma pintou.
O que é ser elegante, em sua opinião?
Não é ser elegante apenas no vestir: é no falar, nas atitudes, no caráter, no tratamento com as pessoas.

Quais suas marcas prediletas?
De roupas, não tenho. Provei, gostei, é o que importa. Creme, eu uso só Clinic, que conheci quando morei nos Estados Unidos. Aliás, como vou muito para lá, gosto de comprar roupas em Rehoboth, estado de Delaware, onde são bem em conta, porque não tem o adicional de imposto. Há dias em que há descontos para a terceira idade (risos).

Como vê hoje sua atitude de ir morar lá?
Acho que fui muito independente, corajosa. Os amigos de papai admiravam essa ousadia e as amigas de mamãe sentiam inveja, porque era algo inusitado na época; não era tão fácil como hoje.

O que não pode faltar em sua nécessaire? Ou qual seu ritual antes de sair?
Batom. Aliás, também meus cremes e brincos. E contorno nos olhos. Não saio na rua nem isso. Parece que me sinto nua sem isso.

Peças obrigatórias no seu guarda-roupa:
Gosto de longo, vestido de tamanho normal, pantalona, capa de frio e também blazer, porque a gente sai e não sabe se vai esfriar. É bom estar protegida. Acostumei-me a agir assim em Nova York.

Perfume preferido:
Coco Chanel; único, pois não gosto de variar.

Filme que marcou:
Gosto de “Ghost”, filmes espiritualizados como o “Nosso Lar” e romances em geral.

Considera-se romântica?Ivone Mesquita
Até certo ponto, sou sim. Gosto de agradar meu marido…

Uma viagem inesquecível:
Alasca, sem dúvida. E também o deserto de Atacama. São viagens para se fazer uma só vez, mas maravilhosas.

Livro que recomenda:
Estou lendo “Alaska”, de James Michener. Entre os brasileiros, aprecio Paulo Coelho e livros que falam de Francisco de Assis. Gosto também dessa série, que tem o “1808”, de Laurentino Gomes. Fala da fase do Brasil Colonial, é bem interessante.

Hobby:
Tenho vários. Pintar é um deles, amo fazer crochê e cozinhar. Divirto-me na cozinha, com meus cookies, pães de mel e, mineira que sou, pão de queijo, lógico!

Prato predileto:
Gosto de comida adocicada, que tenha um contraponto, como carne suína com purê de maçã, ou uma cenoura caramelada. Prefiro temperos suaves, mas não dispenso uma boa feijoada.

Um sonho realizado:Ivone Mesquita
Ir morar nos Estados Unidos. Não queria ir como turista, mas para viver com eles, conhecer os hábitos das pessoas. Voltei para o Brasil para ter mais contato com a família, irmãs que se casaram na mesma época que eu; tenho sobrinhos, sobrinhos-netos, que amo de paixão, pois não tive filhos. Meu marido também tinha os pais aqui e queria vir para vê-los.

Cogita voltar a residir nos Estados Unidos?
Não penso nisso. Tenho muitos amigos lá, que sempre me convidam e eu os adoro; viajo pelo menos uma vez por ano, mas não para morar.

O que é glamour em seu conceito?
Ter glamour é se fazer bonita. Não só pela elegância, mas pela simpatia, pela forma de ser, de comportar-se. Sou uma pessoa simples e gosto de ser assim.

Por Valdir Carleto