“A Torricelli não voltaria para ter cursos iguais aos outros”, afirma Paulo Cesso

Professor Paulo Cesso, presidente da Faculdade Torricelli - Foto: Alexandre de Paulo

Tendo tomado conhecimento de que a Faculdade Torricelli está de volta ao mercado universitário, o Click Guarulhos foi ouvir o que seu presidente, o professor e engenheiro Paulo Roberto Cesso, tinha a dizer a respeito, já que há seis anos a instituição havia sido absorvida pela rede Anhanguera.

Acostumado a desafios e a vencer barreiras, Cesso afirma que não cogitava reabrir a Torricelli, mas circunstâncias o levaram a levantar mais essa bandeira. “Porém, eu não a abriria para ter cursos iguais aos da concorrência. Respeito todo mundo, mas cito o professor da Escola de Negócios da Universidade de Harvard Clayton Christensen, que disse que metade das universidades tradicionais fecharão em dez anos, se mantiverem as mesmas estruturas e os mesmos métodos. Desde que deixamos o ensino superior, mantivemos o Colégio Torricelli e a experiência nos mostra que os alunos que saem do ensino médio esperam algo diferente e mais avançado do que o mercado tem oferecido. Então, resolvi voltar, mas com propostas muito inovadoras, com cursos que ninguém tem iguais”, revelou.

Indagado sobre quais cursos a Torricelli terá, respondeu que neste semestre contará com engenharia mecatrônica, engenharia de produção, administração e ciências contábeis. O Ministério de Educação analisa o pedido de instalação também do curso de engenharia elétrica. Ele apressou-se em esclarecer que os cursos envolverão teoria e prática simultaneamente, pois serão focados em projetos reais. Alunos de administração, por exemplo, estarão envolvidos junto com os de engenharia de produção em obter soluções para problemas enfrentados por empresas locais. Cesso cita a questão dos semáforos inteligentes, que precisam de uma série de dados para que funcionem com eficiência. Alunos de diferentes cursos estarão empenhados em contribuir com a Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana em busca de soluções nesse sentido. Ele admite que, de início, pode ser que não haja tantos projetos disponíveis, mas cita a instituição Uniaméricas, em Foz de Iguaçu, que mantém cursos ainda mais ousados, os quais contam com milhares de projetos reais, na fila, para estudo.

“Para começar, as salas de aula são invertidas, diferentes das tradicionais. Terão no máximo 50 alunos por sala. Os alunos trabalharão em grupos de seis a oito pessoas, o professor estará de um lado, a projeção de outro. Os alunos poderão usar “chromebooks”, dedicados para o uso em sala de aula. Quem não tiver notebook, poderá adquirir um chromebook por leasing, com custo bem acessível. Os conteúdos teóricos ficarão disponíveis antecipadamente. O aluno vem para a faculdade ciente do que irá ver em aula. O professor dará teoria, digamos de 30 ou 40 minutos, e depois exercícios para solução em grupo. E circulará entre os grupos, orientando, tirando dúvidas”, esclareceu.

Paulo Cesso acrescentou que todo o conteúdo estará disponível na nuvem, pelo Google Education. “Haverá também a biblioteca virtual, à qual os alunos terão acesso, de qualquer lugar, para que possam estudar antes ou tomar conhecimento do teor da aula, com interatividade. A biblioteca física também é diferente, com bancos e balcões, um café… tudo muito inovador”, disse.

Biblioteca da Faculdade Torricelli – Foto: Alexandre de Paulo

Ele fala com entusiasmo sobre a parceria da Torricelli com a faculdade norte-americana Must University. “O aluno poderá cursar simultaneamente, e sem custo adicional, uma disciplina por semestre na Must e terá um certificado validado”, explica. Conta que haverá um espaço de cowoorking, no qual o aluno poderá estudar no horário que tiver disponível; laboratório de pesquisa e outros locais com acesso em rede. “Parte das aulas terá presença obrigatória, mas outra parte poderá ser virtual: flexibilidade para dosar a presença em sala de aula e o aprendizado via internet, embora o professor esteja sempre disponível na faculdade”, exemplifica.

O diretor cita que os cursos terão eixos centrais: energia renovável, inteligência artificial, robótica e games: “Situações reais podem ser transformadas em games, uma forma de interagir o real com o virtual. Temos parceria com uma das mais inovadoras universidades americanas, que é a Carneggie Mellon. O aluno pode fazer um curso de inglês, com uso de fone de ouvidos. Nos primeiros testes, ele é levado a dizer frases, pelas quais o sistema irá detectar qual o nível de seu conhecimento do idioma e definir qual o grau de dificuldade que está apto a encarar. Pela inteligência artificial, o sistema identifica a voz do aluno e não permite que outro fale em seu lugar e aí as aulas passam a ser exclusivas desse aluno, estudando gramática e pronúncia. O tempo de curso é definido de acordo com o tempo que o aluno se dedica a aprender o idioma e a praticá-lo. A média prevista é de dois anos”, diz Cesso, que conta que foi possível notar uma evolução significativa nos alunos do Colégio Torricelli que tiveram essa experiência.

“A Faculdade Torricelli vem para atender à expectativa do jovem que quer um curso informatizado, em dia com as novidades, motivador”, sintetiza o diretor.

Professor Paulo Cesso, presidente da Faculdade Torricelli – Foto: Alexandre de Paulo

Perguntamos se haverá alunos preparados para tudo isso. Cesso responde que sim e informa que a instituição adquiriu aulas de nivelamento da Editora Saraiva, para que os estudantes que tiverem dificuldade, em português ou matemática, ou em informática, em cálculo ou inglês, por exemplo, terão a chance de eliminar essas deficiências, para que a turma toda tenha um padrão muito semelhante, homogêneo.

Ele ressalta que todos os professores serão mestres e doutores e, ainda assim, estão passando por um treinamento para estarem bem familiarizados com todas essas ferramentas tecnológicas. “Uma equipe já vem trabalhando há meses nesse planejamento e as aulas terão início em março. Empresários que tiverem interesse podem trazer projetos para serem desenvolvidos aqui. Eles terão doutores, mestres e uma equipe de alunos dedicando-se a estudar cada caso prático. Nada será cobrado. Apenas, naturalmente, não teremos como garantir resultado”, comenta.

Inevitável indagar se, oferecendo todos esses fatores, os cursos não serão muito caros para os padrões locais. O professor é enfático ao dizer que não: “Racionalizamos procedimentos para reduzir todos os custos, para que nossos cursos não custem muito mais do que os de outras faculdades. Nossos cursos de engenharia teriam de custar cerca de mil e quinhentos reais e os de administração e contábeis, mil e duzentos. Mas estamos lançando concurso de bolsas. Quem participar desse primeiro processo seletivo terá, no mínimo, 35% de desconto, podendo chegar a 100%. As inscrições podem ser feitas pelo site: www.faculdadetorricelli.com.br”, concluiu.

Biblioteca da Faculdade Torricelli – Foto: Alexandre de Paulo

Serviço:

Faculdade Torricelli

Cursos: Engenharia Mecatrônica, Engenharia de Produção, Administração e Contábeis

Rua do Rosário, 313. Macedo/Centro, Guarulhos

Tel. 2183-8550

www.faculdadetorricelli.com.br