A visão empreendedora de Marcelo Mastromonico Lui

Por Val Oliveira

O nome do médico Marcelo Mastromonico Lui não nega suas origens italianas. Entretanto, ele escolheu Guarulhos para “berço” de seus sonhos profissionais. Agora, após vinte anos de trabalho e perseverança, inaugura o primeiro Hospital de Olhos da cidade e conta como chegou a isso.

Onde nasceu e qual a sua formação?

Nasci em São Paulo, em dezembro de 1967. Sou médico oftalmologista, com especialização em cirurgia refrativa e córnea. Também sou pós-graduado em marketing e gestão empresarial.

Como e por que veio para Guarulhos?

Eu vim para fazer residência de oftalmologia no Hospital Stella Maris. Há 20 anos instalei um consultório no bairro de Cumbica e acabei ficando.

Como nasceu o Centro de Referência em Oftalmologia (C.R. O) e o Hospital de Olhos?

No período em que eu fazia residência, vi uma oportunidade na região de Cumbica, que era muito carente. Não tinha oftalmologista, e até hoje a nossa é uma das poucas clinicas que têm por lá. Pensei que seria interessante para as várias empresas que se instalaram no bairro, que o funcionário não precisasse vir ao Centro para fazer uma consulta. Antigamente, Cumbica era um local muito longe, de difícil acesso. Montamos uma pequena clinica lá.

Isso já faz 20 anos. Depois de quatro anos em Cumbica, iniciamos uma filial no Bom Clima, em frente ao hospital. Após cinco anos nesse endereço, nos transferimos para a avenida Salgado Filho, e mudamos o nome para Centro de Referencia em Oftalmologia, onde ficamos até 2012. Crescemos, agregamos novos profissionais e conhecimentos. No ano passado, como Guarulhos não tinha um hospital dessa natureza, tive a ideia de transformar o C.R.O. em um Hospital de Olhos, como oportunidade para investir em algo novo e também como forma de suplantar a crise econômica pela qual passa nosso país. De um ano para cá, estruturamos a ideia inicial, ampliamos e equipamos o C.R.O., e agora inauguramos o Hospital de Olhos C.R.O.

CRO_RA-5Por falar em oportunidade, tem algum conselho ou receita para encarar o momento delicado pelo qual passa a economia brasileira?

Não gosto de falar de política, mas não há como escapar. Essas disputas refletem negativamente na vida da população. Contudo, diante de um panorama de incertezas, tire o S da crise e crie. Invente, inove, trabalhe.

Você teve ou ainda tem atividades paralelas?

Atualmente, não. Mas, antes eu fazia algumas coisas de marketing. Por cinco anos, fui dono de uma agência de publicidade. Essa agência era voltada para a área da saúde. Há três anos, me desfiz do negócio, e durante dois anos prestei consultoria . Agora ajudo minha esposa na administração da clínica dela, odo IUSI – Instituto de Ultrassonografia e Imagem, instalada onde era o C.R.O., na avenida Salgado Filho.
Tecnicamente, qual a diferença entre trabalhar com a clínica e com o hospital? Ou qual o limite para trabalhar como clínica e quais os horizontes que se abrem transformando essa estrutura em hospital?
O hospital dá mais segurança, tanto para os pacientes, quanto para os médicos que aqui trabalham. Em uma clínica, por exemplo, estamos voltados mais para o atendimento clínico, procedimentos específicos e alguns tratamentos mais restritos. Tanto é que em algumas ocasiões tivemos que recorrer a outros hospitais gerais de Guarulhos e região, para a realização de cirurgias de grande porte.

O que é uma cirurgia de grande porte?

É o procedimento com paciente com sedação profunda na anestesia. Até um tempo atrás, só podíamos realizar cirurgias com anestesia tópica, somente usando colírio. Depois que construímos o prédio, há dois anos, e ampliamos o centro cirúrgico, passamos a usar as sedações. Isso proporciona maior conforto para o paciente e também para o médico. Com isso, nosso hospital abre as portas para todos os médicos de Guarulhos e região, para que venham usar nosso centro cirúrgico. Além disso, temos um centro de diagnóstico completo, com todos os tipos de equipamentos oftalmológicos que existem no mundo, e essa estrutura está disponível para todos os colegas de profissão.

Qual a importância da criação do Hospital de Olhos para a cidade?

É de fundamental importância, pois está se iniciando um novo marco em Guarulhos. Quando ouço a história do Hospital Carlos Chagas, por exemplo, onde aprendi e tenho muita amizade, vejo que, há 40/50 anos, eles começaram muito pequenos. A história deles me inspira. Penso que nossa história está sendo escrita da mesma forma.

Eles injetaram dinheiro na cidade, investiram na estrutura hospitalar, mudaram-se para cá, sonharam e realizaram. Depois vieram outros hospitais. O C.R.O. está dando o pontapé inicial. Acredito que daqui a pouco existirão outros hospitais de olhos em Guarulhos, mas é um pioneirismo.

Você se considera um empreendedor?

Sim. Eu gosto de novidade, de oferecer e de ter coisas boas por perto. Eu passo mais tempo no meu ambiente de trabalho do que em minha própria casa. São de 10 a 12 horas por dia, entre consultas, exames, cirurgias, e boa parte da administração e gestão do hospital. Então, quero trabalhar em um lugar agradável, assim como é a minha casa. Por isso, transformei e quero transformar ainda mais o meu local de trabalho em um espaço em que eu me sinta bem, no qual eu possa dar aos meus pacientes o mesmo conforto que quero para mim.

E fazendo uma autocrítica, acha que conseguiu deixar esse espaço agradável?

Até certo ponto, sim. Mas, vou melhorar ainda mais. No ano que vem, nós vamos ter muitas coisas novas e não vamos parar. A ideia é continuar fazendo o hospital crescer mais e mais.

Qual trabalho efetuado acredita ser seu maior legado e que o deixa mais orgulhoso?

O Hospital de Olhos também é o meu orgulho. Entretanto, esse legado não é só meu. É também de todos os meus sócios, os que estão e os que já estiveram no projeto e, principalmente, dos nossos pacientes que confiaram em nós durante esses vinte anos. Quando comecei em Cumbica, eu tinha apenas 50 consultas por mês. Muitos diziam que eu era louco, por, literalmente, bancar esse sonho. Eu tinha que trabalhar em algum lugar para me sustentar em Cumbica. Eu fazia plantões, me virava, mas mantinha a clínica lá. Eu sentia que ali era o começo de algo muito maior. Hoje acho que chegamos, e penso que alguns colegas que largaram o projeto no meio do caminho gostariam de estar conosco agora, ou pelo menos ter ou desfrutar daquilo que o C.R.O. se transformou. Fizemos muito, mas vamos começar tudo de novo. Acabou o C.R.O. e vamos começar algo novo que é o Hospital de Olhos. Tenho enorme satisfação por ter conseguido trabalhar e ser reconhecido na minha área.

Como classifica os serviços e tratamentos oferecidos por seu hospital?

Todos os tratamentos que podem ser feitos na área, no mundo inteiro, hoje nosso hospital realiza. Temos as últimas novidades tecnológicas na oftalmologia que são as “Lentes Premium” e o “Femtosecond Laser”. As lentes Premium são lentes intraoculares que corrigem problemas como a catarata, miopia, hipermetropia, astigmatismo e a presbiopia, permitindo ao paciente enxergar de longe ou de perto. Com um único procedimento, podemos corrigir várias anomalias. O Femtosecond Laser é, tecnicamente, o aparelho mais moderno para cirurgias oftalmológicas. A relação custo-benefício é gigantesca. O paciente ganha no resultado e no tempo de recuperação. É um tipo de laser ultrarrápido que confere muita precisão e segurança em procedimentos cirúrgicos. É usado nas cirurgias refrativas, miopia, astigmatismo, hipermetropia, implantação de anéis intraestromais, para corrigir ceratocone ou degeneração marginal pelúcida, bem como nos transplantes de córnea, excluindo do processo a necessidade de pontos nos olhos do paciente. O Femtosecond é tão rápido que age sem afetar as estruturas vizinhas da área tratada. É uma tecnologia de amplo uso nos Estados Unidos e Europa e apresenta-se como uma alternativa altamente eficaz para tratar pacientes em que o método Lasik é contraindicado. Além disso, o Femtosecond permite ao paciente sentir menos dor no pós-operatório e retorno mais rápido às atividades corriqueiras. São tecnologias de ponta para ajudar a população.

Então, posso dizer que Guarulhos está no primeiro mundo quando o assunto é oftalmologia.

CRO_RAQuantos filhos tem?

Três: Ricardo, Júlia e Henrique.

Qual deles acredita que pode seguir à frente do Hospital de Olhos?

Eu espero que os três (risos). O mais velho faz medicina, os outros dois ainda estão no colegial.

Você os incentiva? Percebe se eles têm aptidão?

Minha esposa, Márcia Raquel, também é médica. Nossos filhos conviveram com medicina o tempo inteiro. Acho que a medicina será o caminho natural para eles.

Eles já estão se integrando à vida do Hospital de Olhos ou ainda não querem muita intimidade?

Eles já me ajudam bastante. Primeiro, por me aguentarem em casa falando sobre o Hospital de Olhos. Depois, eles dão alguns palpites. Algumas ideias eu acabei trazendo e aproveitando. Estão todos bem a par do Hospital de Olhos. Eles viram o C.R.O. nascer e agora presenciaram brotar a ideia do hospital. Antes de comentar com meus sócios ou falar com alguém sobre qualquer novidade, eu digo em casa. É lá que a gente tem um bom papo e alinha as ideias.

Clinicar, operar, administrar e gerir. Sobra espaço em sua agenda para descansar?

(Risos). Eu trabalho de segunda a sexta-feira. No fim de semana não olho planilhas ou e-mails do hospital. Só tenho ideias. Durmo e acordo tendo ideias e pensando muito. Divido esses pensamentos com o pessoal lá em casa. Procuro ter esse tempo para viajar, passear e curtir minha família.

Qual o seu hobby?

É ir para o sítio.

E lá, o que gosta de fazer?

Churrasco. Certa vez quis me aventurar plantando cem metros de grama. Na volta, meus braços tremiam. Como preciso estar com as mãos firmes para fazer as cirurgias, não cuido mais das plantas (risos).

Tem algum plano que possa revelar?

Para 2016, quero continuar crescendo. Pretendo ampliar o hospital e até o final do ano entregar aos pacientes mais salas para consultas, exames e novos centros cirúrgicos. Porém, o principal que queremos é desenvolver o lado social. Sou católico praticante e vou à missa toda semana. Isso colabora para aflorar em mim essa necessidade de ajudar, me faz pensar mais sobre isso. O C.R.O. está pleiteando junto à Prefeitura, e acredito que até 2016 já tenha conseguido, o credenciamento para atendimento de pacientes pelo SUS, com a realização de consultas, exames e cirurgias. Financeiramente não valeria a pena ter o SUS aqui, mas socialmente vale muito. A população de Guarulhos está precisando atendimento na área da saúde oftalmológica. O meu sonho é, já em 2016, dar a esses pacientes o atendimento que precisam. Acredito que, depois de firmado o convênio, logo conseguiremos zerar a fila toda na parte de oftalmologia.

Qual a sua mensagem de Natal e Ano Novo para pacientes, colaboradores e demais parceiros?

É de coração que digo: tenham todos muita paz e saúde ao lado da família e daqueles que mais amam. Com o corpo todo sadio, o coração e a cabeça em paz, com o apoio dos familiares e amigos, fica mais fácil correr atrás do que se quer.