Afinal, vice é importante ou não? Se não fosse, por que tanta dúvida na escolha?

Na véspera do prazo-limite para definição das chapas para as eleições deste ano, a maioria dos candidatos à Presidência da República escolheu seus vices.

Há quem minimize a importância de quem ocupa esse posto em uma eleição, mas a história demonstra que essa escolha é, sim, importante, pois não foram poucos os vices que assumiram o cargo principal nas três esferas de governo. José Sarney governou o País no lugar de Tancredo Neves, que, doente, sequer tomou posse; Itamar Franco assumiu a Presidência quando houve o impeachment de Fernando Collor; e Michel Temer, com a derrubada de Dilma. No governo paulista, Alckmin assumiu quando Mário Covas faleceu e outros vices viraram governadores quando os titulares saíram para concorrer a outros cargos, o mesmo acontecendo na prefeitura paulistana. Em Guarulhos, Jovino Cândido ocupou a Prefeitura quando do afastamento de Néfi Tales. Na atual gestão, diante do rompimento de Guti (PSB) com o vice, Alexandre Zeitune (Rede), o prefeito evita viajar, para que o vice não assuma. Por isso tudo, os partidos têm tido cuidado na escolha dos parceiros de chapa.

A situação do PT permanece indefinida até este momento. Mesmo diante de reiteradas decisões e declarações de juristas e de ministros do STF, o partido mantém a candidatura do ex-presidente Lula ao Planalto. O partido entendia que tinha até 15 de agosto para definir por seu nome ou eventual substituto. Mas esse é o prazo para registro das convenções, que precisam ser realizadas até este domingo, 5. Diante disso, o partido deve escolher um vice que possa falar em nome do PT. O nome mais cotado é o do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad. Ontem, setores do partido defendiam que posto fosse dado a Manuela D’Ávila, candidata do PCdoB à Presidência. Lula, no entanto, prefere um nome do próprio PT, que pode vir a ser o candidato à Presidência, caso a Justiça de fato impeça Lula de concorrer. Neste sábado, o PT decidiu desafiar a legislação eleitoral e não indicar o vice. Lula ainda teria a esperança de ter Ciro Gomes (PDT) como seu vice. Pela Lei 9504/97, os partidos devem informar os nomes dos candidatos em 24 horas após as convenções; amanhã, 5 de agosto, é a data fatal para fazer as convenções. Na noite deste sábado, saiu a informação de que, contrariando Lula, o PT deve indicar um nome do partido como vice na segunda-feira, 6, provavelmente Fernando Haddad, pois o ex-governador da Bahia Jacques Wagner não quer a vaga.

Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e ex-ministro de Lula e de Dilma, ainda não anunciou quem será vice em sua chapa pelo PDT. Ele tem tido comportamento dúbio em relação ao PT: ora elogia Lula, critica sua condenação; ora diz que “o PT está procurando um novo poste”, referindo-se ironicamente a Dilma Roussef. Neste sábado, Ciro obteve a adesão do Avante (ex-PTdoB), que possivelmente terá a vaga de vice com o deputado Silvio Costa, de Pernambuco. Outros nomes cotados para vice são do próprio PDT: a senadora Kátia Abreu (da bancada ruralista), de Tocantins, e Juliana Brizola, do Rio Grande do Sul, neta de Leonel Brizola. Quanto a ser vice de Lula, Ciro disse que “o PT está vivendo uma viagem lisérgica” e que ele nada mais espera do PT. O PDT ainda tenta conseguir a adesão do PMN, que não anunciou apoio a ninguém até este sábado.

Embora bem posicionado nas pesquisas, é de isolamento a situação de Jair Bolsonaro (PSL). Na manhã deste sábado, a advogada Janaína Paschoal, co-autora do pedido de impeachment de Dilma Roussef, anunciou novamente a recusa em ser candidata a vice dele, embora elogiando sua conduta nas negociações mantidas. Outros nomes também já recusaram a chapa de vice na chapa dele. O nome mais cotado para seu vice é o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, filiado ao PSL.

O tucano Geraldo Alckmin obteve hoje a adesão do PPS, presidido pelo deputado federal Roberto Freire. Com isso, sua coligação somará 9 partidos: PP, DEM, PR, PRB, PSD, PTB e Solidariedade. Ele terá como vice a senadora gaúcha Ana Amélia, do PP. A união gerou comentários positivos por um lado, e negativos de outro. Internautas elogiam a escolha feita pelo PSDB, pois Ana Amélia tem uma conduta coerente com o discurso. Já admiradores dela criticam a adesão ao ex-governador, pelas suspeitas de corrupção que pesam contra ele e seu partido. O apoio das siglas que compõem o Centrão também gera críticas, pois foi o grupo que elegeu Eduardo Cunha (MDB) para presidir a Câmara dos Deputados e algumas delas são investigadas pela Lava-Jato.

A candidata da Rede, Marina Silva, concorre pela terceira vez, tendo como vice o médico Eduardo Jorge (PV), que foi candidato a presidente em 2014. Ela desdenha a necessidade de outros partidos na coligação, afirmando ser melhor caminhar sem apoios que pudessem comprometer sua trajetória. “Ruim seria correr atrás do Centrão”, referindo-se indiretamente a Alckmin.

O senador Álvaro Dias (Podemos) obteve a adesão do PSC (Partido Social Cristão), que indicou para vice o economista Paulo Rabello de Castro, até então cogitado para ser candidato à Presidência. Tem também o apoio do PTC (Partido Trabalhista Cristão) e do PRP (Partido Republicano Progressista), cuja convenção foi realizada em São José do Rio Preto (SP), sua sede nacional. Vereador da cidade, Pedro Roberto, pré-candidato a deputado federal, comentou ter gostado da decisão, por Dias ter bom currículo, experiência em administração pública e sem envolvimento com corrupção. O Podemos ainda espera ampliar o leque de alianças; eram cogitados o PRTB, de Levy Fidelix, o Patriota e o Pros. O PRTB oscila entre Dias e Ciro Gomes. O Patriota anunciou Cabo Daciolo como candidato à Presidência e a pedagoga Suelene Balduino nascimento como vice.

O PSDC ensaiou apoiar Álvaro Dias, mas acabou confirmando a candidatura de José Maria Eymael, tendo como vice o pastor Helvio Costa.

O PSol tem Guilherme Boulos como candidato à Presidência; a vice é a militante indígena Sônia Guajajara. Vera Lúcia é a candidata do PSTU, tendo como vice o professor Hertz Dias. O PCdoB confirmou como candidata a presidente Manuela D’Ávila, deputada estadual do Rio Grande do Sul. Mas não oficializou ninguém como vice e acena com a possibilidade de ela vir a ser vice de Lula.

O MDB, embora seja o partido do atual presidente da República, lançou o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mas só obteve o PHS (Partido Humanista da Solidariedade) para formar uma coligação. Quase todos os partidos que dão sustentação ao governo no Congresso estão na coligação do PSDB. O vice será o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto (MDB).

O Partido Novo lançou o administrador João Amoêdo como candidato a presidente e, para vice, o cientista político Christian Luhbaner, do próprio Novo.

Valdir Carleto