Agende entrevista Diretor do Ciesp

Colin responde perguntas sobre a atual conjuntura da economia e do papel da AGENDE na sociedade guarulhense

A AGENDE (Agência de Desenvolvimento e Inovação de Guarulhos) tem como missão promover o desenvolvimento sustentável de Guarulhos e Região através da cooperação entre entidades públicas, privadas e sociedade civil. Ela é a associação das associações de Guarulhos e seu quadro de executivos é exercido por meio de votação dos representantes associados e apoiadores do Poder Público, Entidades de Classe, Academia e Empresas.

Os eleitos para exercerem cargos na diretoria da AGENDE o fazem voluntariamente. Desde o primeiro semestre de 2013 a AGENDE tem contado com a participação e os préstimos dos serviços de Mauricio Colin. Ele é diretor na AGENDE e representa os interesses do CIESP-Guarulhos na Entidade.

Mauricio Colin é formado em engenharia industrial e mecânica e de segurança do trabalho pela Universidade Brás Cubas e pós-graduado em segurança do trabalho pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado); exerce o cargo de diretor comercial na empresa Daicast Indústria e Comércio Ltda, localizada na região de Cumbica em Guarulhos.

Colin tem se manifestado como liderança empresarial ativa para contribuir com o desenvolvimento socioeconômico de Guarulhos e exerce sua cidadania representando os interesses dos industriais da Cidade. Às terças-feiras, quinzenalmente, o jornal Folha Metropolitana publica seus artigos que tratam das peculiaridades da indústria, da sociedade e da economia.

A atual entrevista busca cristalizar a opinião do Diretor da AGENDE a respeito da atual conjuntura da economia, saber como a indústria de Guarulhos e região, representada pelo CIESP-Guarulhos, tem se comportado nesse momento de recessão e quais são suas perspectivas futuras e, por fim, entender qual a sua opinião a respeito das atividades que a AGENDE desenvolve.

AGENDE ENTREVISTA – Sr. Mauricio Colin, atualmente o Brasil passa por um período de recessão econômica. A indústria tem papel fundamental na economia, mas desde o ano de 2012, época em que o Brasil teve crescimento do PIB de 0,9% se comparado a 2011, já se discutia muito nos meios empresariais a respeito da desindustrialização. Em sua opinião, o que aconteceu ou quais os principais fatores que fizeram a indústria não conseguir recuperar suas atividades?

Colin: Não houve desenvolvimento do governo na política econômica do País. Já faz muito tempo que esperamos mudanças na política da exportação. Não houve mudanças no sistema tributário, não houve mudanças de modernização/reforma no sistema trabalhista e, por fim, não houve mudanças no sistema financeiro para redução de juros, para, assim, atrair investimentos ou financiamentos que aumentassem o investimento na cadeia produtiva. Todos são fatos que se planejados ou com ações rápidas poderiam ter levado a recuperação da atividade econômica.

AGENDE ENTREVISTA – O Sr. tem escrito artigos no Jornal Folha Metropolitana a respeito da conjuntura econômica que envolve a indústria. Dia 21 de julho o Sr. publicou um artigo intitulado “Do Pessimismo ao Otimismo” no qual afirmou que apesar da situação econômica brasileira atual não ser boa, é importante os empresários estarem otimistas para superarem épocas de crise. Aproveitando a frase, pode-se entender nas entrelinhas que um dia essa crise irá passar. Quando o Sr. acredita que estaremos retomando o crescimento econômico?

Colin: Não é a primeira crise e nem será a última, e não há como precisar uma data para terminar esta crise. O que precisamos são ações rápidas. Veja a China como um exemplo: neste mês houve retração, as bolsas despencaram e quase que instantaneamente reduziram a taxa de juros, aumentaram o crédito e cortaram o compulsório dos bancos. Também não falaram em aumento de impostos. Aqui fazemos exatamente o contrário a tudo isso. A solução deles é a ideal? Podemos até encontrar economistas que farão suas análises e mostrarão que essas ações aqui não funcionam. Então, não entro nesta discussão, mas veja, eles agiram na busca de reverter uma situação de possível queda de crescimento ou de produção ou de emprego.

AGENDE ENTREVISTA – Que setor do PIB será mais pujante e que contribuirá mais com o PIB no momento em que o Brasil voltar a crescer: Indústria ou Serviços?

Colin: Penso que a indústria de transformação ainda é uma locomotiva que puxa as demais.

AGENDE ENTREVISTA – Quais são as principais políticas públicas e apoios que a indústria brasileira precisa para se tornar mais competitiva?

Colin: Precisamos de reformas gerais. Precisamos melhorar toda a cadeia logística. Uma de nossas saídas é aumentar a exportação, mas como fazer isso se nossos portos não funcionam, são tomados de entraves e têm baixíssima produtividade na expedição ou recebimento de mercadorias. Precisamos de crédito, precisamos de taxas de juros menores, de políticas públicas que, se não nos ajudam, parem de atrapalhar.

AGENDE ENTREVISTA – Quais são as vantagens de uma indústria estar instalada no município de Guarulhos?

Colin: Proximidade com São Paulo. Ligação com Rio de Janeiro e Minas Gerais. Grande diversidade de prestadores de serviços e indústrias de transformação. Grandes e diversas transportadoras, além do Aeroporto Internacional.

AGENDE ENTREVISTA – Agora, quais são as desvantagens ou principais queixas dos industriários na Cidade representados pelo CIESP-Guarulhos?

Colin: Falta de planejamento e agilidade nos investimentos em infraestrutura. O governo atual fez um excelente projeto, porém, sem abrir aqui a discussão que a máquina pública é lenta. Foi muito demorado e, agora, chegou a crise e, com certeza, afetará mais ainda o andamento.

AGENDE ENTREVISTA – O Sr. proporia a algum amigo ou industriário a instalar sua empresa na Cidade? Se a resposta for positiva ou negativa, quais seriam os principais motivos?

Colin: Sim, aposto muito em Guarulhos. Está havendo um amadurecimento da população e há projetos em andamento que, mesmo demorando um pouco mais que o desejado, trarão mudanças para Guarulhos muitíssimo importantes. Alguns exemplos: nova escola do Senai, Parque Tecnológico, investimento em infraestrutura e Metrô e o trem que está chegando.

AGENDE ENTREVISTA – A AGENDE possui programas e atividades para contribuir como o desenvolvimento socioeconômico da Cidade, entre elas estão as pesquisas da Revista Análise Guarulhos e o Boletim Informativo do Emprego, da Movimentação Aeroportuária e dos Repasses Tributários que são publicadas pelo Núcleo de Pesquisa; as atividades de ensino dos programas da Prefeitura como POJ (Programa de Oportunidade ao Jovem) e o Bolsa Auxílio ao Desempregado realizados no Centro de Capacitação Profissional e Tecnológica (CPT); e o programa de apoio ao empreendedorismo de base tecnológica inovadora realizado na Incubadora Tecnológica AGENDE Guarulhos. Essas atividades da AGENDE têm contribuído com a indústria?

Colin: Sim, as informações, dados e análises que recebemos nos boletins, as novas empresas que surgem da incubadora, além de potencias, são excelentes fornecedores. E as pessoas que estão à frente da AGENDE, pensando a Guarulhos do futuro, como foi, por exemplo, com o Parque Tecnológico.

 AGENDE ENTREVISTA – O Sr. ou algum industriário que conhece já se favoreceu diretamente de algum produto da AGENDE?

Colin: Sim, eu utilizei fornecedores oriundos da incubadora, uso como referências de minhas análises, dados estudados pela AGENDE.

AGENDE ENTREVISTA – Os municípios que possuem Agência de Desenvolvimento podem ser favorecidos de alguma maneira?

Colin: Se forem atuantes, sim. Como disse na questão anterior, e que acho o principal papel da Agência de Desenvolvimento é estudar a Cidade e pensar nela daqui 10, 20 anos. Apresentar estas análises ao poder público e às diversas sociedades inseridas nos municípios.

AGENDE ENTREVISTA – Chegamos ao fim de nossa entrevista, deixe um recado para o público da AGENDE.

Colin: Que acompanhe os trabalhos desenvolvidos pela AGENDE de perto, participe das ações pertinentes a sua área, dê sugestões de estudos e apoie da forma que puder.