Por Cris Marques
Fotos: divulgação e banco de imagens

O Inverno chegou e logo as mudanças que ele traz começam a ser sentidas, literalmente, na pele. O corpo pede mais roupa, os banhos têm que ser mais quentes, o apetite aumenta e começa a maratona das doenças respiratórias. Parece ruim, mas o período não tem que ser, necessariamente, uma tortura. “Há um mito de que o sistema imunológico sofre mais no frio; porém, na verdade, os organismos saudáveis não passam por deficiência. O que acontece é que ficamos mais confinados, o que aumenta as chances de contágio”, explica Ana Paula Beltran Moschione Castro, doutora e mestre em pediatria, parceira em soluções de diagnósticos para alergia da Thermo Fisher Scientific, médica assistente da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora da da Regional São Paulo da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia.

Aberta a temporada do espirro

No frio, algumas doenças, como a gripe e os resfriados, são mais comuns por conta da sazonalidade de alguns vírus. Sem contar as alergias respiratórias, que costumam piorar nesta época do ano. “A convivência em ambientes fechados, bem como a umidade e formação de bolor, causados pela ausência de iluminação solar adequada, e o uso de cobertores e roupas guardadas há muito tempo, que impulsionam a proliferação de ácaros, acabam irritando as vias respiratórias, resultando em quadros como sinusite e rinite”, afirma a médica, que lembra que esses problemas demandam cuidados especiais e necessitam de atendimento médico.

Ai, que frio! | Click Guarulhos

Dia cinza e humor também?

A ausência de luz causada pelo Inverno pode interferir no temperamento das pessoas. Há pesquisas que apontam que os países com baixa iluminação apresentam grandes taxas de enfermidades, como a depressão. Os fatores genéticos também devem ser levados em conta, mas é fato que a ausência de luz pode diminuir o ânimo das pessoas.

Super-Imunidade

Ai, que frio! | Click GuarulhosSegundo Ana Paula, uma alimentação equilibrada e com ingredientes naturais, composta por nutrientes como zinco, ferro e vitamina D, equilibra o organismo e ajuda a evitar os já corriqueiros problemas da estação. Mas, para quem está preocupado com a balança, ela deixa um alerta. “Apesar de ser necessário um maior gasto energético para o corpo adequar-se às temperaturas mais baixas, o que explica a sensação do aumento da fome, potencializar a imunidade não é sinônimo de comer muito. O corpo reage bem ao equilibro de proteínas e gorduras”. Apostar em sopas e caldos pode ser uma boa pedida, pois o alimento aquece o corpo e, quando preparado com ingredientes saudáveis, proporciona todas as vitaminas e minerais necessários, com baixo teor calórico.

Atenção aos pequenos

Thiago Gara, chefe da pediatria do Hospital e Maternidade São Luiz, unidade Anália Franco, pontua que não é verdade que as crianças sofram mais com o frio do que os adultos. Na verdade, o que acontece é que as novas gerações estão cada vez mais alérgicas. “Não existe um motivo muito formal, mas isso ocorre por causa da poluição, da mudança da temperatura mundial, a grande quantidade de medicamentos existentes hoje e, principalmente, a questão alimentar, com a ingestão de sintéticos, processados, transgênicos e corantes”.Ai, que frio! | Click Guarulhos

Ai, que frio! | Click GuarulhosPara garantir um Inverno saudável, ele indica alguns cuidados: passar pano úmido no chão da casa para evitar o acúmulo de poeira, comum nesta época mais seca do ano; tomar cuidado com o uso constante de ar quente ou aquecedores, que costumam ressecar ainda mais o ar; hidratar sempre, inclusive as vias aéreas, lançando mão de inalações feitas com soro fisiológico; evitar expor o pequeno a mudanças bruscas de temperatura e, durante a noite, colocar um pijama quentinho e deixar o quarto com uma temperatura mais amena. “A criança tem um pouquinho mais de frio do que a gente, mas não é nada exagerado. Então dá para usar o adulto como parâmetro e colocar 30/40% mais de roupa nela; mas nada além disso”.

Sorvete é vilão?

Ai, que frio! | Click GuarulhosDe acordo com o profissional, não é bem assim. “A única coisa que consumir algo gelado faz de diferente no organismo, assim como o próprio frio, é diminuir um pouco o movimento ciliar, um mecanismo de defesa do aparelho respiratório que, por meio da própria mucosa, ajuda a movimentar o catarro, numa espécie de expectoração natural. Não precisa proibir de vez o sorvete, por exemplo. É lógico que o ideal é diminuir um pouquinho esse consumo, até pela questão do conforto, mas não precisa ser radical”, finaliza Thiago.

 

Confira os outros temas abordados na capa desta matéria da RG:

Introdução: Inverno sem drama
Decoração para aquecer os ambientes e cuidados com os pets
Culinária de Inverno
Moda: o que vestir neste Inverno?
Friozinho bom para…