Aldo Rebelo deixa o PCdoB, vai para o PSB e pode ser vice de Maia

Após lançar uma manifesto pregando o entendimento nacional para viabilizar a governabilidade do País, o ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo, que era filiado ao PCdoB desde que os antigos proscritos puderam ser legalizados, deixou o partido e filiou-se ao PSB, em articulação comandada pelo vice-governador paulista, Márcio França. Registre-se que durante alguns anos Rebelo e outros membros ou simpatizantes do PCdoB estiveram abrigados no PMDB.

Amigo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, cotado para ser escolhido em eleição indireta para substituir Michel Temer no comando do País, Rebelo pode vir a ser o vice-presidente, por transitar tanto nos partidos de esquerda quando nos de direita.

A saída dele isola o PCdoB na extrema esquerda, ao mesmo tempo em que o partido já perdeu muito de suas bandeiras ao eleger parlamentares que nada têm a ver com sua história, como é o caso do guarulhense Eduardo Barreto, eleito em 2012 e reeleito em 2016, desta vez aliado ao candidato do DEM a prefeito, Eli Corrêa Filho. A desfiguração ideológica do partido na cidade fez com que a ex-vereadora Luíza Cordeiro sequer concorresse a uma vaga na Câmara Municipal.

Como é cada vez mais provável que Temer não consiga manter-se na Presidência e considerando que Rodrigo Maia é o nome quase de consenso para sucedê-lo, Rebelo pode estar muito próximo de vir a ser vice-presidente.

No âmbito da sucessão paulista, Márcio França pode preferir não assumir o governo no quase certo período de desincompatibilização de Geraldo Alckmin. O presidente da Assembleia Legislativa, Cauê Macris (PSDB), iria para o Bandeirantes e França concorreria para governador; Alckmin quer tentar a Presidência da República, se possível pelo PSDB, mas não necessariamente. Se o caminho para essa pretensão estiver muito congestionado, buscar uma vaga no Senado pode soar como alternativa interessante para o governador. Para os planos de Márcio França, ter Aldo Rebelo no Planalto seria uma mão na roda.

Para Guti, prefeito de Guarulhos, ter um vice-presidente da República do mesmo partido (PSB) também pode ser interessante.

Nessa altura do campeonato, quando um histórico comunista alia-se a um membro do satanizado DEM para exercer uma fatia do poder, inevitável lembrar de Cazuza, que cantou “Ideologia, eu quero uma pra viver!”.

O poder é uma briga de foice no escuro. Desta vez, porém, Aldo Rebelo prega a paz no Planalto, com a pombinha branca do PSB. A foice e o martelo que ele empunhou por 40 anos vão para o depósito de recicláveis.

Valdir Carleto

Obs.: o texto foi editado, porque a ex-vereadora Luíza Cordeiro nega que não tenha se candidatado por ter enxergado dificuldades de ser mais votada do que Eduardo Barreto. Afirma que preferiu ficar fora da disputa porque não se identificou com as novas posições do PCdoB na cidade.