Alencar dá o troco e impõe Moacir como vice de Elói Pietá

A política tem dessas coisas. Quando a prática política se dá entre pessoas maquiavélicas, mais ainda.

O PT tinha três pré-candidatos a prefeito: o deputado Alencar, o vereador e ex-secretário de Educação, Moacir de Souza e o ex-prefeito Elói Pietá; dois sem nenhuma chance de serem eleitos, um com relativa chance, graças ao seu passado. Chance relativa, porque seu partido está mais sujo que pau de galinheiro.

Quando Moacir se deu conta de que Alencar havia arregimentado mais votos no partido e iria vencer a prévia, despejou seus votos em Elói, contando com a perspectiva de ser o vice. Assim, Pietá venceu e, entendendo ser o dono da situação, passou a buscar alianças com outros partidos, sem encontrar eco. Preferiria que o vice fosse de outra legenda, pois entende que somaria forças.

Porém, como o ditado recomenda não andar em más companhias, ninguém anda querendo estar junto com o PT. Todos os partidos que mamaram nas tetas do governo petista de Guarulhos trataram de se mandar. Sabe-se lá com quais critérios, abrigaram-se nas chapas do democrata Eli Corrêa Filho (até o ex-companheiro de alegrias e tristezas PCdoB) e do xerife Jorge Wilson (PRB); alguns preferiram a companhia de Miguel Martello (PSD). Salvo engano, o único que manteve a fidelidade foi o PR (Partido da República). Paulo Carvalho, seu nome mais expressivo, manteve-se na Secretaria de Desenvolvimento Urbano, não se desincompatibilizando. Se tivesse deixado o cargo, seria, sem dúvida, um bom nome para vice de Elói Pietá.

O ex-prefeito tentou conquistar o PDT, oferecendo a vaga de vice a quem o parceiro indicasse, provavelmente o sindicalista metalúrgico José Pereira. Mas o PDT não resistiu aos belos olhos de Eli Corrêa Filho, de quem pode vir a ser vice. Pietá até cogitou que a ex-vereadora Adriana formasse a dobrada com ele. O PT fez cara feia e a ideia não passou de ensaio.

Restou a Pietá contar com um vice do próprio PT. Ele não gostaria que fosse Moacir, devido à carga negativa do ex-secretário de Educação, incluindo contrato antipombos, contratos “milhonário” com o Instituto Civitas, descumprimento de acordo coletivo com os professores, e, certamente, outros telhados de vidro que pipocarão na campanha.

Mas, no início da noite desta sexta, o deputado Alencar resolveu ser cristão, perdoou a rasteira que tomou de Moacir e, em uma reunião na qual Elói parecia estar em um velório, definiu-se que Moacir Pombo Civitas de Souza será o vice na pura chapa petista.

Há um ano, um moacirzista pré-candidato a vereador me cantou a bola de que a chapa do PT seria Elói para prefeito e Moacir para vice. Pode até ser que todo esse jogo de disputa tenha sido só pra fazer firula, que tudo já estivesse combinado. Creio que não: prefiro acreditar que as circunstâncias fizeram o jogo ficar embolado. Mas não duvido de nada em política eleitoral.

Pode vir mais pesadelo por aí…

Se, com toda artilharia contra o PT, a chapa Elói-Moacir chegar ao segundo turno, a dupla Moacir-Alencar (com a retaguarda de Almeida) pode tomar as rédeas da campanha e impingir a Pietá parcerias com as quais não desejaria contar e atrapalhar o recebimento de apoios dos quais ele gostaria.

Políticos são tão maquiavélicos, que não dá para duvidar que o time de Almeida prefira apostar fichas no adversário para que Pietá não volte a governar a cidade.

Com toda experiência que tem na política, o ex-prefeito pode concluir que às vezes é melhor ter inimigos do que achar que pode contar com os amigos.

 

Valdir Carleto