Alta velocidade, outra forma de suicídio

É preocupante o índice de suicídios de jovens na atualidade, o que deve chamar a atenção das famílias para como lidar com essa realidade e repensar o convívio com os filhos, principalmente na difícil fase da adolescência.

Porém, os fatos mostram que há uma outra forma de suicídio, pois também tem tirado a vida de muitos jovens, que são os acidentes fatais, causados por dirigir em alta velocidade ou velocidade incompatível.

Inevitável comentar que, não raramente, esses supostos acidentes – se é que assim podem ser chamados – têm ocorrido substancialmente nas madrugadas de sextas para sábados e de sábados para domingos. Ainda que não necessariamente, é comum que jovens estejam retornando de festas, de bares e de baladas nessas noites, talvez sob efeito de bebidas alcoólicas ou até de outras substâncias.

Antes que me acusem de estar apontando culpados para ocorrências desse tipo que têm entristecido a população de Guarulhos, afirmo que não estou levantando suspeitas para um ou outro caso, mas mencionando evidências genéricas e resultado de estatísticas.

Faço-o para conclamar as famílias a prestar atenção nas atitudes de seus filhos, sobrinhos e netos. O uso de álcool e outras substâncias, lícitas ou não, pode ser um sinal, um alerta, de algo não está totalmente bem. Da mesma forma, a condução de veículos em alta velocidade, estando ou não sob efeito de algum componente, pode apontar para um desejo de fuga da realidade, mais até do que o de experimentar a sensação de poder que dirigir um carro em ruas comuns como se estivesse em uma pista de corrida possa proporcionar.

Não há fórmulas mágicas. Ninguém pode se arvorar o direito de ensinar a quem quer que seja sobre como educar suas crianças, jovens e adolescentes, pois talvez não haja uma família sequer na qual nunca se tenha tido de enfrentar algum problema nesse sentido. O que defendo, na condição de pai, tio, avô e mesmo de jornalista que acompanha entristecido essas notícias e lamenta ter de divulgá-las, é que sempre se busque o diálogo, a proximidade, o respeito, mesmo quando nós, mais velhos e experientes, entendemos que não estamos sendo respeitados ou valorizados. Nós, exatamente por termos mais experiência, temos a obrigação de buscar entender o que as atitudes de nossos jovens procuram transmitir sobre o que se passa nas mentes e corações deles.

Irmano-me à dor das famílias que perderam seus entes queridos, por suicídios ou acidentes fatais, e desejo que casos assim tornem-se cada vez mais raros, à medida em que o diálogo e o entendimento prevaleçam.

Valdir Carleto