Aluno de escola estadual ganha prêmio em concurso de economia da USP

Saymon Barbosa de Souza e a professora Rose, da EE Profa. Alice Chuery

Saymon Barbosa de Souza, aluno do ensino médio da Escola Estadual Professora Alice Chuery, na Vila São Jorge, ficou em quarto lugar entre os dez classificados no XII Concurso de Ensaios Econoteen, promovido pela Faculdade de Economia da Universidade São Paulo.

O concurso transcorreu durante 2018 e teve por tema “Quais deveriam ser as principais propostas dos candidatos à Presidência da República para incrementar a produtividade da economia brasileira?”. A avaliação dos ensaios não levou em consideração o ponto de vista do autor, mas o desenvolvimento do texto e a coerência dos argumentos utilizados. O texto também foi avaliado em termos da utilização feita pelo autor dos conceitos de economia.

A professora Rose, de Língua Portuguesa, foi quem informou ao Click Guarulhos sobre a vitória obtida pelo estudante. Ela observou que é importante divulgar os protagonistas que a cidade tem. “Esse foi um exemplo de dedicação e pesquisa, para apontar soluções que interessam de perto à população de Guarulhos, do Estado e do Brasil”, comentou.

A partir daí, fizemos contato com o aluno, que receberá o prêmio em Aula Magna na FEA-USP na segunda-feira, dia 11. Chamou-nos a atenção o fato de ele ter participado de um concurso sobre economia, desenvolvendo um ensaio. Enviamos a ela as perguntas e aqui as reproduzimos, para que nossos leitores-internautas vejam que há estudantes de escolas públicas que superam todos os obstáculos, focam em um objetivo e vão em busca dos melhores resultados.

Como você soube desse concurso?

       Na verdade, estava ansioso de passar mais um recesso de julho apenas observando o tempo passar e só revisando conteúdo estudado no 1º semestre. Soube do concurso consultando o site da USP e, por intermédio de minha professora de Língua Portuguesa, Rose, eu encontrei o concurso da Econoteen. Li o regulamento e me inscrevi. E, assim, comecei a pesquisar e a compor o ensaio.

 O que o levou a decidir participar?

            Desde o 9º ano, sempre tive uma sede por conhecimento, principalmente nas áreas de humanas. Tinha grande interesse em entender o contexto em diversos campos da sociedade e das civilizações no âmbito social, político, econômico e filosófico até que me identifiquei com o curso de Economia, uma área que abrange um pouco de cada conhecimento em história, geografia, filosofia, política, matemática, etc. E, claro, participar seria jogar as cartas em busca de um diagnóstico com toda a bagagem que vinha adquirindo ao longo do final do ensino fundamental II até o presente momento.

Você já tinha ideia do que iria defender no Econoteen ou desenvolveu depois de decidir participar?

            Sim, eu já tinha ideia do que iria defender no Econoteen, principalmente no ano de 2018, no qual ocorreria a eleição para presidente. É comum as escolas nesse período indagarem ao aluno: “Se você fosse presidente, o que você faria?”. Assim, a bagagem que eu já tinha me dava algum norte. Desde os meus 14 anos procurava conhecer mais sobre essa área, principalmente através de livros. Um que mais me marcou e foi recomendado pelo professor de história na época do fundamental: “Conversando sobre Economia com minha filha”,  escrito por um autor grego conhecido como Yanis Varoufakis (ex-ministro de finanças da Grécia), que traz uma linguagem e um pensamento básico e objetivo, com uma linguagem jovial acerca dessa área econômica.

 Em que consiste o conteúdo de sua proposta?

            O tema do concurso era: “Quais deveriam ser as principais propostas dos candidatos à Presidência da República para incrementar a produtividade da economia brasileira?”. Meu ensaio consiste em uma análise de causas das consecutivas más administrações do poder público, sempre falhas, que, infelizmente afastam o Brasil e suas leis claras e autoevidentes da verdadeira essência de um país democrático. Entretanto, mesmo com todos essas defectíveis circunstâncias, o Brasil teve certos avanços em algumas épocas, nas quais foram obtidos resultados concretos de desenvolvimento. Porém, mais uma vez a perda da brasilidade persistiu; uma vez que, no século XXI aquilo que prefiro denominar de Estado Político (pois entregamos tudo o que possuímos pelo fato de não termos ações efetivas de evolução na educação e isso compromete acompanhar o progresso brasileiro). É a educação que possibilita que se alcance melhores níveis de desenvolvimento geral, inclusive na economia. Além do mais, uma população altruísta conhece e conserva a real democracia em que vivemos, pois líderes corrompidos fazem com que toda máquina pública seja estraçalhada e ineficiente. Desse modo, estamos sujeitos a permanecer na servidão daqueles que detêm o poder, porque poucos homens que assumiram postos no Executivo, Legislativo ou até mesmo Judiciário sabem diferenciar a vontade geral da vontade individual. “A Declaração econômica do Brasil acerca da vã leviandade e da essência da brasilidade: análise sobre o real espírito das leis”, título dado ao meu ensaio, trata também de propostas neoliberais sobre o capitalismo estadista e consciente que, se negadas, irá gerar uma causa tardia na compreensão.

Qual sua reação ao saber que foi premiado?

            Minha reação foi de muita felicidade por conquistar esse prêmio. Além do mais, me senti mais determinado em acreditar que o caminho que estou trilhando é factível e será proveitoso. E que devo aproveitar e explorar cada vez mais o conhecimento.

Qual carreira profissional deseja seguir?

            Tenho intenção prioritária de cursar Economia, mas também não descarto a possibilidade de cursar Direito e História.

 Que mensagem deseja passar aos jovens estudantes de Guarulhos, principalmente aos da rede pública?

            Como diz Niall Ferguson, um historiador Inglês e autor do livro Civilização- Ocidente x Oriente, “O guia mais verdadeiro é o conhecimento e a ciência. Procurar outro guia que não o conhecimento e a ciência é [sinal de] negligência e negação da verdade”. Além do mais, é através da educação que se inicia, de alguma forma, a participação na vida real. Contudo, é a partir daqui que a escola, essa “mestra universal,  segundo Montesquieu: “deve por toda parte, nos orientar e nos guiar para a prosperidade”,  junto com o protagonismo do jovem.