Por Tamiris Monteiro

É bem provável que você tenha pelo menos um amigo ou algum conhecido que mora ou já tenha manifestado o desejo de morar em outro país. E as razões para viver fora de terras tupiniquins são as mais variadas possíveis. Há quem vá por querer aprender outra língua, quem esteja em busca de aprimorar os conhecimentos para deslanchar na carreira ou que sinta a necessidade de provar novas experiências conhecendo outra cultura. Também existe a turma dos que se sentem insatisfeitos com o Brasil e partem em busca de melhores condições em outro lugar do globo.

Os motivos que levam cada brasileiro a morar no exterior são bem particulares para cada um, mas o que é quase igual para todos, independente da localidade escolhida para começar uma nova vida, são as delícias e os desprazeres de estar a quilômetros de distância de casa, da família e amigos. Para muitos, principalmente para os que têm vontade de ir, mas ainda não foram, a ideia de morar em outro país pode parecer um sonho dourado, em que tudo é muito bonito, fácil e prático.

No entanto, a visão – ou ilusão – de que morar fora pode proporcionar uma vida maravilhosa e tranquila está bem longe de ser verdade. Diferente de uma viagem de turismo, normalmente feita em poucos dias, ser habitante de outro país implica viver o dia a dia do lugar, procurar um espaço para morar, pagar contas, fazer supermercado, ir ao médico, construir uma nova rede de amigos, lidar com empregos diferentes, entre tantas outras questões. Dá até para arriscar dizer que o grande barato de emigrar tem mais relação com as dificuldades e desafios do que com o contentamento de conseguir fixar-se.

giovanna-fialhoGiovanna Fialho

  • 22 anos
  • País: Itália
  • Viveu na cidade de San Mauro Pascoli por 1 ano.

Giovanna é apaixonada por moda e programou-se para morar na Itália durante um ano para ter experiência internacional, acadêmica e profissional. “Buscava uma experiência na área de criação de moda; então, nada mais justo que a Itália, celeiro de grandes nomes da moda”, compartilha. Há quase um mês, Giovanna voltou para no Brasil.

► Dificuldades

Foram duas: o Inverno e o relacionamento interpessoal. O primeiro foi surreal, não só pelo termômetro abaixo de zero, mas também por conta dos dias serem mais curtos. Escurece mais cedo, às 16h já não tem claridade. Com isso, as pessoas ficavam mais reclusas em seus lares, dificultando a criação de laços e aproximação. Senti-me muito sozinha.

► Custo de vida e moradia

O custo de vida em comparação com o Brasil é menor. Isso que mais me encanta: o acesso às coisas. A diferença salarial é pequena; com isso, mesmo quem tem menos, tem acesso. A educação e a saúde são gratuitas, o que também facilita a vida. Digo que no Brasil a gente sobrevive e na Itália conseguem desfrutar e viver. É mais tranquilo e menos caótico. Já no quesito moradia, são comuns os contratos de aluguel, que são mais burocráticos que no Brasil. No meu caso, tenho o privilégio de ter família lá que me acomodou.

► Mercado de trabalho

Não trabalhei: consegui um estágio não renumerado por intermédio do curso que fiz. Foi uma experiência incrível que realmente me ajudou. Consegui colocar em prática tudo que aprendi e observei como era o ritmo de trabalho por lá. Pontualidade e pró-atividade são valores imprescindíveis para o crescimento profissional.

► Lições mais valiosas

Aprendi a valorizar muito mais o alimento. Um país que sobreviveu a duas guerras tem um respeito muito maior com o que planta, colhe e consome. Acho que isso foi uma das coisas mais legais.

► Coisas legais que viveu na Itália

Foram as festas medievais comuns durante o Verão. Acontecem dentro dos castelos das regiões. Nas festas há música, comida e roupas típicas de época. É como entrar em uma máquina do tempo. Conhecer a neve foi outro momento mágico. A visita a Pompeia também foi muito legal, pois sou amante de ruínas; foi um momento emocionante. E não posso esquecer da visita ao Museu do Vaticano, onde pude observar e chorar de alegria com a Capela Sistina e participar de uma festa da região de Spello chamada Infiorata, uma manifestação artística majestosa. São desenhos gigantes expostos no chão, coloridos por flores.

► Pretende voltar para a Itália?

Claro! A Itália me acolheu como se fosse sua filha e hoje também a reconheço como mãe.

cesar-buzzolaCesar Buzzola

  • 32 anos
  • País: Inglaterra
  • Vive em Londres há 4 anos

Cesar escolheu a Inglaterra por ter conseguido a cidadania italiana e quando decidiu ir morar em Londres foi com a certeza de ficar por muito tempo.  “Há muitos anos almejava viver fora do Brasil, a princípio na Itália, mas com o passar dos anos o foco mudou e o Reino Unido se tornou mais atraente, pois precisava melhorar meu inglês. Programei-me com um ano de antecedência, pesquisei passagem, tarifas e quando houve o melhor preço, comprei as passagens. Como eu estava em processo de obtenção de cidadania italiana, precisei do passaporte brasileiro e italiano”, conta.

► Dificuldades

Quando cheguei a Londres, minha maior dificuldade foi a barreira da língua. Hoje em dia já não há essa dificuldade, mas por não ser a minha língua mãe, todos os dias se aprende algo novo, é um aprendizado continuo.

► Custo de vida e moradia

Londres é uma cidade cara. O transporte e aluguel são as contas que mais pesam no orçamento. O transporte, diferente do que acontece no Brasil, é pago pelo trabalhador, o que encarece o custo de vida na capital inglesa. Os gastos também variam de acordo com o lugar onde se vive. Por exemplo: Londres é dividida por zonas, que vão da 1 a 8. Se o indivíduo vive na Zona 1 ou 2, ele paga mais caro, por ser muito próximo do Centro. Já nas demais regiões, há um leve desconto no valor de moradia. Mas nada que seja exorbitante. Como há muitos imigrantes, a demanda por casas é imensa, só que nem todos têm condições de manter uma casa morando sozinho, pois há o aluguel, água, luz, telefone, internet, etc. E nada disso é barato. Muitas pessoas vivem em casas compartilhadas com amigos ou até desconhecidos.

► Mercado de trabalho

Conseguir emprego é fácil, mas o tipo de emprego que se almeja é mais complicado. A princípio, tem que ter o inglês de intermediário a avançado para se conseguir uma posição melhor. Mas quando não se fala ou se fala muito pouco da língua, o que aparece são os subempregos, como clear (limpeza), por exemplo. Atualmente, trabalho numa companhia aérea no aeroporto de Heathrow. Mas já tive vários empregos antes desse. No início, trabalhei com limpeza, depois passei por empresas como McDonalds, KFC e um supermercado de orgânicos.

► Lições mais valiosas

A independência, seja financeira, seja pessoal. Sempre há alguma situação com a qual se possa aprender. E tudo faz parte do seu crescimento pessoal como indivíduo.

► Coisas legais que viveu em Londres

No começo tudo é muito legal: a arquitetura, as ruas invertidas, os carros de mão inglesa, mas depois, tudo se torna rotina. Não há grandes aventuras. O legal de viver em Londres é que você está no centro dos acontecimentos. Volta e meia, há artistas hollywoodianos lançando filmes, shows, etc. Há um pouco de tudo por aqui.

► Família e amigos

Minha relação com a família e amigos não mudou em nada, a diferença é que não estou tão presente como gostaria. A vida aqui é mais corrida que no Brasil; então, às vezes, deixamos a desejar com nossos amigos e entes queridos, mas sempre que posso entro em contato, para matar um pouco da saudade.

► Volta para o Brasil?

Não penso em voltar a viver no Brasil em curto prazo. Estou feliz com o meu emprego, com o que já conquistei aqui e vejo que posso ainda mais. Então, acho precipitado pensar em voltar por agora.

elis-braga-australiaElis Fraga

  • 29 anos
  • País: Austrália
  • Vive em Brisbane há 3 anos

Elis escolheu a Austrália por ser um país de clima tropical e de economia equilibrada. De acordo com ela, seu objetivo inicial era ficar por seis meses para aprender inglês e se virar sozinha em um lugar diferente. “Tracei um plano e durante um ano fui pagando tudo da viagem”.

► Dificuldades

Dificuldades foram muitas e de diferentes tipos, desde comprar somente o necessário no mercado, porque ia vencer a parcela da escola, até ter que exercer trabalhos que no Brasil não faríamos nem pagando bem.

► Custo de vida e moradia

O custo de vida é alto, porém, muda de cidade pra cidade. Em Brisbane, por exemplo, a hora de trabalho mínima é de $18. O que não é nada ruim. As moradias são, na grande maioria, “shareHouse”, onde pessoas se unem para locar um imóvel. Há também famílias que oferecem quartos para serem alugados dentro de suas casas. Bairros distantes podem diminuir o aluguel em até $100 por semana. Existem grupos no Facebook da comunidade de brasileiros em Brisbane, onde rola muita troca de informação, inclusive, sobre vaga de trabalho e dicas de moradia.

► Mercado de trabalho

Para a maioria dos imigrantes, o emprego inicial é o subemprego. Tudo o que, normalmente, não faríamos no Brasil, fazemos aqui. O pagamento é semanal e você trabalha por hora, não tem contrato fixo e estudante tem carga horária de trabalho limitada. Aqui não é vergonha ser camareira, ajudante de limpeza ou mesmo pedreiro. Trabalhei em diferentes áreas, limpeza, hotel, promoter em loja e restaurante, que é onde me encontro até hoje.

► Lições mais valiosas

Primeira de todas: o ser humano é muito adaptável. Nós não sabemos nem da metade do que somos capazes de realizar. Segundo: a Austrália está aqui para todo mundo, mas nem todo mundo está preparado para a Austrália. Parece mar de rosas, e pode até ser que seja nos primeiros seis meses, mas depois que a saudade bater, os amigos iniciais voltarem para o país de onde são ou se mudarem, a grana encurtar e o trabalho cansar, tudo isso pesa na decisão.

► Coisas legais que viveu na Austrália

Com certeza os elos inexplicáveis de amizade. Pessoas que se vão com o tempo, seguem seus rumos e novas fases que iniciam com essas partidas e chegadas.

► Família e amigos

Infelizmente não dá para manter todos, mas me considero muito sortuda. Meus pais nunca me abandonaram uma semana sem saber como eu estava, e amigos que conquistei na escola, na faculdade, no trabalho e até na infância, permanecem em contato. Sabemos que estamos a 13 mil quilômetros de distância, a 13 horas de fuso horário e aqui eu vivendo no futuro, mas saber que temos esses anjos que nos ajudam tanto a seguir adiante, mesmo tão longe, não tem preço. Eu agradeço a Deus todos os dias pelas maravilhosas pessoas que Ele colocou em meu caminho.

► Volta para o Brasil?

Não penso em voltar. Decidi construir minha história aqui, até quando for permitido por Deus e pela Imigração (risos).

bruno-inhudesBruno Inhudes

  • 27 anos
  • País: Portugal
  • Vive em Lisboa há nove meses

Bruno sempre teve o sonho de morar fora do Brasil e três anos antes de ir embora começou a amadurecer a ideia até tomar coragem de partir definitivamente. “Já tinha em mente essa coisa de querer viver em outro lugar, mas sempre pensei na Espanha. Contudo, tenho uma irmã que vive em Portugal há muitos anos e para iniciar o processo de desprendimento do Brasil, resolvi vir primeiro pra cá, até porque eu já não a via fazia muitos anos. Comecei a pesquisar como funcionavam as coisas aqui e fui me interessando. Comprei a passagem com 10 meses de antecedência e quando já estava bem perto de vir, fiz um seguro viagem e paguei o aluguel do lugar onde ficaria”, explica.

► Dificuldades

Tirando a saudade, o que mais me incomodou e me incomoda ainda são os processos burocráticos pra conseguir documentos aqui. Te mandam de um lado para outro, dão informações contraditórias e muitas vezes é preciso algum representante português pra assinar algo por você; enfim, é um processo muito chato.

► Custo de vida e moradia

O custo de vida não é alto. Supermercados têm preços muito baixos. Os transportes públicos são muito bons, têm preço justo e ainda existem planos fixos em que se paga uma taxa mensal única e usa-se o transporte quantas vezes quiser. Restaurantes, bares, discotecas, cinemas e atrações deste tipo são geralmente acessíveis e há sempre eventos gratuitos para o público. Há diversas formas de viajar para outros países da Europa e, no geral, não custa caro. Hospitais nunca são gratuitos, há taxas, mas é bem barato e funcionam bem. A cidade é bastante segura. Sozinha ou acompanhada, qualquer pessoa anda na rua a qualquer hora do dia ou da madrugada sem correr riscos.

Desde que cheguei, moro num quarto em um apartamento compartilhado. Alugar um quarto é bem fácil, é pagar e entrar. Muitas vezes, esses lugares já têm as contas como água, luz, internet e TV inclusas no valor do aluguel. Alugar apartamentos inteiros diretamente com o proprietário, geralmente, requer o pagamento de alguns meses de aluguel adiantado.

► Mercado de trabalho

Não é assim tão difícil arrumar emprego em Portugal. No Verão, tem sempre mais trabalho por conta do turismo e, por isso, falar inglês é quase essencial. Normalmente, trabalhos no setor da construção civil e de vender de porta em porta são os mais fáceis de conseguir. Em restaurantes e bares, às vezes, pode ser um pouquinho mais complicado, mas nada fora do comum. O segredo é não desistir: todo mundo acaba encontrando.

Trabalhei em uma empresa de energia elétrica. Aqui as pessoas podem escolher de qual empresa querem comprar energia, é parecido com TV a cabo no Brasil. Minha função era ir batendo na porta da casa das pessoas tentando convencê-las a mudar de empresa. Depois de duas semanas trabalhando nessa empresa, um brasileiro chamado Luciano Ottani ligou-me e ofereceu-me um estágio em uma empresa de produção e pós-produção de filmes publicitários. Durante os dois primeiros meses, não havia remuneração, pagavam-me somente as despesas com alimentação. Só depois é que passei a ter um salário normal e hoje continuo a trabalhar nessa mesma empresa.

► Lições mais valiosas

O desprendimento faz um bem que eu nunca imaginei. Não precisamos nem da metade dos bens materiais que temos. Você pode ser bom no que faz, mas vai encontrar muita gente melhor que você. Ficar adiando as coisas, esperando ou enrolando pra fazer algo que você queira é uma grande burrice.

► Coisas legais que viveu em Portugal

Ainda não fiz muita coisa por aqui, mas já deu pra passar por alguns lugares legais. Vi a neve, fui a um clássico de futebol, viajei de carro entre países e ano que vem farei uma viagem de bicicleta. Contudo, o mais legal é o contato que se tem com pessoas de outros países, tentar conversar com pessoas em um idioma que muitas vezes nem sequer vem do latim e conseguir se entender dando risada é muito bacana.

► Família e amigos

Com a minha mãe eu falo todos os dias; com meu pai, nem sempre, porque ele prefere aquele celular mais simples sem internet, então fica mais complicado, mas sempre que ele está próximo da minha mãe nos falamos. Com meus amigos, converso sempre, todos os dias, eles sempre me ligam ou ligo pra eles.

► Volta para o Brasil?

Não penso em voltar. Quero ir ver minha família e meus amigos, mas não quero mais andar na rua sempre com medo. Tive experiências ruins relacionadas à violência no Brasil. Já fui assaltado inúmeras vezes e apontaram arma para mim: criei pavor disso tudo.

nany-cardoso-de-limaNany Cardoso de Lima

  • 27 anos
  • País: Irlanda
  • Vive em Dublin há 1 ano e 8 meses

Nany optou pela Irlanda por ser um país acessível e que defende a ideia do imigrante estudar e trabalhar. Com o objetivo de ir aprender o inglês e conhecer outras culturas, a jovem conta que a decisão de fazer um intercâmbio aconteceu de maneira muito rápida. “Desde o ensino médio, queria fazer o tão sonhado intercâmbio, mas nunca tinha tido coragem de largar minha vida, trabalho, amigos e família. Enfim, no começo de 2015 tive coragem. Geralmente, as pessoas se programam bastante; já eu não, me programei três semanas antes. Tinha um amigo aqui que me ajudou bastante.

► Dificuldades

Já foram tantas dificuldades, mas digo que o frio e a saudade dos amigos e familiares são as piores coisas. Acho que todos deveriam se propor a encarar um intercâmbio, ao menos uma vez na vida. Posso dizer que, com todas as dificuldades que passei, evoluí não só o lado pessoal como o espiritual. Você aprende a se virar, a encarar o mundo de frente, pois só é ele e você.

► Custo de vida e moradia

Dublin é uma cidade cara; porém, é um lugar onde se ganha bem e o alto custo para se manter acaba não sendo tão alto. A moradia aqui é cara, não é nada fácil alugar um espaço, mas eu particularmente sempre tive muita sorte. Assim que cheguei, consegui alugar um apartamento direto com “landlord”, ou seja, com o próprio dono. Hoje moro com quatro pessoas, bem no Centro da cidade, pago em torno de €400 de aluguel. Já morei com seis pessoas, foi um período tenso e conturbado, mas quanto mais tempo passa, você evolui e as coisas vão começando a melhorar. A qualidade de vida é uma delas. Contas como água, luz e internet são baratas: por mês, somam €25 no máximo. Já mercado, eu diria que é ridiculamente barato, pois gasto no mês cerca de €150 e vivo muitíssimo bem.

► Mercado de trabalho

Não é fácil. Como em todo lugar, tudo depende da sua capacidade e força de vontade. O inglês é primordial para uma boa oportunidade de emprego, tanto para um subemprego como para uma oportunidade melhor. Eu trabalhei com eventos, pré e pós-shows e hoje sou transfer, tenho meu próprio carro e realizo passeios para estudantes visitantes. Diariamente faço viagens pela Irlanda inteira, de Norte a Sul. Costumo dizer que é o emprego dos sonhos, pois ao mesmo tempo em que interajo com as pessoas, também viajo pelo país todo.

► Lições mais valiosas

Fazer um intercâmbio é muito mais do que arrumar as malas e ir para outro país, é muito mais do que aprender outra língua. Ser intercambista é ter espírito de intercambista, ou seja, estar pronto para qualquer dificuldade e desafio. Evoluí como se tivesse vivido dez anos. Com toda certeza, me considero finalmente madura e pronta para qualquer desafio. Toda experiência é muito valiosa. Vale a dor da saudade, a angústia da falta, o medo, o receio, o sucesso, o fracasso, o cansaço… Vale a risada, a cerveja, o vento na cara, vale não entender uma palavra do que o outro está falando, contar as moedas, correr para não perder o busão, o frio que dói no osso, vale a conversão eterna da moeda na cabeça, vale combinar horário no skype para conversar com quem você ama.

► Coisas legais que viveu na Irlanda

Vivo diariamente coisas extraordinárias. A vida aqui é tipo uma caixinha de surpresas e a melhor coisa que fiz foi sair em busca desse sonho, que me deu condições de conhecer lugares como Marrocos, Londres, Escócia, Paris, Amsterdã, entre outros maravilhosamente lindos. Esta semana, por exemplo, organizei uma viagem pra Inglaterra e pude ver de pertinho a banda Red Hot Chili Peppers.

► Família e amigos

Minha família é tudo pra mim, não deixo de falar um dia com eles. Já em se tratando de amigos, quanto mais a gente fica longe, mais vai se distanciando; afinal, a rotina, o modo de vida e as horas passam a não combinar tanto mais.

►Volta para o Brasil?

Penso em voltar todos os dias, adoro o Brasil e tenho entes muito queridos. Mas ainda não é hora: o País está em crise, uma confusão. Vou aproveitar essa fase ruim para explorar mais a Europa e as coisas boas que ela tem pra me dar.

juliana-gaspariniJuliana Gasparini

  • 28 anos
  • País: México
  • Vive na Cidade do México há 5 anos

Juliana mudou-se de país por causa de um convite de trabalho e diz que ela não escolheu o México, mas o México a escolheu. “Tive um mês para preparar tudo. Entrei como turista e aqui a empresa tirou meu visto de trabalho. Tudo foi acontecendo. Não sabia se ficaria um mês, um ano ou mais”.

► Dificuldades

Senti fome. Na época que vim estava em depressão e para me distrair, comecei um curso de desenho de imagem. Pagava aluguel, curso e comida uma vez por dia. Minha alimentação era à base de pão e água; quando tinha sorte, rolava presunto ou ovo.

► Custo de vida e moradia

Acho que o México é um dos países mais baratos para se viver. Tudo aqui é barato: comida, moradia, passeios e viagens. A cidade não é muito diferente de São Paulo. Muita gente, trânsito, lugares bonitos e feios. Aqui o transporte público é barato e existem muitas opções. Quando cheguei, morava com brasileiros; logo depois fui morar com um namorado e agora faz mais de um ano que moro sozinha. Pago o equivalente a R$ 2 mil de aluguel, isso porque moro num prédio que tem piscina, academia e outros espaços de lazer. Como no Brasil, tudo depende do que você procura. Mas é possível encontrar aluguel barato também.

► Mercado de trabalho

Trabalhar aqui é igual a maioria dos lugares do mundo. Se você está capacitado, consegue rápido. Vim para trabalhar como fotógrafa numa agência de modelos. Hoje tenho dois trabalhos: um na comunidade judia, em que vou de segunda a sexta; e outro na agência, aonde vou aos sábados. Aqui vivo superbem, mesmo estando longe da família. E, apesar de dizerem que dinheiro não traz felicidade, bem, no meu caso, me traz muita felicidade. Com o que ganho, consegui viajar para os Estados Unidos algumas vezes e há um mês fui para a Europa por dez dias. Como e compro o que quero. Sou completamente feliz.

► Lições mais valiosas

Valorizar muito mais a família. Entender você mesmo, entender as pessoas e ser mais tolerante. Desfrutar cada refeição. Perceber que a vida não é só trabalhar e temos que sempre reservar um tempo para viajar e conhecer coisas novas.

► Coisas legais que viveu no México

Cada momento foi único. Mas um dos mais emocionantes foi conhecer Acapulco e ficar no hotel onde foi gravado um episódio do Chaves. Ah, e também ter ganhado uma viagem para Big Bear, na Califórnia, para esquiar.

► Família e amigos

Falo quase todos os dias com meus pais. Com redes sociais e FaceTime é muito mais fácil. Amigos, não todos, porque nem todos entendem minha vida aqui. Muitos acham que são flores, mas ninguém sabe que para ter o que tenho, trabalho muito e até hoje estudo para conseguir muito mais. Não estou longe da minha família para não ter novas conquistas. Se for para sofrer de um lado, que o outro seja muito bem recompensado.

► Volta para o Brasil?

Não. Vivo muito bem aqui, em relação a tudo. Já me acostumei tanto que, quando vou ao Brasil, acho que as pessoas falam feio, que não são tão educadas. Mas confesso que sinto falta da alegria do brasileiro.

luis-felipe-silveira-molinari-e-rosalia-maria-de-oliveira-molinariLuís Felipe Silveira Molinari e Rosália Maria de Oliveira Molinari

  • Luís: 27 anos Rosália: 28 anos
  • País: Canadá
  • Vivem em Montreal há 1 ano e 3 meses

Rosália e Luís casaram-se no Brasil e tinham uma vida estruturada, mas decidiram mudar-se para o Canadá pela qualidade de vida e maiores oportunidades. “Tomar essa decisão não foi fácil, pois tivemos que resolver e pensar em muitas questões importantes. Contudo, o que nos motivou foi a vontade de viver uma nova experiência e tornar nosso sonho realidade”, afirma Rosália.

O casal descobriu que seriam pais quando já estava no Canadá. “Foi um susto muito grande, principalmente pela preocupação com os documentos que garantiriam o pré-natal da Rosália. Descobrimos que o parto custaria 10 mil dólares canadenses. Ficamos desesperados, cogitamos até retornar ao Brasil, mas com o tempo tudo se ajeitou e agora estamos ansiosos pela chegada da nossa filha, prevista para acontecer no início de novembro”, relata Luís.

► Dificuldades

As maiores dificuldades aconteceram no começo, pois nós não sabíamos nada de francês e nos comunicarmos na rua foi realmente muito difícil. Com o tempo, isso passou. Para o Luís, foi menos difícil, pois ele conseguia se virar com o inglês, mas mesmo assim, a dificuldade de se expressar em uma outra língua que não a materna vai sempre existir.

► Custo de vida e moradia

Primeiramente seria melhor frisar que não é bom comparar fazendo a conversão do dólar. Então, digamos que em uma família onde duas pessoas trabalham ganhando apenas um salário mínimo, ela consegue viver tranquilamente. Com apenas uma pessoa trabalhando, se vive, mas sem luxo nenhum. A necessidade de um carro não é tão grande quanto em São Paulo, conseguimos viver apenas com o transporte público. Aqui é muito mais comum morar de aluguel, principalmente quando não é tão longe do Centro. Normalmente, os contratos de aluguel são de um ano. Encontrar um espaço para morar não é difícil, mas são apartamentos e casas mais antigas. É um pouco diferente do que estávamos acostumados no Brasil. Em compensação, não pagamos taxa de água e nem de aquecedor, moramos em um bairro onde em cinco minutos caminhando encontramos campos de futebol, piscina, parque para crianças e uma estação de trem.

► Mercado de trabalho

Conseguir um emprego não é fácil. Por um lado, Montreal é uma boa escolha por ser bilíngue; por outro, os candidatos às vagas também precisam ser bilíngues. Dá para achar um emprego só com inglês ou só com o francês, mas isso limita muito as vagas. Passei os dois primeiros meses fazendo entrevistas por telefone só para vagas em inglês e em apenas uma fui selecionada para fazer entrevista pessoalmente. Já o Luís, desde que chegamos, trabalhou e continua a trabalhar na mesma empresa. Ele é desenvolvedor de softwares na Rideau Recognition Solutions.

► Lições mais valiosas

A primeira de todas foi o desapego aos bens materiais, vivenciamos isso desde o princípio, quando tivemos que vender tudo. Aprendemos que bens materiais podemos conquistar novamente, pois o que importava era vivenciar a experiência. Outra foi integrar a cultura do faça você mesmo: aqui a mão de obra é valorizada, por isso existe uma educação muito forte para você se aventurar em resolver problemas que normalmente se paga para resolver no Brasil. Exemplos: ao comprar móveis, você vai à loja, escolhe os produtos e aí se quiser que eles façam a entrega paga no mínimo CAD$ 100 ou você pode alugar uma van ou um caminhão pequeno por CAD$ 20 a diária. Caso queira que eles montem também, é cobrado um valor extra, porém, cada móvel vem com o guia de montagem com o passo a passo e você pode se virar em casa.

► Coisas legais que viveu no Canadá

Conhecer pessoas de outros países e ter contato com outras culturas.

► Família e amigos

Temos falado sempre com a família e alguns amigos, podemos até dizer que, em alguns casos, apesar da distância, nos deixou até mais próximos, pois agora que estamos aqui e não tem mais aquela facilidade de ir na casa, temos mantido mais contato. Mas tudo isso via Skype, Facebook e WhatsApp.

► Volta para o Brasil?

Não podemos dizer que nunca, pois o futuro a Deus pertence, mas por enquanto não temos vontade de voltar. Nosso objetivo sempre foi pensando em qual futuro queríamos dar para nossos filhos e agora com a chegada de nossa filha pretendemos ficar aqui para que ela possa usufruir dessa oportunidade e poder ter melhores opções.