Por Val Oliveira

O esporte é encantador justamente pelo fator da imprevisibilidade. Muitas vezes um atleta em que são depositadas as maiores esperanças de vitória pode estar em um dia ruim e outro atleta pode surpreender quando ninguém espera. Nas últimas Olimpíadas, realizadas em Londres, 2012, o Brasil ficou na 22º segunda posição no quadro geral, com 17 medalhas.
Agora, considerando que incentivo ao esporte de competição foi um pouco mais forte nos últimos anos e as disputas acontecerão em território brasileiro, e atuar “em casa” pode ser um estímulo extra para os atletas se superarem, há a expectativa de que esse número suba.
Há boas chances em modalidades tradicionais como vôlei, vôlei de praia, judô, vela, natação, ginástica artística e possibilidade de medalhas inéditas com o tênis, canoagem e o handebol, por exemplo. Na Paralimpíada anterior o Brasil ficou em sétimo lugar, com 43 medalhas. Também há grande probabilidade de que essa colocação melhore.

Guarulhos na disputa

O que já é certo é que Guarulhos será uma das 83 cidades por onde passará a tocha olímpica; será no dia 23 de julho e o atleta Wilson David dos Santos irá carregá-la. Segundo informações da Secretaria de Esportes do município, alguns nomes guarulhenses poderão estar em atividade na Cidade Maravilhosa. “Temos a Franciele Gomes da Rocha, atleta já convocada pela seleção feminina de handebol. Os técnicos Neilton Alfano Moura, do atletismo, provas de campo, e Katsuico Nakaya, também do atletismo, nas provas de velocidade e revezamento. Outras possibilidades de convocação: Tiago Moura, do atletismo, nas provas de salto em altura e salto em distância e salto triplo; Túlio Moura, atletismo, na prova do salto triplo. Esses dependem de índices que podem ser obtidos até o dia 03/07/2016, em provas realizadas pela Federação Paulista de Atletismo e Confederação Brasileira de Atletismo”, diz o secretário Wagner Freitas.

O atleta guarulhense e militante em prol do esporte Wilson David dos Santos, que participou das Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, acredita que as condições técnicas e de infraestrutura estão favoráveis, mas não espera grandes resultados para o Brasil.
“Não sou pessimista; é apenas uma constatação, tendo por base as últimas competições internacionais das quais atletas e equipes brasileiras participaram. Competir no Brasil pode ajudar como atrapalhar, pois a pressão é muito grande. Um bom exemplo disso foi a Copa do Mundo 2014. E como já estamos ‘em cima da hora’, tenho convicção de que não há mais tempo para melhoras significativas nas performances. Gostaria de ‘queimar a língua’ e que surgisse um supertalento, como foram os casos de Robson Caetano e João do Paulo, que venceram quando ninguém esperava. Mas, com certeza, teremos medalhas no judô, com pelo menos quatro atletas; no vôlei de areia e de quadra, masculino e feminino e na natação. No atletismo temos chances reais no salto com vara e na marcha atlética. A disputa pela ponta do quadro de medalhas acredito que ficará novamente entre Estados Unidos, China e Reino Unido”, pontua.
Em relação às Paralimpíadas, Wilson observa que a situação é mais tranquila e favorável aos atletas brasileiros. “Existe uma atenção especial em relação aos atletas paralímpicos. Com certeza estaremos muito bem na maioria das modalidades, com destaque para o atletismo e a natação”, diz.
Já o secretário nacional de futebol e defesa dos direitos do torcedor, Rogerio Hamam, tem expectativa mais otimista e torce pela conquista da primeira medalha de ouro pelo futebol, masculino e feminino. Ele também informa as cidades que receberão os jogos de futebol durante as Olimpíadas. “Além do Rio Janeiro, ocorrerão jogos de futebol nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Manaus, demonstrando que não é só a cidade-sede que tem a oportunidade de viver o ambiente olímpico. A expectativa é muito positiva. Investimentos realizados pelo Ministério do Esporte, especialmente com o programa Bolsa Atleta, que recentemente completou dez anos com mais de 43 mil bolsas concedidas, trazem uma perspectiva de que o Brasil possa figurar entre os dez primeiros países no quadro geral de medalhas nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paralímpicos, o que seria um desempenho inédito na história do esporte brasileiro. Essa meta consta no Plano Brasil Medalhas 2016, um incremento de recursos na preparação de nossos atletas, incluindo o Bolsa Pódio, a contratação de técnicos, equipes multidisciplinares, compra de materiais, equipamentos, além da construção e reforma de centros de treinamento de várias modalidades”, declara.

Legado

Rogerio Hamam mostra-se entusiasmado com as Olimpíadas e Paralimpíadas, tanto nas competições quanto no que vai ficar para o País após as disputas. Ele destaca o que o Ministério do Esporte está fazendo dentro do contexto olímpico e que poderá frutificar mais adiante. “Estão sendo construídos 258 Centros de Iniciação ao Esporte – CIE, em 244 municípios de todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal, que farão parte do programa Rede Nacional de Treinamento. Esse programa tem como finalidade identificar talentos, formar atletas e incentivar a prática esportiva em territórios de vulnerabilidade social, oferecendo 13 modalidades olímpicas, seis paralímpicas e uma não olímpica, sendo esse o maior projeto de legado de infraestrutura esportiva para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos”, pontua.
Para ele, os Jogos Pan-americanos 2007 e a Copa do Mundo 2014 trouxeram experiência ao País no que diz respeito ao atendimento de grandes eventos. “Isso qualificou os órgãos competentes para que possamos estar ainda mais preparados para receber os Jogos Olímpicos, desde questões preventivas de segurança, passando pela infraestrutura turística, pelo sistema transporte, mobilidade urbana e telecomunicações”, fala.
Já Wilson David dos Santos revela sua preocupação com o aproveitamento de toda a estrutura criada para o evento. “Penso que devemos trabalhar para continuar promovendo e sediando grandes eventos esportivos, para ocupar os locais de competições e não deixar que esfrie o interesse pelo esporte assim que acabarem as Olimpíadas. O maior legado seria aproveitar tudo isso para descobrir e incentivar novos talentos”, argumenta.