As riquezas da Alma podem ser compartilhadas

Por José Paulo Ferrari*

A Espiritualidade é inerente à Alma humana e se constitui, de certa forma, no universo pessoal e particular de cada um de nós. Assim, ela é considerada – sob a ótica filosófica – a instância onde repousa ou se guarda tudo o que é sagrado, inviolável, e pode ou não se relacionar conscientemente com o divino de cada um.

Desde os antigos tempos afirmavam os verdadeiros pensadores que, além do corpo, há no homem um lugar, um espaço, onde habita sua própria essência, sua natureza particular e, porque não dizer, divina que caracteriza, de certa forma, a base de sua personalidade, independente das influências do ambiente como a própria hereditariedade ou mesmo dos aspectos sociais. Em verdade, essa é só uma forma de considerar a individualidade de cada um e tudo aquilo que se constitui no universo sagrado de cada ser, em que pesem os mais diferentes conceitos tratados pelas correntes psicológicas do mundo atual.

A Religiosidade, por sua vez, é uma das principais necessidades do homem e nasce ou tem origem em sua natureza espiritual. Assim, podemos compreender que cada um de nós, também, possuímos uma tendência ou aptidão para desenvolver crenças e até mesmo virtudes morais, independente de professarmos uma ou outra Religião, já que essa pode ser uma opção de práticas ou comportamentos que se baseiam em doutrinas e, que geralmente, nos são transferidas ou impostas naturalmente muito cedo pela cultura, a partir de nossa infância.

Podemos dizer que no seio de uma religião muito bem estruturada, – onde o respeito e o amor ao próximo são cultivados pela prática natural da caridade desinteressada e as virtudes morais estimuladas, – a religiosidade como necessidade pode emergir do espaço espiritual do indivíduo e ser incentivada a encontrar raízes sólidas para ser vivenciada de forma intensa e agradável. Algumas vezes, dependendo da premissa da religião e dos arquétipos que a constitui, essa necessidade pessoal pode emergir de tal maneira que inspire o adepto a pautar uma forma de vida que o leve a encontrar o verdadeiro caminho da iluminação interior e o torne feliz. Obviamente, por outro lado, é essa mesma necessidade ou instância interior, que pode conduzir os mais incautos a se tornarem presas fáceis, de seitas que estão muito longe dos princípios da Ética Universal e qualidades altruístas que devem dar forma a uma verdadeira religião. Essas instituições religiosas que não possuem raízes no sagrado, verdadeiramente, podem fazer dos seus adeptos seres dependentes e até mesmo escravos ou pessoas profundamente infelizes por longo tempo.

Assim, muitas vezes, é pelos caminhos da Fé, através de uma longa e dolorosa peregrinação de buscas e deliberações, que demanda renúncias e sacrifícios, sobretudo em prol do outro, que muitas Almas sinceras e sensíveis, – almejando profundamente compreender a razão ou sentido da Vida – encontram campos férteis para plantar suas esperanças no amanhã e ver frutificar as sementes da Verdade e do Amor, que jazem no âmago do seu interior. E quando isso acontece, – quando elas podem essas trilhas percorrer de forma consciente e livre e despertam dos seus próprios sonhos, de suas buscas interiores – entendem que a luz ou a compreensão profunda dos propósitos da vida, pode e deve ser compartilhada com outros, seja pela difusão amorosa de ensinamentos ou por práticas que impliquem em tolerância e se revelem fundamentalmente na ajuda ao próximo.

Logo, apesar da espiritualidade integrar a natureza interior e íntima de cada um de nós, é possível, de várias maneiras, compartilhar nossos anseios e, em especial, nossas crenças e práticas altruístas com qualquer pessoa, de qualquer condição social ou nacionalidade, independente da fé ou ideologia que professem.

O grande segredo repousa na capacidade da Tolerância de cada um de nós!

*José Paulo Ferrai é psicólogo clínico, com pós-graduação na área da Saúde
e sua principal área de pesquisa é a Espiritualidade