Associação de Delegados aponta déficit de 13 mil policiais civis no Estado de São Paulo

Gustavo Mesquita Galvão Bueno, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP - Foto: Alexandre de Paulo

Ao completar um ano de sua gestão à frente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, ele visitou os veículos de comunicação de Guarulhos para apresentar os resultados desse período.
Na Redação do Click Guarulhos, explicou que se sente na obrigação de fazer essa espécie de prestação de contas, por ser nascido na cidade, fazer parte de família tradicional guarulhense e pelo apego que tem por suas orientes. Gustavo é filho do médico pediatra Cláudio Galvão Bueno e da psicóloga Eliana Mesquita, e neto do lendário comerciante Álvaro Mesquita.

Segundo ele, esse um ano de atividade foi profícuo, principalmente pela campanha que a entidade desenvolveu de esclarecimento da opinião pública, quanto ao sucateamento que a Polícia Civil sofreu nas gestões tucanas do governo estadual. Painéis foram colocados nas principais rodovias em locais próximos da Capital e anúncios veiculados em jornais, divulgando que os salários praticados para a categoria são os mais baixos do País, embora SP seja o estado mais rico da Federação.

O presidente enfatizou que o sucateamento se deu tanto nos salários, que desestimulam que bons profissionais se mantenham na carreira, quanto nas instalações e nas condições de trabalho, o que gera consequências na qualidade do atendimento à população. “Nosso esclarecimento foi principalmente quanto à necessidade de uma polícia judiciária atuante e eficaz, o que depende do aparelhamento para exercer bem seu trabalho. Observe-se, por exemplo, as condições dos distritos policiais de Guarulhos. Deixou-se de lado a investigação, a apuração dos fatos, identificação dos autores dos delitos e sua punição, de acordo com a lei. Ao desviar o foco da inteligência, focando apenas na repressão, há um incentivo à impunidade, na medida em que sem haver um adequado indiciamento abre-se margem para recursos bem-sucedidos pela defesa dos criminosos. Apesar disso, o índice de esclarecimento de crimes melhorou, chegando a 70% dos casos, embora eu critique o critério adotado para aferir isso. Creio indevido considerar como sucesso da investigação a condenação; o correto seria a denúncia, o indiciamento, mesmo que haja absolvição. É evidente que esperamos um índice cada vez melhor, mas para isso, as condições de trabalho também precisam ser melhores”.

Gustavo afirma que faltam nada menos de 13 mil policiais civis no Estado de São Paulo; apenas em Guarulhos, o déficit de pessoal é de 192 profissionais. “Muita gente não valoriza a Polícia Judiciária porque nosso trabalho não é visível para o povo. Mas o resultado de trabalho é efetivo e perene. Temos lutado para deixar isso claro à população”.

Indagado sobre as medidas propostas pelo novo ministro da Justiça, Sérgio Moro, comentou que, nos últimos 20 anos, foram criados diversos diplomas legais destinados ao recrudescimento dos crime. Citou a Lei Antidrogas, a Lei do Crime Organizado e o Estatuto do Desarmamento, “Não necessariamente a aplicação dessas leis implicou redução da criminalidade. O reparo que faço às proposições é que elas não terão efeito se não houver vontade política para implementá-las, o que necessita de investimentos na estrutura das forças de segurança, isso sem descuidar do aspecto preventivo, que reside na educação, em medidas econômicas que resultem em criação de novos empregos. Que fique claro que não há panaceia. Para o policiamento efetivo das fronteiras, para impedir a entrada de armas, por exemplo, a Polícia Federal precisa ter muito mais recursos do que tem tido”.
Cita um fator que considera problemático: a não-padronização das carteiras de identidade em todo o País. Assim, um criminoso de outro estado, condenado, pode entrar em uma delegacia em São Paulo e não ser identificado como procurado.

Gustavo Mesquita Galvão Bueno, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP – Foto: Alexandre de Paulo

Sobre o governo João Dória, respondeu que durante a campanha, ele se comprometeu a resolver a questâo da valorização do material humano. “Vale frisar que ele tem falado em aparelhamento técnico, material, veículos, o que é de fato necessário, mas não se pode esquecer do ser humano. Fala-se em abrir novos concursos, mas é preciso resolver a atratividade e isso se faz oferecendo rendimentos no mínimo razoáveis”, argumentou.

Mencionou como bom exemplo o trabalho da Polícia Federal no combate à corrupção. E lembra que seria papel da Polícia Civil investigar a corrupção no setor público. “Em Guaratinguetá foi instalado um trabalho-piloto nesse sentido; em Jaú, também. Uma Seccional como a de Guarulhos deveria ter um setor com esse princípio de atuação”, defendeu.

“Trazer de volta ao Brasil recursos desviados que estão no Exterior é uma tarefa necessária, bem como fazer de tudo para retirar dinheiro das quadrilhas e do crime organizado, como forma de desarticulá-los. Para isso, a investigação tem de ser perfeita, indiciando os criminosos com procedimento irrefutável. Isso depende de ter policiais empenhados no trabalho, satisfeitos com os salários que recebem, animados com as perspectivas de carreira. Vamos continuar nosso trabalho na Associação defendendo essas premissas”, concluiu.